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Capital

DNA de outro homem foi encontrado na casa onde criança foi morta, alega defesa

Material genético no corpo de menina de 2 anos também não é de padrasto acusado de estupro e assassinato

Anahi Zurutuza e Ana Beatriz Rodrigues | 19/05/2023 14:55
Willer Almeida (de preto) e Pablo Gusmão, advogados de Christian Leitheim, durante entrevista. (Foto: Paulo Francis)
Willer Almeida (de preto) e Pablo Gusmão, advogados de Christian Leitheim, durante entrevista. (Foto: Paulo Francis)

A segunda tarde de audiências de instrução do processo que vai julgar mãe e padrasto pelo assassinato de menina de 2 anos começou com revelação por parte da defesa de Christian Campoçano Leitheim, de 25 anos. Os advogados, contratados pelo acusado de estuprar e espancar a criança até a morte, afirmam que laudos apontaram que o material genético encontrado no corpo não é compatível com o do cliente, informação que será usada para derrubar a acusação de violência sexual.

Ainda de acordo com os advogados, os exames feitos no cadáver da menina não deixam claro que ela foi estuprada. Outra informação que a defesa do padrasto trouxe à tona é que DNA de outro homem estava em colcha encontrada na casa da família e periciada.

Em exames de DNA é possível descobrir qual o sexo da pessoa porque as mulheres têm cromossomos “XX” e os homens “XY”, ou apenas Y.

O advogado Pablo Gusmão diz ser “importante frisar” que, em nenhum momento, o cliente admitiu ter cometido abuso sexual contra a enteada. “A defesa não vai mais ficar calada”.

Em entrevista antes de entrar no plenário do Tribunal do Júri para o início das audiências, ele deu detalhes sobre os laudos que supostamente isentam Christian do crime de estupro. “Desde o dia 3 de março, existem um laudo comparativo e o laudo complementar necroscópico. Tanto em um quanto em outro, o material genético colhido da criança comparado com o material genético colhido do Christian deu negativo. Então, não tem material genético do Christian na menina”.

Gusmão ressalta que a defesa também foi surpreendida com a informação de que outro homem teria deixado o DNA na casa do casal réu por assassinato. “Em outro cômodo do imóvel, tinha uma manta/colcha que foi periciada e tinha material genético nela. Para a nossa surpresa, esse material genético é de outro homem. Então, a pergunta que fica é: quem estuprou a menina?”.

Willer Almeida, que também defende Christian, afirma que os exames sequer são capazes de comprovar que a criança foi violentada sexualmente. “Os laudos não falam de forma clara que houve um estupro. Há uma laceração anormal”.

Os advogados concluem a entrevista dizendo que o cliente admite ter batido da enteada, mas que não tinha a intenção de matar. “Ele confirma a agressão. Foi corrigir a menina. Diferente de um homicídio, de ter agredido para alcançar o resultado morte”, afirmou Almeida.

Audiências - Christian está no Fórum de Campo Grande, mas pediu para acompanhar os depoimentos do lado de fora. A mãe da menina, Stephanie de Jesus da Silva, 24 anos, chegou a entrar no plenário, escondendo as algemas com uma blusa, mas pediu para se retirar.

Nesta tarde, serão inquiridas testemunhas de acusação, de defesa e, se houver tempo, os réus serão interrogados em juízo.

Stephanie, que até a quarta-feira passada, dia 17, era representada pela Defensoria Pública, contratou três advogados.

O pai biológico da menina, Jean Carlos Ocampo da Rosa, acompanha todos os depoimentos e os trabalhos são presididos pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Stephanie de Jesus da Silva, 24 anos, no início dos depoimentos. (Foto: Paulo Francis)
Stephanie de Jesus da Silva, 24 anos, no início dos depoimentos. (Foto: Paulo Francis)

Frente a frente – Stephanie, presa desde 26 de janeiro, ficou frente a frente, pela primeira vez desde a morte da criança, com familiares e outras testemunhas no dia 17 de abril. Como da primeira vez, nesta sexta-feira (19), a jovem deixou presídio do interior escoltada e entrou no Fórum por acesso restrito.

Christian também foi levado para o Fórum, mas, como no dia 17, não chegou a encarar as testemunhas convocadas pela acusação. Está sentado para ouvir tudo em sala reservada, atrás da parede onde o juiz se posiciona.

O crime – No dia 26 de janeiro deste ano, a menina de 2 anos e 7 meses deu entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Coronel Antonino, no norte de Campo Grande, já sem vida. Inicialmente, a mãe, que foi até lá sozinha com a garota nos braços, sustentou versão de que ela havia passado mal, mas investigação médica apontou lesões pelo corpo, além de constatar que a morte havia ocorrido cerca de quatro horas antes de chegar ao local.

O atestado de óbito apontou que a menininha sofreu lesão na coluna cervical. Exame necroscópico também mostrou que a criança sofria agressões há algum tempo e tinha ruptura cicatrizada do hímen – sinal de que também sofria violência sexual.

O padrasto responde pelo homicídio com as três qualificadoras e pelo estupro, já a mãe da menina pelo homicídio, como o Christian, mesmo que não tenha agredido a filha, mas porque no entendimento do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), responsável pela acusação, ela se omitiu pelo dever de cuidar.

A morte jogou luz sob processo lento e longo que a menina protagonizou com idas frequentes à unidade de saúde – mais de 30 em 2 anos –, tentativa do pai em obter a guarda após suspeita de que a criança era vítima de agressão e provocou série de audiências públicas, protestos e mobilização para criação da Casa da Criança, bem como soluções ao falho sistema de proteção à criança e ao adolescente em todo o Brasil.

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