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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

16/09/2011 20:35

Crianças são encontradas vivendo em situação precária no Tarsila do Amaral

Ana Paula Carvalho
Essa é a situação da cozinha da casa onde as crianças viviam. (Fotos: Simão Nogueira)Essa é a situação da cozinha da casa onde as crianças viviam. (Fotos: Simão Nogueira)
Na geladeira, apenas duas vasilhas com arroz e feijão, um pacote de arroz e algumas cebolas. Na geladeira, apenas duas vasilhas com arroz e feijão, um pacote de arroz e algumas cebolas.

Duas crianças, uma de sete e outra de oito anos, foram encontradas no fim da tarde desta sexta-feira (16) por policiais militares do patrulhamento de moto do 9ª Batalhão vivendo em meio à comida estragada, lixo e abandono. Os policias faziam rondas pela região quando vizinhos denunciaram a situação caótica.

Quando chegaram, três crianças estavam na casa, mas um menino de 12 anos fugiu ao ver a aproximação. Uma das meninas é portadora de necessidades especiais. Ela relatou aos policiais que não comia desde o dia anterior. Os próprios policiais compraram bolachas e refrigerantes para as crianças enquanto representantes do Conselho Tutelar Norte não chegavam.

Na casa mora o pai Benedito Antônio da Silva, de 49 anos, Everton Benites Ansaldi, 19 anos, dois adolescentes de 15 e 14 anos e as três crianças de 12, oito e sete. Benedito trabalha como servente de pedreiro. Ele sai de casa às 06h e retorna ás 18h.

As duas meninas foram levadas pelo Conselho e serão encaminhadas a um abrigo.

Abandono - A pequena casa na rua Madre Cristina, no Tarsila do Amaral, tem dois quartos, banheiro e sala com cozinha juntas. A situação no local é de completo abandono. O choque vem assim que se coloca o pé na porta.

A cozinha é o primeiro cômodo. No fogão, restos de comida e até mesmo comida estragada. A louça parece estar abandonada há mais de mês.

Na geladeira, onde deveria ficar a comida da família, apenas duas vasilhas com arroz e feijão e um pacote de arroz sem cozinhar.

Ao Campo Grande News, o pai falou que estava sem gás, mas que “hoje pegou um vale com o patrão para comprar”. Quanto às crianças estarem sem comer, ele diz que elas comeram hoje sim. “Eu liguei e perguntei se elas haviam comido e elas disseram que sim”, afirma.

Em um dos quartos, domem as duas meninas mais novas e o pai em um colchão jogado no chão. “Antes tinha uma cama, mas quebrou”, Everton relata.

Em um canto da parede estão várias roupas amontoadas. São roupas sujas e limpas misturadas. Pela casa, vários pares de sapatos estão espalhados. Em outro quarto, sem luz, “porque a lâmpada queimou”, dormem os outros.

“Eu saio cedo e volto tarde. Não dá para criar as crianças sozinhas”, afirma Benedito.

Amanhã ele vai até o Conselho ver como ficará a situação das crianças. “Amanhã, antes das 08h eu estou lá. Vou ver se consigo trazer meus filhos de volta”, diz.

Presa - Rosimar de Oliveira Benites, de 48 anos, mãe das crianças, está presa há aproximadamente três anos por tráfico de drogas e formação de quadrilha. Vizinhos relatam que antes dela ser presa, as crianças eram bem cuidadas.

No banheiro, mais abandono.No banheiro, mais abandono.
Crianças dormiam com o pai em colchão no chão.Crianças dormiam com o pai em colchão no chão.

Sozinho - Everton é o irmão mais velho e não é filho do servente. Ele trabalha como auxiliar de eletricista durante o dia, à noite faz EJA e durante o fim de semana faz curso de eletricista.

