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Capital

Cortejo faz homenagem a delegado, lembrado por humanidade e amor à profissão

Após velório em Campo Grande, corpo do Mikaill Farias será levado de avião para Bauru

Por Geisy Garnes e Bruna Marques | 07/05/2021 09:59
Velório aconteceu nesta manhã e reunião vários policiais (Foto: Henrique Kawaminami)
Velório aconteceu nesta manhã e reunião vários policiais (Foto: Henrique Kawaminami)

Simplicidade e parceira são as palavras mais ouvidas quando se pergunta do delegado Mikaill Alessandro Gouvea Faria, de 42 anos. O bom coração, a dedicação pelo trabalho e o amor pelo filho, de 3 anos, marcam sua personalidade aos olhos de quem convivia e admirava o policial, que na noite de ontem foi vítima de um grave acidente na BR-060.

Nesta manhã, a despedida de Mikaill reuniu a família, delegados, investigadores, escrivães e policiais militares. Entre cada pessoa presente era visível a dificuldade em acreditar que o delegado nomeado dias antes para assumir uma nova delegacia em Mato Grosso do Sul, que havia passado a manhã em uma operação policial em Ponta Porã, tinha partido.

Ao lado do caixão, os pais e a esposa recebiam o carinho dos amigos e da família que Mikaill fez nas delegacias em que trabalhou desde que assumiu o cargo de delegado, em 2014. Ele vivia em Mato Grosso do Sul o sonho de infância e por isso, mesmo no momento de dor, o pai Francisco Faria agradeceu pelos anos que o filho passou aqui.

“Primeiramente queria agradecer a esse povo maravilhoso de Mato Grosso do Sul que acolheu meu filho tão bem, tão bem que ele tinha uma felicidade por esse povo eterna. Segundo eu agradeço por passar 42 anos com esse filho maravilhoso, que veio para melhorar minha vida. Deus achou que era a hora dele partir e ajudar no plano espiritual. A matéria sim, ela termina aqui, mas o espirito não. O espírito tá sempre conosco e eu vou estar com ele eternamente também”.

Pai de Mikail, Franscico Farias (Foto: Henrique Kawaminami)
Pai de Mikail, Franscico Farias (Foto: Henrique Kawaminami)

Ao falar do filho, Francisco não poupou elogios. “Bondoso, sempre foi caridoso, coração bom, nunca fez uma escala humana para atingir algum objetivo, sempre com o coração aberto para todos os amigos”. As mesmas características são unanimidade entre quem conhecia o delegado de perto.

Márcio Vinicius da Silva Fernandes, de 26 anos, passou no último concurso da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e ao longo do curso foi designado para cumprir estágio na 6ª Delegacia de Polícia Civil. Lá conheceu Mikaill. “Professor. Paizão. Torcia demais pelo andamento do nosso concurso. Incentiva. Ensinava muito”.

Com carinho, ele lembra que o delegado era fã da Marvel, o que rendeu o apelido de “Vingador”. A dedicação com a polícia virou inspiração para quem ainda está começando na profissão, mas também motivou quem tem anos de casa. É assim para a escrivã Keila Flores, de 39 anos e para o investigador Alessandro Pedroga dos Santos, de 36 anos.

“Era o primeiro a chegar e o último a sair. De um coração muito grande, tratava todos com muita simplicidade, sempre preocupado em estreitar os laços com a sociedade e isso aproximava muito as pessoas, todo mundo se apegava muito ao jeito dele”, lembra Alessandro Pedroga.



Keila também lembra da humanidade do delegado. “Ele era muito humano. Muito querido em todos os lugares que ele passou. Ele foi demais pra gente. Ajudava a gente. Fazia oitiva com a gente. Fazia BO (boletim de ocorrência), sempre muito simples”.

Entre os colegas era conhecido como o “policial raiz”, sempre o disposto a ajudar, como conta o delegado Reginaldo Salomão. “Se precisasse dele, era o primeiro a chegar”. Foi a devoção com a profissão que fez com Mikail, na semana passada, fosse designado para assumir a Deleagro (Delegacia Especializada de Combate à Crimes Rurais e Abigeato).

“Um delegado jovem, um delegado com muita energia, por onde passou deixou grandes amigos, fez um grande exemplar, em reconhecimento a isso havíamos designado para assumir a nova delegacia de abigeato, cuja a publicação aconteceu na última segunda-feira e ele já trabalhava em função disso. Aqueles que o conhecem sabem da alegria dessa nova missão, ele incorporou isso aí e hoje a polícia civil chora. Eu particularmente perco um amigo, a Polícia Civil perde um grande delegado, a sociedade sul-mato-grossense realmente perde uma pessoa diferenciada”, lamentou o delegado-geral da Polícia Civil Adriano Geraldo Garcia.

O amor pela polícia só não se igualava ao filho. Mikaill era sinônimo de “paizão” entre os amigos e companheiros de trabalho e só trocava a delegacia para estar com a família. “Essa criança completou o eixo da vida dele. De onde ele estiver ele vai acompanhar o desenvolvimento dessa criança aqui também, alegrando, protegendo, como anjo da guarda”, afirmou o pai do delegado.

Após o velório rápido em Campo Grande, o corpo de Mikaill será levado de avião para Bauru, interior de São Paulo. Viaturas de todas as delegacias da cidade, de Ponta Porão e também da Polícia Militar, que somam mais de 15, farão cortejo até o Aeroporto Internacional de Campo Grande.

Avião do Corpo de Bombeiros levou corpo de delegado para o Paraná. (Foto: Henrique Kawaminami)
Avião do Corpo de Bombeiros levou corpo de delegado para o Paraná. (Foto: Henrique Kawaminami)


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