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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

14/10/2011 16:39

Autista fica sem atendimento após Santa Casa suspender ambulatório psiquiátrico

Paula Maciulevicius

Apesar de Hospital não confirmar a suspensão, o ambulatório vai se descredenciar do SUS depois que a Santa Casa cortou repasse

“Eu vou ter que procurar a Defensoria. Ele precisa de um hospital que entenda o que é ser um autista, tudo que ele sente eu também sinto”. (Foto: João Garrigó)“Eu vou ter que procurar a Defensoria. Ele precisa de um hospital que entenda o que é ser um autista, tudo que ele sente eu também sinto”. (Foto: João Garrigó)

A história de Marco Aurélio, de 26 anos e a luta do pai Deir Ferreira de Arruda, de 46, em criar sozinho o filho autista ganhou mais um obstáculo, a notícia de que a Santa Casa suspenderia o atendimento no ambulatório psiquiátrico, onde o jovem trata desde 2003.

Apesar da direção do Hospital não confirmar a suspensão, o ambulatório vai se descredenciar do SUS (Sistema Único de Saúde) depois que a Santa Casa cortou repasse. Segundo o Hospital, o atendimento foi suspenso apenas para as primeiras consultas até janeiro, porque os médicos estariam em recesso, informou a assessoria de imprensa.

A notícia vem em um momento de dificuldade para Marco Aurélio Arsamendes de Arruda. Há dois meses ele sofreu duas convulsões e tem tido problemas quanto à dosagem da medicação. Sem local para tratamento específico, o pai assiste de perto as reações dos remédios no filho. Acompanhando o autismo de Marco Aurélio desde que o garoto tinha 10 meses, Deir percebe quando a medicação está dando reação.

“Ele toma os remédios e tem efeito contrário, quando sente dor ele se machuca”, conta Deir.

Na casa simples, no bairro Jardim Ametista, Marco Aurélio recebe o Campo Grande News com pulos, o que segundo o pai é típico do comportamento autista. Magro, vestindo uma bermuda e calçando chinelos, o jovem senta em uma cadeira na varanda, como quem olha o movimento.

“Meu filho não faz mal a ninguém”, diz o pai.

Com receitas e prontuários em mãos desde 2003, Deir mostra a dedicação exclusiva ao filho e a busca pelo tratamento adequado.

“Eu preciso do acompanhamento na Santa Casa, já passei outras internações, nunca ninguém quis ficar. Procurei a Pestalozzi, para o tratamento multidisciplinar, mas pelo que eu senti eles só queriam crianças”, conta.

“Dá reação, ele fica mais agitado daí tem que trocar o remédio e eu preciso comprar outro. O SUS não tem, eu que compro”. (Foto: João Garrigó)“Dá reação, ele fica mais agitado daí tem que trocar o remédio e eu preciso comprar outro. O SUS não tem, eu que compro”. (Foto: João Garrigó)

A suspensão do atendimento foi anunciada pelo próprio médico. “Ele disse que não ia mais poder atender, que eram critérios que a Santa Casa adotou. Isso depois da verba milionária que veio?” questiona Deir.

O pai relembra o dito na última consulta, dia 07 de outubro. “Além de dar a notícia de que meu filho estava mal, ele disse que teria outra ruim, que o atendimento será suspenso e que eles tinham que acatar ordens”, diz.

Desde então, o menino que está gripado e com um pouco de alergia segue sem atendimento. Quanto aos medicamentos, o pai fala que perdeu as contas do quanto gasta.

Com uma sacola cheia de remédios, ele exemplifica. “Dá reação, ele fica mais agitado daí tem que trocar o remédio e eu preciso comprar outro. O SUS não tem, eu que compro”, relata.

A dificuldade surge também na hora de sair para comprar. “Ele fica nervoso e isso pode fazer com que ele tenha convulsão, como ele não fala eu não posso nem trabalhar. Para sair eu dependo de ajuda, alguém precisa ficar com ele e ninguém fica sem pagar”, diz.

Deir sustenta a casa com o benefício do INSS do filho. O direito que ele tem pode ser cassado caso o pai comece a trabalhar e mude a condição financeira.

“Eu fiz um bico de dois meses ano passado e me tiraram. Eu tive que entrar na Justiça Federal e mesmo assim eles descontam do benefício”, desabafa.

O pai estudou até o ensino médio, mas chegou a ter cargos privilegiados. Foi chefe de departamento pessoal e gerente. “Minha vida agora é assim, me perdi da sociedade, eu não tenho vida social, não passeio. Eu vivo aqui”, comenta.

Cuidadosamente o pai dá banho, comida e troca as roupas do filho. Em certas épocas, o jovem precisa usar fraldas que saem em média R$ 24 o pacote.

Na estante da cozinha uma curiosidade que Deir descobriu com a ajuda de outros pais de autistas, pela internet. “Eu descobri que a alimentação pode influenciar nas convulsões. Então eu uso muita linhaça, óleo de soja, mas não foi nada aqui na cidade, nem de médico, a ajuda veio de outros estados”, cita.