Segundo a professora Maria da Glória Calado, vizinha da família, quando a mãe foi presa Everton, que na época tinha 16 anos, morava sozinho, ele voltou para casa para cuidar dos irmãos. “Ele é um menino bom. Trabalha registrado, mas é sozinho para cuidar dessa casa. É ele quem compra tudo. É um menino esforçado”, afirma.

“Eu tenho raiva é do pai que tinha que cuidar dessas crianças, porque esse menino ainda é novo, ele não pode ter toda a responsabilidade. Esses dias ele trocou as três portas da casa e queria comprar um sofá”, relata.

Para Everton, se for melhor que os irmãos sejam levados para um abrigo, que isso seja feito. “Se vai ser melhor eles saírem daqui, então fazer o que. Vou reunir os outros e vou lá ao Conselho”, reforça.

Quanto à alimentação, ele afirma que tinha um acordo com o padrasto de que cada um compraria R$ 200 por mês de alimentos da cesta básica, mas que apenas ele cumpre o combinado e que isso não dá para o mês todo.

“Eu não tenho como cuidar das crianças sozinho. Quando eu trabalhava meio período, chegava no almoço, dava comida e levava para a escola, mas agora eu estou trabalhando em período integral”, relata.

Na rua - De acordo com vizinhos, as crianças passam o dia ali pela região brincando. Algumas vezes “almoçam na casa da dona Glória”, outras vão para a igreja.

“Eles ficam aqui nessa região da casa, eles andam para lá e para cá, mas sempre por aqui e sempre volta”, afirma o vizinho Alcenir Debelazi.

Outro vizinho que não quis se identificar afirma que o pai deveria cuidar mais das crianças. Que ele não faz nada por elas, que não limpa a casa e que não tem controle sobre os filhos.

Segunda vez - Há aproximadamente um ano, os cinco irmão foram recolhidos pelo Conselho e encaminhados á um abrigo. Para ter os filhos de volta, Benedito “deu um jeito na casa” e comprou mantimentos.



Que dó dessas crianças, o pai deveria ter vergonha de não ter responsabilidades sobre a família.!
Não é!?
 
Gabriel de Paulo em 05/09/2013 22:28:15
adolecentes com 15,14,12 anos até o de 8 e 7anos se quizer juntando todos dá para manter a casa limpa, não faz porque é relaxado,antes de tira-los da familia deveriam ser orientados a limpar enquanto o irmão trabalha,e obrigar esse pai a ter responsabilidade.não deixar só com o enteado,afinal os filhos sao dele....cara folgado!
 
lucas da silva em 19/09/2011 12:19:57
É bem complicado mesmo ver esse tipo de situação.
E o pior é que sabemos que tem mais gente passando por esse tipo de situação em outros bairros.
É uma pena um pai não cuidar dos filhos, e deixá-los nesta situação, porém deve-se apurar bem as condições em que isto foi feito.
 
Eder Lima em 17/09/2011 12:29:58
È complicado até se pronunciar diante dessa situação. Se for melhor para essas crianças ficarem em um abrigo, que assim seja o que não dá é elas continuarem a sobreviver nessas condições, chega a ser desumano. E esse adolescente ainda tão jovem se responsabilizando pela família como se fosse o chefe da casa, é doer o coração.
Esse menino há de ter um futuro promissor em nome de Jessus.
 
Pamela Bragado em 17/09/2011 11:59:29
É uma vergonha, nem cachorro merece viver no descuido como essas crianças, como cidadão espero que seja aplicada providências no caso...#vergonha.
 
