Defesa nega irregularidade em rifas de influenciador preso em operação
Advogado de Eduardo e Rafael Razuk afirmou que precisa ter acesso ao processo para entender a acusação
RESUMO
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A defesa do influenciador digital Eduardo Rezende da Silva, o Eduardo Razuk, e do irmão dele, Rafael Rezende Razuk da Silva, nega qualquer irregularidade nas atividades promovidas pelos investigados e sustenta que todas as operações financeiras e sorteios realizados pela dupla são legalizados, documentados e feitos de forma lícita. Ambos foram presos em Campo Grande durante operação deflagrada pela DERCC (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos).
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Ao Campo Grande News, o advogado Thiago Bunning afirmou que a equipe jurídica ainda não teve acesso integral aos autos do processo e, por isso, aguarda a liberação das informações para entender do que exatamente os clientes estão sendo acusados. O defensor acompanhou todas as diligências da polícia e estava na Denar (Delegacia de Repressão ao Narcotráfico) para onde Eduardo e Rafael foram levados.
Questionado sobre detalhes da ação policial, o defensor informou que não tem dados sobre o número total de alvos ou a quantidade exata de veículos recolhidos durante os cumprimentos de mandados de busca e apreensão nos bairros Vila Carlota, Vilas Boas e Jardim Cruzeiro.
Cerca de 30 veículos foram apreendidos, e o valor estimado é de R$ 20 milhões. Todos foram encaminhados à sede da Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos), e o advogado diz que foram recolhidos por ordem judicial.
Apesar de a investigação apurar a suspeita de crimes cibernéticos, lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias, a defesa reitera que os procedimentos executados pelos irmãos ocorrem dentro da legalidade.
Apreensões e histórico - A operação resultou no recolhimento de veículos de luxo vinculados aos investigados. Esta não é a primeira vez que o influenciador digital é alvo de ações policiais em Mato Grosso do Sul. Em abril de 2020, Razuk foi preso em flagrante por receptação após a Polícia Civil localizar um Toyota Corolla XRS com placas do Paraguai em sua residência. Ele pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberado no mesmo dia, enquanto o carro permaneceu apreendido.
Em agosto do mesmo ano, em operação conjunta da 1ª e 3ª Delegacias de Polícia Civil, agentes apreenderam três veículos de luxo na casa de Razuk — incluindo uma caminhonete, uma BMW e um Mini Cooper. A ação apurava a prática de rachas, direção perigosa e adulterações não permitidas pelo Código de Trânsito Brasileiro. Perícia posterior apontou alterações irregulares nos veículos e o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) indicou potencial impacto em emissões ambientais. No mesmo período, ele também foi indiciado por incitação ao crime e desobediência ao toque de recolher da pandemia.
Já em março de 2021, Razuk passou a promover a comercialização de cotas digitais para sorteios de veículos esportivos de luxo. Em um dos casos de maior repercussão, ele divulgou a venda de 20 mil cotas de R$ 50 para o sorteio de um Ford Mustang Black Shadow, arrecadando R$ 1 milhão. Na ocasião, a defesa sustentou que o influenciador atuava apenas na divulgação contratada por uma empresa. A comercialização das cotas virou alvo de apurações do Ministério da Economia e órgãos de fiscalização lotérica e, em julho do mesmo ano, o veículo acabou negociado com terceiros antes da conclusão da entrega ao ganhador.
Em abril de 2024, o Campo Grande News revelou outra disputa judicial envolvendo um sorteio. Razuk tornou-se réu em uma ação no Distrito Federal relacionada a um Audi S3 avaliado em cerca de R$ 250 mil, sorteado em janeiro de 2022. Segundo a ação, o vencedor descobriu que o carro estava alienado e relatou dificuldades para conseguir a transferência. Meses depois, teria sido acertada a recompra do veículo pelo influenciador, mas o processo foi aberto em razão de valores que o autor alegava não ter recebido. Trata-se de demanda cível, e ser réu na ação não significa, por si só, condenação criminal.
Acidente e indenização - Em 6 de novembro de 2024, um Golf GTI pertencente ao influenciador se envolveu em um grave acidente com um motociclista na Avenida Ministro João Arinos, em Campo Grande. Razuk não dirigia o veículo: o carro estava sendo conduzido por um funcionário dele.
Testemunhas disseram à época que o Golf e um Honda Civic estariam envolvidos em uma disputa de racha antes da colisão. A versão foi negada tanto por Razuk quanto pelo motorista do veículo. Naquele momento a polícia não conseguiu caracterizar a existência da corrida ilegal. Dias depois, imagens de câmeras de segurança foram apresentadas pela defesa do motociclista como elemento que, segundo ela, poderia reforçar a tese de que os veículos trafegavam em alta velocidade.
O motociclista sofreu ferimentos graves e foi hospitalizado e o acidente voltou a repercutir em março de 2025, quando a vítima ingressou na Justiça contra Eduardo Razuk, pedindo cerca de R$ 1,1 milhão em indenizações por danos morais, materiais e estéticos. Na ação, o motociclista relata consequências físicas, emocionais e financeiras decorrentes do acidente.
O processo também menciona uma rifa posteriormente divulgada pelo influenciador com a justificativa de ajudar na aquisição de uma motocicleta para a vítima. As alegações sobre a promoção integram a versão apresentada pelo autor da ação e, portanto, não devem ser tratadas como fatos já reconhecidos pela Justiça.
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