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Capital

Defesa nega irregularidade em rifas de influenciador preso em operação

Advogado de Eduardo e Rafael Razuk afirmou que precisa ter acesso ao processo para entender a acusação

Por Ana Paula Chuva e Bruna Marques | 18/08/2026 09:47


RESUMO

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A defesa do influenciador Eduardo Razuk e do irmão Rafael, presos em Campo Grande durante operação da DERCC, nega irregularidades e afirma que todas as operações financeiras e sorteios são legalizados. Cerca de 30 veículos de luxo, avaliados em R$ 20 milhões, foram apreendidos. Esta não é a primeira vez que Razuk é alvo policial, com histórico de prisões desde 2020 por receptação, sorteios irregulares e acidente com motociclista em 2024.


A defesa do influenciador digital Eduardo Rezende da Silva, o Eduardo Razuk, e do irmão dele, Rafael  Rezende Razuk da Silva, nega qualquer irregularidade nas atividades promovidas pelos investigados e sustenta que todas as operações financeiras e sorteios realizados pela dupla são legalizados, documentados e feitos de forma lícita. Ambos foram presos em Campo Grande durante operação deflagrada pela DERCC (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos).

Ao Campo Grande News, o advogado Thiago Bunning afirmou que a equipe jurídica ainda não teve acesso integral aos autos do processo e, por isso, aguarda a liberação das informações para entender do que exatamente os clientes estão sendo acusados. O defensor acompanhou todas as diligências da polícia e estava na Denar (Delegacia de Repressão ao Narcotráfico) para onde Eduardo e Rafael foram levados.

Questionado sobre detalhes da ação policial, o defensor informou que não tem dados sobre o número total de alvos ou a quantidade exata de veículos recolhidos durante os cumprimentos de mandados de busca e apreensão nos bairros Vila Carlota, Vilas Boas e Jardim Cruzeiro.

Cerca de 30 veículos foram apreendidos, e o valor estimado é de R$ 20 milhões. Todos foram encaminhados à sede da Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos), e o advogado diz que foram recolhidos por ordem judicial.

Apesar de a investigação apurar a suspeita de crimes cibernéticos, lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias, a defesa reitera que os procedimentos executados pelos irmãos ocorrem dentro da legalidade.

Defesa nega irregularidade em rifas de influenciador preso em operação
Viatura da Garras em endereço no Bairro Vilas Boas (Foto: Juliano Almeida)

Apreensões e histórico - A operação resultou no recolhimento de veículos de luxo vinculados aos investigados. Esta não é a primeira vez que o influenciador digital é alvo de ações policiais em Mato Grosso do Sul.  Em abril de 2020, Razuk foi preso em flagrante por receptação após a Polícia Civil localizar um Toyota Corolla XRS com placas do Paraguai em sua residência. Ele pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberado no mesmo dia, enquanto o carro permaneceu apreendido.

Em agosto do mesmo ano, em operação conjunta da 1ª e 3ª Delegacias de Polícia Civil, agentes apreenderam três veículos de luxo na casa de Razuk — incluindo uma caminhonete, uma BMW e um Mini Cooper. A ação apurava a prática de rachas, direção perigosa e adulterações não permitidas pelo Código de Trânsito Brasileiro. Perícia posterior apontou alterações irregulares nos veículos e o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) indicou potencial impacto em emissões ambientais. No mesmo período, ele também foi indiciado por incitação ao crime e desobediência ao toque de recolher da pandemia.

Já em março de 2021, Razuk passou a promover a comercialização de cotas digitais para sorteios de veículos esportivos de luxo. Em um dos casos de maior repercussão, ele divulgou a venda de 20 mil cotas de R$ 50 para o sorteio de um Ford Mustang Black Shadow, arrecadando R$ 1 milhão. Na ocasião, a defesa sustentou que o influenciador atuava apenas na divulgação contratada por uma empresa. A comercialização das cotas virou alvo de apurações do Ministério da Economia e órgãos de fiscalização lotérica e, em julho do mesmo ano, o veículo acabou negociado com terceiros antes da conclusão da entrega ao ganhador.

Em abril de 2024, o Campo Grande News revelou outra disputa judicial envolvendo um sorteio. Razuk tornou-se réu em uma ação no Distrito Federal relacionada a um Audi S3 avaliado em cerca de R$ 250 mil, sorteado em janeiro de 2022. Segundo a ação, o vencedor descobriu que o carro estava alienado e relatou dificuldades para conseguir a transferência. Meses depois, teria sido acertada a recompra do veículo pelo influenciador, mas o processo foi aberto em razão de valores que o autor alegava não ter recebido. Trata-se de demanda cível, e ser réu na ação não significa, por si só, condenação criminal.

Defesa nega irregularidade em rifas de influenciador preso em operação
Parte dos veículos apreendidos na sede da Defurv (Foto: Osmar Veiga)

Acidente e indenização - Em 6 de novembro de 2024, um Golf GTI pertencente ao influenciador se envolveu em um grave acidente com um motociclista na Avenida Ministro João Arinos, em Campo Grande. Razuk não dirigia o veículo: o carro estava sendo conduzido por um funcionário dele.

Testemunhas disseram à época que o Golf e um Honda Civic estariam envolvidos em uma disputa de racha antes da colisão. A versão foi negada tanto por Razuk quanto pelo motorista do veículo. Naquele momento a polícia não conseguiu caracterizar a existência da corrida ilegal. Dias depois, imagens de câmeras de segurança foram apresentadas pela defesa do motociclista como elemento que, segundo ela, poderia reforçar a tese de que os veículos trafegavam em alta velocidade.

O motociclista sofreu ferimentos graves e foi hospitalizado e o  acidente voltou a repercutir em março de 2025, quando a vítima ingressou na Justiça contra Eduardo Razuk, pedindo cerca de R$ 1,1 milhão em indenizações por danos morais, materiais e estéticos. Na ação, o motociclista relata consequências físicas, emocionais e financeiras decorrentes do acidente.

O processo também menciona uma rifa posteriormente divulgada pelo influenciador com a justificativa de ajudar na aquisição de uma motocicleta para a vítima. As alegações sobre a promoção integram a versão apresentada pelo autor da ação e, portanto, não devem ser tratadas como fatos já reconhecidos pela Justiça.

Defesa nega irregularidade em rifas de influenciador preso em operação
Eduardo ao lado de Audi avaliado em R$ 1,2 milhão (Foto: Reprodução | Instagram)


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