Ricardo Mts em 17/09/2011 10:33:03
ESSAS CRIANÇAS ESTÃO SENDO TRATADAS EM MEIO A UMA SITUAÇÃO PRECÁRIA, DEVE-SE SIM SER CUMPRIDA A ORDEM PARA QUE ELAS SEJEM DESTINADAS A UM ABRIGO,POIS TEMOS QUE PENSAR NO BEM ESTAR DAS CRIANÇAS,NÃO EM UM PAI ARREPENDIDO!ELE JA TEVE SUA CHANCE E NÃO SOUBE APROVEITAR, QUE ELAS TEJAM UM FUTURO MELHOR COM SEU RESTO DE DIGNIDADE .
 
gabriela wlliana em 17/09/2011 10:10:29
O QUE SERÁ DAS CRIANÇAS? E O ADOLESCENTE QUE FUGIU E OS OUTROS DOIS?COMO PODEMOS AVANÇAR SOCIALMENTE SE TUDO ISSO ESTÁ POSTO BEM AO NOSSO LADO.DESIGUALDADES SÃO A BASE PARA TUDO DE EXECRÁVEL QUE ATINGE A SOCIEDADE.
AVANÇOS PARA APENAS UMA PARTE DA SOCIEDADE SOAM COMO HISTÓRIAS DE CONTOS DE FADA,PARA CRIANÇAS DORMIR.
MAS QUE CRIANÇAS VÃO OUVIR HISTÓRIAS? COM CERTEZA AS DESSA FAMÍLIA NÃO
 
ANA PAULA SALES em 17/09/2011 09:55:34
nao devemos colocar culpa em politicos neste momento oque temos a fazer e ajudar essas crianças , a verdade esta ai , e de doer o coraçao
 
Dirce Muina Rifon Garcia em 17/09/2011 09:45:52
TOMARA A DEUS, QUE ESSA REPORTAGEM CHEGA ATÉ NOSSA PRESIDENTE DILMA,PRA ELA VER PRA ONDE ESTA INDO O DINHEIRO DA BOLSA FAMILIA E QUE A MISERIA NÃO ESTA FORA DO PAIS ,COMO ELA VEM DIZENDENDO......
 
solange obara em 17/09/2011 09:11:59
A verdade é que a desigualdade social em nosso país ainda é enorme.E tanto roubo de dinheiro público por parte de nossos políticos!!!!.
 
MARCELLO MENDES em 17/09/2011 07:24:48
Creio que esta família precisa de ajuda, pois se o pai trabalha poderia arrumar alguém para ajudá-lo na casa e com as crianças ,com o bolsa família que este pai tem direito por ser de baixa renda poderia comprar a alimentação e vestimentas, pois conheço famílias que nem precisa e tem o benfício também estas poderiam estar envolvidas em algum projeto ou ONGS que temos muitas em nossa cidade.
 
Daniela Rodrigues em 17/09/2011 05:57:00
Ñ ter o que comer é uma coisa agora viver na sujeira é diferente,agora que ñ precisa de dinheiro para fazer uma limpeza,ja vi muitas pessoas pobres com casas que ñ tem nem piso, mais limpa que muitas casas de rico,creio que precisa de tratamento psicologico,tanto o pai quanto as crianças...
 
Vagner Augusto em 17/09/2011 03:43:31
Parabéns Ana Paula pela reportagem. Importante salientar que casos como esse são comuns na nossa cidade, ainda tem muita gente vivendo em situação de extrema miséria.
 
SIDNEI GARCIA DE FREITAS em 16/09/2011 10:12:44
MEU DEUS..SÓ DE OLHAR AS FOTOS A TRISTEZA TOMA CONTA...COMO É POSSÍVEL VIVER EM UMA SITUAÇÃO DESTAS? IMAGINO O QUE ESSES POLCIAIS SENTIRAM AO SE REPAREM COM ISSO. POR ISSO QUE CONCORDOU COM PESSOAS Q NÃO QUEREM TER FILHOS..PQ JÁ QUE NÃO QUEREM, PELO MENOS NÃO PÕEM AS CRIANÇAS NO MUNDO PRA PASSAR ESSE SOFRIMENTO.
 
laura ribeiro em 16/09/2011 09:14:39
minha opiniao acho que esta mae ja pagou pelo crime a tres anos presa,deveria ter a liberdade p/cuidar de seus filhos.
 
DANIEL SOARES em 16/09/2011 09:06:34
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