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Capital

Defesa de Hoffman nega fuga e diz que delegado não sabia de operação do Gaeco

Advogado afirmou que policial não está foragido e que deve se apresentar caso seja necessário

Por Kamila Alcântara | 24/09/2026 09:47
Defesa de Hoffman nega fuga e diz que delegado não sabia de operação do Gaeco
Advogado Amilton Ferreira de Almeida na casa do delegado Hoffman D’Ávila durante apreensões do Gaeco (Foto: Osmar Veiga)

Advogado Amilton Ferreira de Almeida, que representa o delegado Hoffman D’Ávila, afirmou nesta quinta-feira (24) que o policial não tinha conhecimento da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), e negou que ele esteja foragido.

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O delegado Hoffman D'Ávila não foi encontrado em sua residência em Campo Grande durante a Operação Infiltrados, do Gaeco, que cumpriu 26 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão. Seu advogado negou fuga e afirmou que ele se apresentará se necessário. A operação investiga policiais suspeitos de desviar drogas apreendidas para traficantes.

A declaração foi dada após equipes deixarem a residência do delegado, no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande. Hoffman é alvo de mandado de prisão e de busca e apreensão, mas não foi encontrado no imóvel durante a chegada dos agentes, por volta das 5h.

Segundo o advogado, a família acionou a defesa após perceber a movimentação das equipes policiais no endereço. Amilton afirmou que ainda buscaria informações sobre a investigação e disse que o delegado não teria sido avisado previamente sobre a operação.

Ele não está foragido também. Se ele tiver que cumprir alguma medida de prisão, ele vai se apresentar”, afirmou o defensor durante conversa com jornalistas.

Defesa de Hoffman nega fuga e diz que delegado não sabia de operação do Gaeco
Viatura do Gaeco durante mandado de busca e apreensão na casa do delegado Hoffman D’Ávila (Foto: Osmar Veiga)

Durante a diligência, o advogado chegou a conversar com Hoffman por chamada de vídeo. Mais cedo, ele havia informado apenas que os agentes realizavam buscas na residência.

Após não localizar o delegado, equipes do Gaeco passaram a buscar imagens de câmeras de segurança na região para tentar identificar quando Hoffman deixou o imóvel e se houve alguma movimentação considerada suspeita durante a madrugada.

Uma das hipóteses investigadas é se houve vazamento de informações sobre a operação antes do cumprimento dos mandados. Até o momento, porém, não há confirmação de que Hoffman tenha deixado a residência após saber que seria alvo da ação.

Desvio de cocaína - A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para cumprir 26 ordens de prisão e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

São 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 buscas. A investigação começou em outubro de 2025, a partir de elementos encontrados durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.

Segundo o Ministério Público, a apuração indica a suspeita de participação de policiais em um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências oficiais, principalmente cocaína.

Defesa de Hoffman nega fuga e diz que delegado não sabia de operação do Gaeco
Delegado Hoffman D’Ávila quando atuava na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Foto: Arquivo)

Conforme a investigação, parte dos entorpecentes apreendidos não teria sido registrada formalmente ou teria sido retirada diretamente de depósitos de delegacias. A droga desviada, segundo o Gaeco, seria repassada a traficantes ligados ao grupo, que fariam a reintrodução do material no mercado ilegal.

A suspeita é de que integrantes da segurança pública tenham usado as próprias funções, estruturas e informações obtidas no combate ao crime para viabilizar as ações investigadas.

Durante a manhã, foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.

A operação conta com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, Batalhão de Choque, Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e Polícia Institucional do Ministério Público Federal.

Hoffman D’Ávila atuou por anos em unidades especializadas da Polícia Civil. Ele passou pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), onde chegou a ocupar a titularidade e comandou investigações e operações contra o tráfico de drogas.

Em fevereiro deste ano, assumiu o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros). Em junho, foi transferido para a 6ª Delegacia de Polícia Civil, responsável pela região das Moreninhas.

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