Em júri, famílias se dividem entre defender e acusar réu por feminicídio
Conselho de Sentença é formado so por mulheres, que decidirão se atropelamento foi intencional ou acidental

Separadas por uma fileira de cadeiras, as famílias de Andressa Fernandes Teixeira e de Willames Monteiro dos Santos acompanham, na manhã desta quarta-feira (5), o início do julgamento do acusado de matar a esposa no dia 20 de abril de 2024, no Bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande.
RESUMO
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Willames Monteiro dos Santos é julgado nesta quarta-feira (5) pelo feminicídio da esposa Andressa Fernandes Teixeira, morta em abril de 2024 em Campo Grande. O réu é acusado de atropelá-la duas vezes intencionalmente após uma discussão, na presença dos filhos do casal. O Conselho de Sentença foi formado por sete mulheres. A defesa alega acidente. A mãe da vítima aguarda condenação e cuida dos dois netos que presenciaram o crime.
No plenário do Tribunal do Júri, estavam a mãe, dois tios e uma prima da vítima. Já a família do réu compareceu em maior número, com cerca de 15 pessoas, entre pais, irmãos, cunhados e amigos. Após o sorteio e as recusas previstas em lei, o Conselho de Sentença foi formado por sete mulheres.
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Willames responde por feminicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ele atropelou intencionalmente a esposa duas vezes após uma discussão em frente à casa onde moravam, na presença dos dois filhos do casal. A defesa sustenta que o atropelamento foi um acidente e o acusado tentou prestar socorro.
Antes do início da sessão, a aposentada Rosângela Fernandes, de 57 anos, mãe de Andressa, disse em entrevista esperar a condenação do réu. "Todo mundo sabe que inocente ele não é. Ele sabia muito bem o que estava fazendo. Fez por maldade", afirmou.
Rosângela contou que, após a morte da filha, soube da existência de registros na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Atualmente, ela é responsável pelos dois netos, filhos do casal, que presenciaram o atropelamento.
Segundo a aposentada, a neta, hoje com 14 anos, foi arrolada como testemunha de acusação e vai prestar depoimento durante o julgamento. Ela comentou que o menino, de cinco anos, ainda sente a ausência da mãe. "Todo dia ele dá bom-dia e boa-noite para a foto dela", relatou.
Ela também lembrou que Willames chegou a ser colocado em liberdade no dia do velório de Andressa e voltou a ser preso dias depois.
O empresário Sandro Monteiro, de 40 anos, irmão do acusado, afirmou acreditar na inocência de Willames e disse que a morte de Andressa foi uma fatalidade. "Meu irmão é trabalhador. A perícia mostrou que foi um acidente. Ele jamais passaria por cima da própria esposa de propósito", declarou.
Sandro afirmou que Andressa era considerada integrante da família e contestou as alegações de violência doméstica. Segundo ele, um dos atendimentos policiais citados pela acusação ocorreu após uma denúncia relacionada ao som automotivo do veículo do irmão, e não por agressão.

Durante a leitura da denúncia, conduzida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, o réu permaneceu de cabeça baixa.
Conforme a investigação da Polícia Civil, Willames estava embriagado no momento do crime. A perícia apontou que o veículo tinha os freios e a câmera de ré em funcionamento e concluiu que o carro passou duas vezes sobre Andressa. A defesa sustenta que o atropelamento foi acidental e o acusado não teve intenção de matar.
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