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Capital

Comércio e shoppings continuam fechados, anuncia Marquinhos após reunião

A partir de segunda, comércio de matéria de construção civil poderá abrir e outros setores aguardam liberação paulatina

Por Izabela Sanchez e Danielle Errobidarte | 28/03/2020 13:39
Prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), durante reunião neste sábado (Foto: Henrique Kawaminami)
Prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), durante reunião neste sábado (Foto: Henrique Kawaminami)

Mesmo com protesto e pressão do setor, o prefeito de Campo Grande anunciou neste sábado (28) que continua a seguir as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e autoridades de saúde do país. Após reunião com representantes do setor comercial, Marquinhos Trad (PSD) reforçou que o comércio e os shopping vão continuar com as portas fechadas para evitar aglomerações e conter a curva de contágio do novo coronavírus.

Ainda assim, conforme evolução das discussões ao longo da semana, alguns setores passam a funcionar de forma parcial e regrada. O último decreto municipal que regulamentou normativa do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido), continua a valer: lotéricas poderão reabrir e igrejas, receber fiéis em apenas 2 missas e cultos por dias, com higienização completa,inclusive de bancos, antes e depois das celebrações. No caso das lotéricas, a higienização deverá ocorrer a cada 2 horas.

Os restaurantes e os estabelecimentos comerciais que fornecem insumos à indústria da construção civil também estão contemplados. Os primeiros devem restringir o atendimento a 30% da lotação, o que já havia feito muitos fecharem. O setor da construção civil passa a funcionar de forma gradativa a partir desta segunda (30), com canteiros de obras de até 20 operários.

Na reunião que colocou em diálogo prefeito, representantes do setor de comércio, MPMS (Ministério Público Estadual), MPT (Ministério Público do Trabalho) e secretaria de saúde, quem falou pelo comércio foi o 1º secretário da Acig (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), Roberto Oshiro.

1º secretário da associação comercial e industrial de Campo Grande, Robero Oshiro (Foto: Henrique Kawaminami)
1º secretário da associação comercial e industrial de Campo Grande, Robero Oshiro (Foto: Henrique Kawaminami)

Segundo o secretário, a redução do volume de vendas em todos os setores já alcança os 80% e com isso, a associação pediu "serenidade" aos empresários quanto às demissões e demais cortes que atinjam as relações trabalhistas. Oshiro também citou os autônomos, vulneráveis à crise.

"Esse sentimento de ausência de futuro não contribuiu para ninguém", disse, ao pedir a abertura gradual do comércio e o retorno de atividades que contemplem os autônomos. Com a decisão que mantem os comércios fechados, Oshiro fez um apelo para que as pessoas continuem consumindo, a exemplo dos pedidos delivery a restaurantes.

"A população pode continuar contribuindo independentemente do decreto", comentou ele.

O prefeito ainda disse que não é possível "abrir o comércio da noite para o dia". "A gente precisa fazer avaliação antes de tomar qualquer decisão", considerou Marquinhos. "Não vamos devolver a rotina do campo-grandense enquanto não garantir a segurança de ir e vir", pontuou o prefeito.

Superintendente do Shopping Bosque dos Ipês, Adriana Flores representou os três shoppings de Campo Grande na reunião. "As pessoas não podem esquecer que shoping tem a mesma insegurança de centro e comércio de bairro", disse.

Como os shoppings vão continuar fechados, Adriana explicou que segue a orientação da associação nacional que representa o setor, de pedir a suspensão da cobrança dos alugueis das lojas e pedir que os proprietários reduzam ao máximo as despesas.

Lotéricas - Em Campo Grande as lotéricas também vão continuar abertas. Titular da 32ª Promotoria de Justiça, de saúde pública, Aparecida Depolito Fluminhan, disse que ainda que não seja, diretamente, um serviço essencial, as lotéricas acabam funcionando dessa forma. Isso porque muitos moradores periféricos não têm acesso aos bancos.

"A população de baixa renda de bairros e perifeiras só consegue acessar serviço essencial através das lotéricas, de outra forma teriam que entrar no transporte público", comentou.

Carlos Sérgio dos Santos participou da reunião como representante dos trabalhadores do comércio, e defendeu que "os trabalhadores não podem pagar pela pandemia". "O governo federal que assuma essa responabilidade, mais importante que o decreto é adesão as medidas de prevenção", disse ele.