Único foragido após operação é apontado como figura central de esquema de livros
Segundo o Gaeco, empresa de Heyder Bartz recebeu R$ 455.593,05 da Editora Avante no período investigado
Único dos 16 alvos da Operação Gutenberg que ainda está com mandado de prisão preventiva em aberto, o empresário Heyder Bartz é apontado pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como um dos líderes do suposto esquema envolvendo contratos para a compra de livros paradidáticos por prefeituras de Mato Grosso do Sul.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Heyder é colocado pelo Gaeco ao lado da dentista Rossana Paroschi Jafar e do empresário Francisco Anizio dos Santos no núcleo que teria influência sobre as decisões administrativas e financeiras da Editora Avante.
- Leia Também
- Entre prefeito “difícil” e portas abertas, investigação expõe caça a contratos
- Envelope com denúncia sobre contrato de R$ 1 milhão deu origem a investigação
Heyder é proprietário da Superconteúdo Digital, empresa de marketing e editora de livros. Os outros dois seriam os reais responsáveis pela Editora Avante, que, segundo a investigação, lucrou com a venda de livros mediante o pagamento de propina.
O documento afirma que a atuação de Heyder e Anizio teria sido “decisiva para todo o esquema criminoso”. A participação direta de Heyder aparece em mensagens obtidas após o afastamento do sigilo telemático dos investigados.
Em 14 de fevereiro de 2023, a Editora Avante recebeu R$ 459.286 da Prefeitura de Ladário, em duas operações bancárias. No dia seguinte, mensagens no grupo de WhatsApp “Editora Avante (Osasco)” mostram um contato identificado como “Heyder” orientando Rhayane Souza Fanaia, oficialmente dona da Avante, a realizar pagamentos relacionados ao material vendido ao município.
Superconteúdo recebeu R$ 455 mil
De acordo com o relatório da investigação, a Superconteúdo recebeu R$ 455.593,05 da Editora Avante no período analisado. O Gaeco afirma que Heyder, por meio da empresa, esteve entre os maiores destinatários das transferências identificadas, ao lado de Rossana.
Um dos exemplos apresentados ocorreu depois de a Avante receber R$ 818.958,50 da Prefeitura de Bonito, em dezembro de 2022.
Segundo a investigação, logo após a entrada do dinheiro, Rhayane recebeu uma relação de pagamentos que incluía:
R$ 47.103,34 para Rossana;
R$ 75.661,27 para a Superconteúdo;
R$ 459,90 para outra conta da Superconteúdo.
O documento não afirma que toda transferência para a Superconteúdo era necessariamente ilícita. A suspeita é construída pelo conjunto formado pela proximidade com os pagamentos públicos, pelas mensagens internas, pela influência de pessoas que não constavam formalmente na administração da Avante e pela repetição do modelo em diferentes contratos.
Papel maior que o de fornecedor
Na interpretação do Gaeco, Heyder não exercia apenas uma atividade técnica ligada à produção de livros ou ao marketing.
Ele teria participação na gestão informal da Avante, na orientação de integrantes da empresa, na definição de pagamentos e no recebimento de parte dos recursos por meio da Superconteúdo.
O próprio pedido apresentado à Justiça afirma que os dados bancários confirmaram a distribuição de valores entre integrantes do grupo, citando Rhayane, Rossana e Heyder. A decisão também autorizou o aprofundamento das investigações por meio dos sigilos bancário, fiscal e telemático.
Responsável pela defesa do publicitáiro, a advogada Beatriz Pontes Navarini informou que ainda não teve acesso formal à decisão que determinou sua prisão e, por isso, não conhece os fundamentos da medida. A defesa afirma que já entrou em contato com as autoridades responsáveis pelo caso, colocou Bartz à disposição da Justiça e disse confiar que eventuais “excessos ou equívocos” serão corrigidos pelo Poder Judiciário, com o compromisso de buscar a “verdade real”.


