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Capital

Blitz desanima manifestantes e carreata contra quarentena termina em 30 minutos

Manifestantes criticaram ação da Agetran e encerraram carreata que nem chegou perto da prefeitura

Por Silvia Frias e Clayton Neves | 31/03/2020 16:17
Mesmo após dispersão, blitz foi mantida na avenida (Foto: Paulo Francis)
Mesmo após dispersão, blitz foi mantida na avenida (Foto: Paulo Francis)

A blitz surpresa foi um banho de água fria nos manifestantes que participaram da carreta esta tarde, na Avenida Afonso Pena. O protesto durou pouco mais de 30 minutos e, logo depois da fiscalização da Agetran (Agência Municipal de Trânsito) o grupo se dispersou, não sem antes fazer vários vídeos criticando a ação.

A concentração reuniu cerca de 40 pessoas em frente à Cidade do Natal. Por volta das 14h30, eles saíram em comboio pela Avenida Afonso Pena, fizeram retorno, foram até uma das ruas do Parque dos Poderes e voltaram pela via, com intenção de seguir pela região central. Porém, na altura do Aquário do Pantanal, foram parados pela blitz montada pelos agentes de trânsito, com apoio da Guarda Municipal.

Vários manifestantes ficaram revoltados e fizeram vídeos, mostrando que agentes estavam sem EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). Depois disso, pelo menos eles colocaram máscaras. Do grupo dos manifestantes, poucos estavam munidos de álcool em gel, máscaras ou luvas.

Advogado diz que toque de recolher é inconstitucional (Foto: Paulo Francis)
Advogado diz que toque de recolher é inconstitucional (Foto: Paulo Francis)

Depois da blitz, o grupo iria para a Câmara Municipal, mas, desanimados com ação policial, acabaram se dispersando. Apenas uns seis ficaram na Avenida Afonso Pena observando a fiscalização da Agetran, que permaneceu no local.

Os agentes informaram à reportagem que não foram encontradas irregularidades nos documentos dos veículos ou nas CNHs dos manifestantes. Preventivamente, além da blitz, a Agetran ainda bloqueia a avenida próximo da Rua Bahia, fazendo com que os motoristas subam a rua e não passem no trecho próximo da prefeitura.

Quarentena vertical – o advogado Marcos Pollon, 39 anos, foi o único que se dispôs a falar com a imprensa. Ele disse que o protesto é contra o toque de recolher pois é considerada medida inconstitucional, que cerceia o direito de ir e vir da população.

Segundo ele, os manifestantes defendem o isolamento vertical, ou seja, restrito aos que pertencem ao grupo de risco, como idosos acima de 60 anos. “Tem gente sendo mandada embora, tem gente passando fome”, disse, acrescentando que “não vai ser meia dúzia de cesta básica que vai resolver esse problema”.

Blitz teve apoio da Guarda Municipal (Foto: Paulo Francis)
Blitz teve apoio da Guarda Municipal (Foto: Paulo Francis)

O advogado também endossou a crítica de outros integrantes da manifestação sobre a blitz, que acabou com a carreata. O uso de carros foi pensado justamente para evitar contágio, mas o fato dos agentes terem manuseado documentos sem luva foi considerado risco. “Se qualquer pessoa estivesse contaminada, contamina o agente, se a gente pensou em algo para não gerar isso, prefeito gerou esse problema”.

O advogado citou dois argumentos como favoráveis à quarentena vertical, um deles, sem o contexto integral, que dá margem à interpretação: o de que a OMS (Organização Mundial de Saúde) considera a quarentena absoluta inviável e que é importante que as pessoas trabalhem.

A fala do presidente da OMS, Tedros Adhanom, foi citada pelo presidente Jair Bolsonaro, como se ele tivesse recomendado que “os informais têm que trabalhar”. No entando omitiu trecho anterior, em que Adhanom cobra dos governos a garantia de assistência a quem tem que ficar em casa por conta da pandemia.

Bloqueio na Avenida Afonso Pena foi mantido, mesmo após fim da carreata (Foto: Paulo Francis)
Bloqueio na Avenida Afonso Pena foi mantido, mesmo após fim da carreata (Foto: Paulo Francis)

Pollon foi informado pela imprensa da morte de mulher de 64 anos em Dourados, o primeiro óbito em Mato Grosso do Sul. O advogado prestou condolências à família dela, mas avaliou que ela pertencia ao grupo de risco. “Provavelmente não teve acesso ao cuidados que deveria ter tido do hospital”, mas explicando que não tinha informações completas sobre o caso dela. “Mas, normalmente, todas as mortes de coronavírus que aconteceram por agravamento de situação pré-existente”.

Ele ainda disse que vários casos de acidentes estão sendo relatados como morte pelo novo coronavírus, citando o propagando das redes sociais do “sujeito que explodiu pneu na borracharia”. No fim, voltou a defender o retorno ao trabalho, alegando que as pessoas vão morrer de fome antes de qualquer vírus.