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Capital

Efeito “lockdown”: para Associação Comercial, medida é “ineficaz”

Juiz deu 72 horas para prefeitura apresentar argumentos contra pedido de lockdown apresentado pela Defensoria

Por Liniker Ribeiro | 04/08/2020 16:58
Movimento baixo na região central de Campo Grande, conhecida pelos diversos comércios (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)
Movimento baixo na região central de Campo Grande, conhecida pelos diversos comércios (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Após a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul entrar na Justiça pedindo medidas mais severas em prevenção ao novo coronavírus, na Capital, a Associação Comercial de Campo Grande se posicionou contrária a intenção de se determinar lockdown na cidade. Em nota, publicada na tarde desta terça-feira, a entidade destacou que o fechamento do comércio, assim como de outros serviços, “terá efeitos devastadores à economia”.

O pedido feito pela Defensoria, e entregue à Justiça, cita inúmeros dados e avaliações de especialistas da área de saúde para defender que “agora é o momento exato para a intervenção”. Porém, na avaliação da entidade que representa mais de 8 mil empresas associadas, a medida é ineficaz no combate à pandemia.

No posicionamento publicado hoje, a ACICG afirma se basear na experiência obtida por outras cidades e também em estados brasileiros - como Cuiabá e São Paulo - além de países como Argentina e Nova York. Conforme a entidade, os locais citados “adotaram o fechamento dos estabelecimentos e continuaram com grande aumento do contágio e da demanda por leitos de UTI”.

Ainda segundo a nota, o bloqueio total do comércio e serviços afetará diretamente a manutenção dos postos de trabalho, impactando na produção, assim como também na demanda e no consumo. A entidade chega a destacar o número de empresas fechadas, em Mato Grosso do Sul, entre os meses de janeiro e junho, 1978.

A associação também listou comportamentos que devem continuar predominando entre as medidas protetivas e os protocolos de biossegurança, como o uso de máscara, álcool gel e o distanciamento social.

“O comércio vem fazendo a sua parte, mas, tão importante quanto, é a população se conscientizar de que o seu comportamento influencia diretamente no avanço da pandemia. Também se faz necessário reforçar que aqueles que cumprem as determinações não devem ser penalizados, novamente, com o fechamento total e, quem andar em desacordo com as normas tão necessárias ao bem comum, deve ser fiscalizado e duramente punido”, menciona trecho do posicionamento da entidade.

Justiça - O processo aberto pela Defensoria Pública foi protocolado no Fórum de Campo Grande, para ser julgado pelo juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva da Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, que deu 72 horas para prefeitura apresentar argumentos contra pedido de lockdown. A decisão de ir à Justiça foi apreciada e aprovada pelo Conselho Superior da Defensoria.

Para o órgão, deve ser determinada a adoção “de medida de restrição total (lockdown) pelo prazo mínimo de 14 dias enquanto o novo coronavírus continuar em circulação”. A instituição entende ainda, que essa providência é necessária “sempre que os leitos de UTI disponíveis na rede pública ultrapassar o limite de 80% de ocupação”. A média tem chegado a mais de 90%.

Números – Conforme boletim epidemiológico divulgado nesta terça-feira, pela Secretaria Estadual de Saúde, mais 1.033 exames deram positivos para o novo coronavírus (Covid-19), no Estado, nas últimas 24h. Com isso, o número de casos confirmados da doença em MS chega a 27.678.

Dos novos casos, mais da metade foram registrados na Capital, 530. A cidade com o maior número de pessoas que testaram positivo para a doença também é Campo Grande, com 11.213, até o momento.

Atualmente, 488 pessoas estão internadas em hospitais do estado, sendo sete moradores de outros estados . Entre os internados, 198 pacientes estão em UTI. Pelo menos 2.326 pessoas aguardam o resultado do exame que irá confirmar se estão, ou não, com a doença. Por outro lado, 21.391 pessoas já são consideradas curadas da covid-19, no Estado.