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Capital

Duplamente preso no Brasil, “Fantasma” era caçado pelo mundo desde abril de 2022

Interpol pediu e STF também determinou prisão do homem que tem título de "megatraficante" na Argentina

Anahi Zurutuza | 31/03/2023 20:10
Preso pela PRF, Jorge Adalid Granier Ruiz foi entregue à PF na terça-feira. (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Preso pela PRF, Jorge Adalid Granier Ruiz foi entregue à PF na terça-feira. (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

Capturado em Mato Grosso do Sul, na manhã de terça-feira (28), Jorge Adalid Granier Ruiz, de 43 anos, conhecido na Argentina como “Narcofantasma” ou “Nono”, era procurado pelo mundo desde abril de 2022. Foi em 15 de abril do ano passado que ele entrou para a difusão vermelha da Interpol – ferramenta da polícia internacional para encontrar criminosos com a finalidade de extraditá-los – e recebeu a classificação “perigoso”.

A ficha de “Fantasma” foi anexada ao pedido de prisão feito pelo Escritório Central Nacional da Interpol no Brasil ao STF (Supremo Tribunal Federal), horas depois de o acusado de comandar esquema de tráfico internacional de cocaína ser localizado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) na BR-163, em Jaraguari – cidade a 44 km de Campo Grande.

Segundo um relatório da DEA (Drug Enforcement Administration), a agência antidrogas dos Estados Unidos, Granier é responsável por uma estrutura dedicada ao transporte de cocaína em pequenos aviões da Bolívia e do Paraguai para a Argentina.

Ele entrou para a lista de procurados da Interpol a pedido da Justiça argentina. “Fantasma” era foragido de ordem de prisão pela acusação de ter coorganizado o transporte de 389 kg de cocaína embalados em sacos de estopa, escondidos na carroceria de uma Ford Ranger cabine dupla. A droga foi apreendida, em 24 de setembro de 2020, na chamada Rota 9, em Paraje Paraíso, província de Buenos Aires.

O criminoso responde a outros oito processos no Tribunal Federal 1 de Salta (Argentina), que o acusam de ser responsável pelas operações de drogas no país vizinho. O homem, porém, não tem condenações, segundo a defesa.

Na Justiça - Provavelmente, Granier Ruiz só deixará o Brasil para responder por crimes pelos quais é acusado na Bolívia ou Argentina, a base de operações do homem, que é boliviano de nascimento, mas tem tripla nacionalidade (paraguaia e argentina também).

Isso porque, além da conversão do flagrante em prisão preventiva (por tempo indeterminado) ordenada pelo juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, o STF também determinou a permanência dele na cadeia enquanto estiver em solo brasileiro.

No dia 29, o ministro Luiz Fux decretou a prisão cautelar para fins de extradição e agora, o Supremo aguarda para analisar o pedido formal de entrega do preso a autoridades estrangeiras.

Haroldson Zatorre, advogado de Mato Grosso do Sul, que representará "Fantasma" no Brasil. (Foto: Divulgação)
Haroldson Zatorre, advogado de Mato Grosso do Sul, que representará "Fantasma" no Brasil. (Foto: Divulgação)

Outro lado – Enquanto isso, advogados traçam estratégias para defender o cliente. No Brasil, o boliviano será representado por Haroldson Zatorre. Procurado pela reportagem, o criminalista afirma que reuniu-se, nesta sexta-feira (31), por videoconferência, com as defesas de Granier na Bolívia e Argentina, que também estão em compasso de espera, já que pedido formal de extradição ainda não foi feito. “Diante do que temos de oficial, ainda está tudo muito vago”.

Por enquanto, Zatorre começará o trabalho para tentar livrar o cliente da ordem de prisão preventiva dada pela Justiça Federal de Mato Grosso do Sul. “Vamos ao TRF em São Paulo”, afirmou, referindo-se ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que julga também processos de origem sul-mato-grossense.

O advogado reforça que Granier nega as acusações de ligação com o tráfico internacional de cocaína.

Documentos falsos encontrados com Jorge Adalid Granier Ruiz. (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Documentos falsos encontrados com Jorge Adalid Granier Ruiz. (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

O flagrante – A PRF prendeu “Fantasma”, na terça-feira, durante abordagem de rotina a uma Toyota Hilux. Nem armado o homem acusado de ser um “megatraficante” estava.

Ele, porém, se apresentou com nome falso, de Jorge Mendez Ardaya, boliviano que morreu em 2012. Policiais desconfiaram dos documentos e acabaram descobrindo que eram falsificados. Na Justiça brasileira, ele responderá pelo crime de falsidade ideológica.

Segundo Granier, as identidades e o passaporte foram comprados em Belém do Pará por quase R$ 6 mil dólares. Ele contou ainda aos policiais que a mudança na aparência o ajudou a transitar sem ser reconhecido. Como era obeso, se submeteu à cirurgia bariátrica e logo depois passou por lipoaspiração, procedimentos que o deixaram bem mais magro, modificando totalmente sua fisionomia.

O apelido de “Fantasma” surgiu pela discrição. Até pouco tempo, o rosto do homem nem era conhecido, porque ele nunca aparecia nem em fotos.

Fora do submundo, o que se sabe é que ele é um é um empresário boliviano, nascido em San Borja (Bolívia), em 11 de dezembro de 1979.

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