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Capital

Desespero leva aposentada pelo INSS a tentar falar com presidente na Capital

Mulher foi à Base Aérea reclamar de "rombo" feito por associação em benefício todos os meses

Por Caroline Maldonado e Idaicy Solano | 12/04/2024 12:05
Com terço na mão, aposentada Elair Gomes Fernandes, em frente à Base Aérea, onde esperou pelo presidente. (Foto: Paulo Francis)
Com terço na mão, aposentada Elair Gomes Fernandes, em frente à Base Aérea, onde esperou pelo presidente. (Foto: Paulo Francis)

As motivações são diversas entre as pessoas que foram até a Base Aérea da Capital tentar chegar perto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele veio para inaugurar a exportação de carne em frigorífico da JBS.

Uma aposentada foi ao local pedir ajuda financeira para montar um negócio, enquanto outra queria pedir providências com relação ao "rombo" no benefício do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) dela e de muitas outras pessoas.

Nesta semana, o Campo Grande News revelou o desespero com o “boom” de casos de idosos reclamando que as ditas “associações” estão levando parte de seu dinheiro, na Capital e no interior de Mato Grosso do Sul, com a permissão do INSS.

A aposentada Elair Gomes Fernandes, de 71 anos, saiu de casa no Bairro Chácara das Mansões para fazer um apelo ao presidente porque desde agosto de 2023 está recebendo menos e até agora não conseguiu cancelar a cobrança indevida.

Ela tomou chuva, chegou cedo de motocicleta, mas não conseguiu ver o presidente, que desembarcou e entrou em carro fechado para deixar a base. O benefício dela é de R$ 1.412 e todos os meses “desaparecem” R$ 60,95, mesmo sem nenhum empréstimo ativo. O dinheiro vai para alguma “associação”. Até agora, já foram R$ 548,55.

Já fui ao INSS, me mandaram entrar no site, mas eu não tenho estudo para entrar no site. Isso está acontecendo com várias pessoas que eu conheço. Então, isso que eu queria falar para ele [Lula] hoje, ele está onde está por nós brasileiros. Então, isso que eu queria que ele entendesse, entrasse nessa área para ver, porque não é só aqui em Campo Grande, não. O Brasil inteiro tá sendo lesado por essa companhia que está junto com o INSS”, reclamou Elair, moradora do Bairro Chácara das Mansões.

A situação não é nova e o Governo Federal já está ciente. O INSS prometeu averiguar se as associações estão descontando sem autorização das pessoas, mas enquanto isso orienta os aposentados a fazer o cancelamento das “contribuições” e bloqueio pelo aplicativo “Meu INSS” ou telefone 135.

Ocorre que o procedimento é complicado para quem não tem afinidade com o uso do smartphone. Pelo telefone não é diferente. Uma ligação pode levar mais de 15 minutos de espera. Sem conseguir bloquear o "desconto" até agora, Elair diz que vai procurar um advogado pois nunca assinou autorização para qualquer associação".

Mercedes Nunes Ferreira mostra carta que não conseguiu entregar ao presidente. (Foto: Paulo Francis)
Mercedes Nunes Ferreira mostra carta que não conseguiu entregar ao presidente. (Foto: Paulo Francis)

Endividamento - Também aposentada, Mercedes Nunes Ferreira, de 72 anos, chegou cedo à Base Aérea com uma carta em mãos, mas não conseguiu entregar ao presidente ou a alguns de seus assessores. Ela sofre com as consequências do endividamento.

Moradora do Bairro União II, ela queria pedir ajuda financeira para montar um negócio. Depois de perder um filho e um genro em acidente de trânsito, Mercedes passa por dificuldades.

“Fiquei decepcionada por não conseguir falar com Lula. Sou viúva, me encontro bastante endividada. Porque eu tinha meus filhos que me ajudaram, morreram em acidente, e aí eu fiquei com muitas contas pra acertar”, lamentou Mercedes.

Evento - Lula seguiu para unidade do frigorífico JBS, na saída para Sidrolândia, onde vai inaugurar exportação de carne para a China em evento fechado com autoridades e imprensa. Não está prevista a ida a outro local e a visita deve durar apenas duas horas.

Essa é a primeira visita de Lula a Mato Grosso do Sul desde que tomou posse em 2023. Na BR-060 há intensa movimentação de viaturas da PF (Polícia Federal) e PRF (Polícia Rodoviária Federal). Militares do Exército Brasileiro também estão a postos em frente à empresa.

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