Dois anos após morte de jovem atingida por BMW, processo entra na reta final
Testemunhas do acidente foram ouvidas, e Lucca Mandetta passou por interrogatório nesta quarta-feira
Dois anos após a morte da estudante Letícia Machado Gonçalves, a Justiça encerrou nesta quarta-feira (10) a fase de instrução do processo que apura a responsabilidade de Lucca Assis Mandetta pelo acidente ocorrido no Centro de Campo Grande. Durante audiência, foram ouvidas quatro testemunhas e realizado o interrogatório do réu. Agora, o caso segue para apresentação das alegações finais antes da sentença.
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A audiência começou por volta das 16h30 e terminou cerca de 1h20 depois. Foram ouvidas duas testemunhas indicadas pela acusação, duas pela defesa e o próprio acusado. Lucca responde ao processo em liberdade. Representando a família da vítima como assistente de acusação, a advogada Vitória Junqueira afirmou que os depoimentos reforçaram o entendimento de que houve imprudência na condução do veículo.
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"Nós estamos cada vez mais convictos e cada vez mais próximos de reunir provas suficientes para a condenação por homicídio culposo", afirmou. Segundo ela, a acusação chegou a defender o enquadramento do caso como homicídio doloso em razão da suposta ingestão de bebida alcoólica pelo motorista antes do acidente, tese que não foi acolhida pelo Ministério Público.
Entre as testemunhas ouvidas estava André Luis Dias de Souza, que relatou ter parado em um semáforo vermelho enquanto trafegava pela região. Conforme seu depoimento, Lucca seguiu em frente e avançou o cruzamento, atingindo a motocicleta conduzida por Letícia.
Outra testemunha ocular, Paulo Roberto Fernandes, afirmou que trafegava pela Rua 14 de Julho quando viu a motocicleta passar ao seu lado poucos segundos antes da colisão com a BMW. Também foram ouvidos os policiais militares Guilherme Paulino e Jefferson Pereira Benedito.
A defesa, por sua vez, apresentou duas testemunhas para falar sobre a conduta e o caráter do acusado. Conforme Vitória, encerrada a instrução processual, o Ministério Público, a assistência de acusação e a defesa terão prazo para apresentar memoriais escritos. Depois disso, caberá ao juiz proferir a sentença.
A advogada também relatou que a família da estudante segue profundamente abalada pela perda. "A mãe não se recuperou até hoje. Ela enfrenta um quadro severo de depressão, faz tratamento e uso de medicamentos. A Letícia era filha única durante muitos anos e elas tinham uma ligação muito forte", disse.
Conforme a denúncia do Ministério Público, o acidente aconteceu na tarde de 25 de agosto de 2024, no cruzamento das ruas Marechal Rondon e 14 de Julho. Lucca conduzia uma BMW X1 quando avançou o sinal vermelho e atingiu a motocicleta pilotada por Letícia.
Já o advogado Ricardo Machado, que atua na defesa de Lucca Assis Mandetta, avaliou que os depoimentos prestados durante a audiência reforçaram as conclusões já apresentadas pela perícia. "Eu acho que a audiência concluiu exatamente o que a perícia técnica apontou: que infelizmente foi um acidente", afirmou.
Segundo o advogado, o laudo pericial indica que tanto a BMW conduzida por Lucca quanto a motocicleta pilotada por Letícia avançaram o sinal vermelho no momento da colisão. A defesa também sustenta que o carro trafegava em baixa velocidade, enquanto a motocicleta estava acima da velocidade permitida para a via.
"Apesar da percepção do Lucca de que ele teria avançado com o sinal verde, a perícia aponta que ambos os veículos avançaram o sinal vermelho. Ele em baixa velocidade e a motocicleta em velocidade superior à permitida. Infelizmente aconteceu esse acidente", declarou.
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