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Capital

Com camisetas por justiça, família acompanha júri de travesti morta em presídio

Mãe de Dandara cobra condenação dos acusados e diz que relatos apresentados em plenário são falsos

Por Bruna Marques e Geniffer Valeriano | 25/06/2026 11:22
Com camisetas por justiça, família acompanha júri de travesti morta em presídio
Familiares de Dandara vestem camisetas com a frase “Justiça para sempre, Dandara” durante julgamento (Foto: Geniffer Valeriano)

Kalu Além, de 58 anos, mãe de Darlan Alves Lemos, travesti conhecida como Dandara, acompanhou nesta quinta-feira (25), no 1º Tribunal do Júri, o julgamento dos dois réus acusados de matar a filha dentro do IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), no dia 22 de março do ano passado. Ela estava ao lado de familiares, que vestiam camisetas com a foto da vítima e a frase: “Justiça para sempre, Dandara”. Ao entrarem no plenário, os familiares colocaram as camisetas do avesso.

RESUMO

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Kalu Além, mãe de Dandara, travesti morta no Instituto Penal de Campo Grande em março de 2024, acompanhou o julgamento dos dois réus acusados pelo crime. Rita Cadillac negou participação, enquanto Flabson confessou o assassinato. O Ministério Público acusa os dois de homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e dificuldade de defesa da vítima, que teria sido asfixiada por cerca de 50 minutos.

Sentaram no banco dos réus Rita Cadillac, registrada civilmente como Maick Franklin Raimundo de Oliveira, e Flabson Amaro dos Santos Alves.

Ao conversar com a reportagem, Kalu disse que, desde a morte da filha, a vida não é mais a mesma. “Eu não tenho mais alegria como eu tinha quando eu tinha minha filha. Hoje estou aqui esperando que a Justiça seja feita”, afirmou.

A mãe disse esperar a condenação dos dois acusados. “Eu espero que os dois sejam condenados. Meu coração vai sair feliz daqui se os dois forem condenados, porque o que eles fizeram com minha filha não se faz nem com animal”, declarou.

Emocionada, Kalu também falou sobre a forma como a filha foi morta. “Eles amarraram minha filha, ela foi torturada, isso para uma mãe é a pior coisa do mundo, não é fácil, mas eu creio que a Justiça será feita”, disse.

Após acompanhar os depoimentos dos réus, a mãe afirmou que os relatos apresentados em plenário não são verdadeiros. “Até agora eles só mentiram, não estão sendo verdadeiros. Eles disseram que minha filha era do PCC, é mentira, ela convivia com eles, mas nunca foi PCC”, afirmou.

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Kalu Além, mãe de Dandara, acompanhou o julgamento no 1º Tribunal do Júri (Foto: Geniffer Valeriano)

Durante o julgamento, Rita Cadillac negou participação no assassinato e disse ser inocente. Ela afirmou que ela, Flabson e Dandara tiveram relacionamento em momentos diferentes. Segundo Rita, no momento das agressões, tentou chamar atenção dos demais detentos e dos policiais penais.

“Enquanto estava em socos e pontapés eu estava de boa, mas quando amarrou a mão e o pé [...] comecei a dar socos na porta e pedi para os outros detentos sacudirem as grades”, declarou.

Rita também afirmou que os agentes penais sabiam do desentendimento entre Flabson e Dandara e acusou os servidores de homofobia. Segundo ela, um dos agentes teria dito: “No meu plantão não se zua, e no meu plantão ninguém tumultua, os dois vão se responsabilizar”.

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Rita Cadillac é conduzida por policiais penais durante julgamento sobre a morte de Dandara (Foto: Geniffer Valeriano)

Ainda em depoimento, Rita disse que foi coagida durante o trajeto até a delegacia a confessar participação no crime, por meio de pressão psicológica. Ela começou e terminou o depoimento afirmando ser inocente.

Flabson, por sua vez, confessou o crime, mas afirmou que colocou Rita no caso porque teria sido ameaçado por agentes penais. “Eles estavam ameaçando. Lá eles batem, descem o cacete, spray de pimenta”, disse.

Segundo Flabson, ele estava deitado quando viu a sombra de Dandara, levantou, derrubou a vítima e passou a agredi-la. Em seguida, conforme o próprio relato, amarrou as mãos e as pernas dela quando ela estava desacordada e depois a asfixiou com uma toalha usada como pano de chão.

“Eu estava dormindo assim, um olho aberto e outro fechado, porque ele já tinha batido em mim”, afirmou.

Questionado pelo promotor José Arturo Iunes Bobadilla Garcia sobre o que teria ocorrido antes do ataque, Flabson disse: “Só falou que ia matar eu”. Em outro momento, afirmou: “Intenção de matar eu não tinha não, mas era a vez dela, chegou o momento dela”.

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Flabson Amaro dos Santos Alves durante julgamento (Foto: Geniffer Valeriano)

Denúncia - De acordo com a denúncia do MPE (Ministério Público Estadual), Rita Cadillac e Flabson Amaro dos Santos Alves são acusados de matar Darlan Alves Lemos dentro do IPCG. O crime, segundo o Ministério Público, ocorreu entre 16h30 e 18h, no Pavilhão 2, Ala Disciplinar, Cela 3 da unidade prisional. Os dois denunciados e a vítima estavam custodiados no mesmo local.

A denúncia aponta que Rita e Flabson teriam ordenado que Dandara trocasse de cela. Com a recusa da vítima, houve uma discussão. Conforme o documento, Flabson teria avançado contra Dandara, que caiu no chão. Depois, a vítima se levantou e iniciou uma luta corporal.

Ainda segundo o MPE, Rita teria se juntado à agressão. A denúncia afirma que Flabson imobilizou Dandara pelo pescoço, enquanto Rita teria usado uma toalha para asfixiar a vítima. O documento sustenta que a ação durou aproximadamente 50 minutos.

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Dandara foi morta na cela disiciplinar no dia 22 de março de 2025 (Foto: Arquivo pessoal)

Para o Ministério Público, o homicídio foi cometido por motivo fútil, com meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O motivo fútil, segundo a acusação, seria a recusa de Dandara em obedecer à ordem de troca de cela. O meio cruel estaria relacionado à asfixia prolongada. Já a dificuldade de defesa teria ocorrido porque a vítima foi imobilizada enquanto era asfixiada.

A denúncia também afirma que Flabson confessou a prática do crime. A materialidade, conforme o MPE, é sustentada por auto de prisão em flagrante, boletins de ocorrência e termo de exibição e apreensão.

Rita Cadillac, registrada civilmente como Maick Franklin Raimundo de Oliveira, e Flabson Amaro dos Santos Alves foram denunciados por homicídio qualificado.

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