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Capital

Em mutirão, "invisíveis" pedem emissão de documentos e acesso a benefícios

Ação reúne serviços essenciais e facilita a regularização para a população invisibilizada de Campo Grande

Por Bruna Marques e Geniffer Valeriano | 17/03/2026 09:39
Em mutirão, "invisíveis" pedem emissão de documentos e acesso a benefícios
Atendimentos durante ação no Parque Ayrton Senna (Foto: Geniffer Valeriano)

O dia começou movimentado nesta terça-feira (17) no Parque Ayrton Senna, no Jardim Aero Rancho. Entre filas e atendimentos, histórias se repetem enquanto uma força-tarefa tenta garantir algo básico para quem perdeu o acesso a direitos.

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O Parque Ayrton Senna, em Campo Grande, recebe até 19 de março o Pop Rua Jud, mutirão que oferece mais de 30 serviços gratuitos para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social. A iniciativa, realizada pelo TRF3 e pela Seção Judiciária de MS, visa facilitar o acesso a documentos e benefícios sociais. Entre os serviços oferecidos estão emissão de documentos, cadastro em programas sociais, benefícios do INSS, orientação jurídica e atendimentos de saúde. Em 2023, foram realizados mais de 3,5 mil atendimentos, número que aumentou para 4,5 mil em 2024, evidenciando a importância da ação para a população vulnerável.

De 17 a 19 de março, das 8h às 16h, o local recebe mais uma edição do "Pop Rua Jud Campo Grande", mutirão que reúne serviços para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social. A proposta é concentrar, em um único espaço, atendimentos que normalmente são difíceis de acessar.

“A gente concentra diversos serviços em um único local para que ela consiga resolver a sua demanda, desde a emissão de documento, correção de alguma coisa na documentação, no cartório, até o acesso ao benefício previdenciário”, explica o juiz federal Fernando Nardon Nielsen, diretor da Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul.

A mobilização começa antes do atendimento. “A comunicação é feita diretamente à população. Então nós temos diversas entidades que atendem essa comunidade e elas fazem a interlocução entre a Justiça Federal e a comunidade”, afirma.

Em mutirão, "invisíveis" pedem emissão de documentos e acesso a benefícios
Cleusa Brito buscou atendimento para tentar inscrição em programa habitacional (Foto: Geniffer Valeriano)

O cenário expõe um problema recorrente, segundo o juiz. “Nós percebemos a invisibilidade dessa população. Uma população que embora exista fisicamente, documentalmente não há registro. Porque muitas das pessoas que vivem em situação de rua perdem a documentação. E quando elas perdem, deixam de ter acesso a diversos benefícios. Então o objetivo aqui é resgatar essa dignidade”, diz.

O público-alvo é específico. “O foco não é a população geral, porque a população geral tem uma facilidade maior de acesso a esses benefícios. O foco é população em situação de rua e imigrantes”, afirma.

Aos 58 anos, Cleusa Brito procura atendimento para tentar acesso a moradia e aliviar o orçamento apertado.

“Eu vim procurar atendimento para ver se faço uma inscrição da casa. Pago aluguel, sou deficiente, preciso muito. Eu vivo só de um salarinho, eu e o marido. É muito difícil para viver, para comer, pagar aluguel, pagar luz, água”, relata completando que achou a ação ‘maravilhosa’. “No meu caso eu tenho muita dificuldade para fazer. Facilitou pra todos”, diz.

Em mutirão, "invisíveis" pedem emissão de documentos e acesso a benefícios
Carlos Walberto Cano tenta emitir novos documentos após perder tudo em outra cidade (Foto: Geniffer Valeriano)

Carlos Walberto Cano, de 55 anos, tenta emitir a segunda via de documentos após perder tudo em outra cidade.

“Não estou conseguindo fazer a segunda via. Fui no Parque dos Poderes e não consegui porque pedem documento com foto. Mas eu perdi todos. Eu acho importante, né? Porque eu fui lá pra não dar em nada. Vamos ver se aqui consigo alguma coisa”, afirma.

Entre os atendidos, o chileno Ivan José Rodrigues, de 40 anos, busca regularizar a situação após um assalto que o deixou sem documentos há 25 dias.

“Me roubaram tudo. Documento, telefone, tudo. Fiquei na rua, sem dinheiro, sem cartão. “Fui tentar tirar CPF e não consegui porque o nome da minha mãe estava errado. Agora estou tentando resolver isso para conseguir um documento”, explica.

Em mutirão, "invisíveis" pedem emissão de documentos e acesso a benefícios
Atendimento inclui serviços básicos como corte de cabelo, oferecidos durante o mutirão (Foto: Geniffer Valeriano)

Pop Rua Jud - O mutirão é realizado pelo TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), e pela Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul, com apoio da Prefeitura de Campo Grande, órgãos públicos e organizações não governamentais.

São oferecidos mais de 30 serviços, entre eles emissão e regularização de documentos, cadastro em programas sociais, solicitação de benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), orientação jurídica, atendimentos de saúde, vacinação, testagens rápidas, alimentação e corte de cabelo.

A ação integra o Comitê Regional Pop Rua Jud e segue a Política Nacional Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua, instituída pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Em 2023, foram mais de 3,5 mil atendimentos. Em 2025, o número passou de 4,5 mil.

O mutirão tenta resolver demandas imediatas, mas o acesso contínuo aos serviços ainda depende de estrutura pública fora dessas ações.

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