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Capital

Com comércio reaberto, grupo de risco também volta a acordar cedo para passear

Maioria está andando sem máscaras e diz que não ter medo de ser contaminado com coronavírus

Por Leonardo Rocha e Clayton Neves | 07/04/2020 11:35
Casal Raimundo Pedro de Barros e Aparecida Alves dos Santos foram hoje cedo ao centro. (Foto: Kisie Ainoã)
Casal Raimundo Pedro de Barros e Aparecida Alves dos Santos foram hoje cedo ao centro. (Foto: Kisie Ainoã)

Apesar da recomendação e apelo das autoridades, o movimento de idosos no centro de Campo Grande voltou ao normal nos últimos dias, com muitos fazendo compras, pagando contas e alguns apenas passeando pelas ruas, sem nenhum compromisso propriamente dito. A maioria sai de casa sem máscara ou qualquer outra proteção.

Com as praças e parques fechados, é fácil ver idosos sentados nos bancos da Rua 14 de Julho ou olhando vitrines. Eles alegam que estão tomando cuidado em relação ao contato, no entanto a maioria diz que não tem medo do novo coronavírus.

Nelson Garibaldi, de 88 anos, estava sentado em um ponto de ônibus, perto da Praça Ary Coelho, na Rua 15 de Novembro. Ele contou à reportagem que mora na região central e resolveu andar um pouco pela cidade. “Estou firme e forte, última vez que peguei gripe ainda era pequeno, nasci na região do Pantanal”, explicou.

Ele disse que mora sozinho, pois sua filha reside no Paraná. “Não tenho medo, se ficar em casa lá é que vou ficar doente, preciso andar para esticar as pernas”, relatou ele, enquanto fumava um cigarro.

Jurandir Rescala tem 78 anos e também resolveu ir ao Centro. Ele garante que só foi para pagar contas, mas admitiu.: "Minha neta até disse que ia pagar para mim, porque eu não sei mexer nessas coisas de aplicativo. Mas eu gosto de andar um pouco".

Dona Rosa Silvestre não esconde o real motivo de ninguém. Aos 65, conta que sentiu falta mesmo da loja de departamento. "Eu queria vir ontem aqui na loja, dar uma olhadinha, mas só consegui hoje",  confessa.

Clarice Lino estava usando máscara (Foto: Kisie Ainoã)
Clarice Lino estava usando máscara (Foto: Kisie Ainoã)

Sem medo - Clarice Lino, de 69 anos, foi até o centro resolver pendências bancárias. Ela estava usando máscara. “Estou sozinha, porque meu marido foi para São Paulo, não tenho ninguém para resolver as coisas para mim”. Diz que segue as recomendações, mas não tem medo da doença. “Só ficar em casa dá desespero, os idosos precisam dar uma saída”, justifica.

Já o casal de idosos, Raimundo Pedro de Barros, 82, e Aparecida Alves dos Santos, 73, foram ao centro fazer compras. “Estou comprando tecidos, pois costuro, além disto já tive doença bem pior que esta e Deus me curou, mas entendo que devemos seguir as recomendações”, disse ela.

Os idosos estão incluídos no chamado “grupo de risco” do coronavírus, já que apresentam mais problemas de saúde quando são infectados, tendo a maior taxa de mortalidade. Em Mato Grosso do Sul já são 80 casos do novo vírus, sendo que as duas mortes foram de pessoas acima de 60 anos.

Idosos sentados na área central (Foto: Kisie Ainoã)
Idosos sentados na área central (Foto: Kisie Ainoã)


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