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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

04/09/2018 18:10

Em praça que comerciante paga conta, falta água para quem frequenta

Manutenção da Praça do Peixe e controle da água usada é de responsabilidade do comerciante, afirma prefeitura

Liniker Ribeiro
Torneira da Praça do Peixe de onde deveria estar saindo água (Foto: Liniker Ribeiro)Torneira da Praça do Peixe de onde deveria estar saindo água (Foto: Liniker Ribeiro)
Chuveiro instalado ao lado da quadra de areia (Foto: Liniker Ribeiro) Chuveiro instalado ao lado da quadra de areia (Foto: Liniker Ribeiro)

Imagina você ter que arcar com os custos para que haja água corrente em uma praça pública? O que para muitos pode parecer brincadeira, para outros, é realidade. O caso vem acontecendo com frequentadores da Praça do Peixe, localizada no bairro Vilas Boas, em Campo Grande.

No local, a responsabilidade pela água que sai das torneiras e do chuveiro instalado próximo da quadra de areia, tem sido de um comerciante que mantém o único ponto comercial fixo da praça. De acordo com o locatário - que não quis se apresentar e dar detalhes sobre o assunto - é ele quem paga a conta de água do espaço. Por isso, o serviço foi cortado na maior parte da praça.

“Nós cuidamos daqui, tem água para beber e para lavar as mãos, ou seja, o necessário”, afirmou rapidamente o comerciante. Ainda segundo ele, a maioria das pessoas usava a água até para tomar banho.

Quem caminha no local frequentemente, afirma que a situação causa transtorno para todo mundo. "Já foram muitas vezes em casa pedir água. E agora, por exemplo, se eu quiser beber água, tenho que parar com o exercício e ir em casa para depois voltar e começar de novo", afirmou o auxiliar técnico, Everton Martins Teixeira, de 32 anos, que mora nas proximidades da praça.

Quadra de areia sendo usada por grupo de pessoas que praticam esportes no local (Foto: Liniker Ribeiro)Quadra de areia sendo usada por grupo de pessoas que praticam esportes no local (Foto: Liniker Ribeiro)

Para a auxiliar jurídica Laura Monges, de 32 anos, a falta de água resulta em problemas até mesmo para quem tem filhos. "Vejo os pais tendo que se virar para dar um jeito de limpar pelo menos as mãos das crianças, isso porque elas costumam brincar na areia, e depois fica difícil para ir embora", afirmou.

Por falar em areia, a quadra do espaço é usada diariamente para prática de esportes. Grupos se dividem para jogar futevôlei e vôlei, no local. Para não terem de ir embora sujos de areia, o jeito foi negociar com o comerciante para ajudar a pagar o uso da água.

"Aqui tem muita que tem carro e nós estamos pagando ela todo mês, porque se não for assim, não tem água e, com isso, ninguém toparia vir brincar", revelou Lauro Rosa, de 58 anos, autônomo. . Segundo ele, o combinado é que o comerciante vai pagar R$ 100 e os frequentadores arcará com o restante.

Como esperado, apesar da medida de urgência, o grupo não esperava ter de passar por isso. "Nós pagando pela água é sacanagem porque é uma praça pública. Mas vamos ter que fazer isso, se não tudo aqui acaba", completou Lauro.

O questionamento também se estende para outras pessoas. "Várias praças por aí tem água, por quê aqui não existe?", pergunta Jackson de Paulo, de 25 anos, correspondente bancário.

Prefeitura - Cobrada, a prefeitura de Campo Grande, por meio da Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo), informou que a manutenção da Praça do Peixe é realizada em parceria com uma empresa, via Propam (Programa de Parceria Municipal). E que, referente a conta de água ficar por conta do empresário, isso já estava previsto. A reportagem questionou se à falta de água na praça é "legal" e se seria certo o comerciante cortar a água das torneiras, mas não houve resposta até a publicação da reportagem.



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