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Capital

Com cartazes, família pede justiça pela morte de jovem espancado e atropelado

Vandermarcio Gomes da Silva Junior tentava defender amigo em discussão no Portal do Caiobá

Por Clara Farias | 01/06/2026 16:24
Com cartazes, família pede justiça pela morte de jovem espancado e atropelado
Cartazes segurado pela mãe e tia de Vandermarcio pedem por justiça (Foto: Clara Farias)

Emocionada e segurando cartazes que pedem por justiça, a família de Vandermarcio Gomes da Silva Junior permaneceu durante a tarde desta segunda-feira (1º) em uma das entradas do Fórum de Campo Grande. A vítima, de 22 anos, morreu em maio do ano passado ao ser espancada e atropelada enquanto tentava defender o amigo em uma briga no Portal do Caiobá, região oeste de Campo Grande.

RESUMO

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A família de Vandermarcio Gomes da Silva Junior, de 22 anos, morto após ser espancado e atropelado em Campo Grande em maio de 2024, acompanhou nesta segunda-feira (1°) a audiência de instrução e julgamento dos réus no Fórum local. O principal acusado, Gustavo Paulino, apontado como motorista do atropelamento, não prestou depoimento. O caso envolve cinco réus e pode ser enviado ao Tribunal do Júri.

Na tarde de hoje, os réus acusados de envolvimento na morte de Vandermarcio passaram por interrogatório durante a audiência de instrução e julgamento, etapa que antecede a decisão sobre o envio do caso ao Tribunal do Júri. Conforme apurado pela reportagem, o principal acusado, Gustavo Mendes de Souza Paulino, apontado como o motorista responsável pelo atropelamento, não prestaria depoimento. Ainda assim, ele acompanhava a audiência do lado de fora da sala.

A mãe da vítima, Elenita Alves dos Anjos, de 49 anos, disse manter a esperança de que os responsáveis sejam condenados. Mais de um ano após o crime, ela relata que ainda enfrenta dificuldades para lidar com a perda e precisou mudar de casa por causa das lembranças constantes do filho.

"Naquele dia, o amigo do meu filho chamou ele para jogar sinuca. Quando estavam no caminho, apareceram algumas pessoas atrás desse amigo. Meu filho entrou na briga para defendê-lo e acabou ficando sozinho. O amigo correu e deixou meu menino para trás", relembrou.

Com cartazes, família pede justiça pela morte de jovem espancado e atropelado
Família de Vandermarcio com cartazes em frente ao fórum (Foto: Clara Farias)

Elenita também recorda os últimos momentos do filho. "Os bombeiros levaram ele para a Santa Casa. Ele lutou pela vida, mas morreu na manhã seguinte. Muita gente bateu nele. Ele ficou internado lutando porque sabia que não podia me deixar", disse, emocionada.

A tia de Vandermarcio, Fátima Alves dos Anjos, de 48 anos, também acompanhou a audiência ao lado da irmã e dos sobrinhos. Segundo ela, o jovem não tinha envolvimento com drogas ou antecedentes criminais. "Nós fizemos exame toxicológico nele no ano passado e o resultado deu negativo. Ele era um bom menino, nunca fez nada de errado. A única coisa que fazia era tomar uma cervejinha, como qualquer jovem. Morreu tentando salvar um amigo", afirmou.

O primeiro réu a ser ouvido foi Luan de Oliveira Lemes. Em depoimento, ele afirmou que não conhecia Vandermarcio e que a confusão começou quando encontrou Vinicius Lisboa, que, segundo ele, lhe devia R$ 150.

"Eu estava em uma tabacaria conversando com um colega quando o Vinicius apareceu. Já tinha tentado falar com ele várias vezes para receber esse dinheiro, mas ele não respondia. Quando o vi naquele dia, fui atrás para cobrar a dívida e começamos a discutir", declarou.

Luan afirmou que Vinicius e Vandermarcio seguiram a pé pela rua e que ele os acompanhou de motocicleta, junto com Kauan Phelipe Florêncio de Almeida. Segundo o acusado, em determinado momento um VW Gol chegou ao local com quatro ocupantes, pessoas que ele disse conhecer apenas de vista.

Com cartazes, família pede justiça pela morte de jovem espancado e atropelado
Roupa da vítima no local em que foi atropelada (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

"Eu estava discutindo e não prestei atenção em quem dirigia o carro. Quando percebi a confusão, o Vinicius saiu correndo e eu fui atrás dele. Não vi o atropelamento", afirmou. Segundo o réu, após a discussão ele pegou a motocicleta e foi para a casa da irmã.

Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Gustavo Mendes de Souza Paulino, Luan de Oliveira Lemes, Giovana Mendonça Ferreira, Ygor Matheus Rodrigues dos Santos Carvalho e Kauan Phelipe Florêncio de Almeida participaram do homicídio. Gustavo é apontado como o motorista do veículo envolvido no atropelamento. No carro também estariam Giovana, Ygor e Maria Eduarda.

Segundo a acusação, ao perceberem que Luan perseguia Vinicius e Vandermarcio em uma motocicleta, os ocupantes do Gol passaram a acompanhar a situação. Depois que Vinicius conseguiu fugir, os denunciados teriam passado a agredir Vandermarcio. Em seguida, Gustavo teria retornado ao veículo e atropelado a vítima, que já estava caída no chão.

O boletim de ocorrência aponta que, após ser atropelado, Vandermarcio ainda foi arrastado por cerca de 4 metros. O carro foi abandonado no local e os suspeitos fugiram. A vítima foi socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levada para a Santa Casa, mas morreu no dia seguinte.

Com cartazes, família pede justiça pela morte de jovem espancado e atropelado
Gustavo sob escolta no corredor do fórum (Foto: Clara Farias)

Segundo o boletim de ocorrência registrado na época, após ter sido atropelado, Vandermarcio ainda foi arrastado por 4 metros. O carro foi deixado no local pelo grupo que fugiu. A vítima chegou a ser socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para a Santa Casa, mas não resistiu e morreu.

Gustavo foi preso em outubro do ano passado, quase cinco meses após o crime, em Toledo (PR), onde estava morando desde que deixou Campo Grande. Poucos dias depois da prisão, a casa de Kauan foi invadida e ele acabou atingido por três disparos de arma de fogo. Já Luan foi preso em fevereiro deste ano durante o cumprimento de mandado expedido pela 1ª Vara do Tribunal do Júri. Ygor Matheus também chegou a ficar preso preventivamente, mas teve a prisão revogada em abril.

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