O auxílio veio também em bens materiais. A cama e o fogão foram doados por pais de autistas que trocam experiências em uma comunidade da internet.

Em Campo Grande mesmo o suporte é precário. A peregrinação em busca de atendimento faz com que o pai ressalte que tanto o hospital Universitário como o Regional não tem capacidade para atender pacientes autistas. “Sedaram ele, em vez de atender certo. Tem que ser quem conhece, no caso a Santa Casa. Não adianta dar remédio para acalmar, que dá o efeito contrário”, explica.

O drama do pai ao ver os efeitos colaterais se torna uma angústia ainda maior perante a suspensão da Santa Casa. “Quem pode dizer sobre o medicamento é a pessoa especializada para atender. Eu não sei o que fazer, desenvovi a síndrome do cuidador, comecei a ter doenças como pressão alta, que antes não tinha”, considera.

A dor de saber que se o filho tiver uma convulsão e precisar trocar de remédio, não vai ter para onde ir, magoa Deir.

“Eu vou ter que procurar a Defensoria. Ele precisa de um hospital que entenda o que é ser um autista, nem o Caps tem atendimento. Tudo que ele sente eu também sinto”, finaliza.

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Deir é meu amigo , conheço ele de anos, são muitos anos de batalha com esse filho, é um absurdo o que nossos governantes fazem , Deir irei entrar em contato com vc para que de alguma maneira posso estar contribuindo e ajudando você nessa luta e quem quiser ajudar que façam suas partes , espero que forneçam algum telefone ou endereço como a Carla abaixo falou
 
ANDERSON PEREIRA em 16/10/2011 03:36:55
É lamentavel a situação desse pai,por isso eu sempre questiono através desse jornal,nossas autoridades teriam que mudar seus conceitos, ao invés de tantas fantasias; ex.. aquário , cidade do papai noel e tantas outras que no final vai ser abandonada destruida por vandalos, por que não investir pra valer na saude e qualidade de vida do ser HUMANO, acordem Srs. do comando o nosso bem maior é a vida
 
porfirio vilela em 15/10/2011 07:28:09
NO MEIO DE TANTOS ABSURDOS QUE ACONTECE AQUI,INFELIZMENTE ESSE E MAIS UM,ONDE A SAUDE DEVERIA SER PRIORIDADE,ESSE PAI TEM QUE PROCURAR A DEFENSORIA POR UM DIREITO DE SEU FILHO....E UMA VERDADEIRA PALHACADA DA PARTE DO SUS E NOSSOS GOVERNANTES,QUE CADA VEZ QUE ELEITOS EM VEZ DE MELHORIAS ACABAM CORTANDO OS DIREITOS DOS CIDADAOS.
 
marcilene araujo em 15/10/2011 04:19:49
Senhoras e senhores, ñ é possível q ninguém possa ajudar esse pai! Algum médico da área, por favor se pronuncie. Ou a própria Sta. Casa q nega ter fechado o atendimento.
Amor ao próximo ñ caiu d moda!
 
Beth Saltão em 15/10/2011 02:13:52
OLÁ DEIR,TENHO UMA FILHA AUTISTA E SEI O QT É DIFICIL,TENHO MEU ESPOSO Q ME AJUDA MUITO,MAS IMAGINO VC SOZINHO P/ CUIDAR DO SEU FILHO,É EXTREMAMENTE COMPLICADO,DEUS TE ABENÇOE E TOQUE NO CORAÇAO DAS AUTORIDADES E DAS PESSOAS P/ Q POSSAM FAZER ALGO POR VCS.
 
DARLENE RIBEIRO GOMES em 15/10/2011 01:54:29
Que exemplo de dedicação! Isto mostra o que é um verdadeiro amor. Igual a de muitos anônimos espalhados por aí. Enquanto isto que vergonha para nosso governo Deveria ter o endereço deles para que possamos ajudar de alguma forma.
 
paulo silva em 14/10/2011 09:13:27
Ola. Se for da vontade do Sr. Deir, vocês poderem fornecer o telefone para contato e endereço. Para pessoas que viram a história deles e queiram ajudar com doações.

Obrigada.
 
Carla Rezende em 14/10/2011 08:09:45
Esse é o País da Copa do Mundo e das Olimpíadas....... Uma piada....
Que DEUS ilumine e de muita força a esse pai....
 
Gilson Flores em 14/10/2011 05:14:44
Um lutador , simbolo do descaso com que é tratada a populacao carente do nosso país e do nosso estado , merecia no minimo mais respeito por parte das autoridades em saude .
Como explicar que uma cidade como CG nao tenha atendimento a pacientes autistas ?
hoje , já sao muitos os casos de autismo diagnosticados no país e só aumentando . abram o olho governates , nao deixem esse povo sofrido na mao
 
Jose Francisco em 14/10/2011 05:05:15
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