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Capital

Empresário preso com mais de 260 peças de motos é solto com tornozeleira

Justiça também monitorará funcionário, que ficou proibido de trabalhar com comércio de componentes de veículos

Por Ana Paula Chuva | 25/09/2026 10:05


RESUMO

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Trio preso em flagrante por suspeita de desmanche clandestino de veículos em Campo Grande recebeu liberdade provisória após audiência de custódia realizada na quinta-feira (24). O juiz Francisco Vieira de Andrade Neto impôs medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica para dois dos réus. Durante a ação, policiais apreenderam 53 motores com numeração raspada, uma pistola Glock e um bloqueador de rastreadores.


A Justiça de Mato Grosso do Sul concedeu liberdade provisória a Phellipe Rodrigues Nunes de Carvalho, 40, à sua esposa Emely Caroline Stopa Lourenço, 36, e ao funcionário Rhaul Anntony Vidal de Souza, 23. A polícia havia preso o trio em flagrante durante ação da Defurv (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos) que cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis no Jardim Monumento e na Avenida Gury Marques, na terça-feira (22).

O juiz Francisco Vieira de Andrade Neto proferiu a decisão durante audiência de custódia no final da manhã de quinta-feira (24). Apesar de reconhecer a gravidade das acusações, o magistrado entendeu que não havia necessidade de decretar a prisão preventiva neste momento, optando por fixar medidas cautelares alternativas.

Para responder ao processo em liberdade, Phellipe será monitorado por tornozeleira eletrônica pelo prazo de 180 dias. Ele também ficou proibido de receber em sua residência funcionários da oficina mecânica ou pessoas que mantenham vínculo profissional com sua atividade empresarial.

A sua esposa, Emely Caroline, também cumpre medidas cautelares, estando proibida de frequentar a oficina do marido e de manter contato ou receber em sua casa os funcionários do estabelecimento, principalmente, Rhaul.

Durante a sessão de custódia, Phellipe alegou ter sofrido tortura por parte de um policial civil no momento da abordagem. O magistrado determinou que a denúncia de agressão seja apurada formalmente pelas autoridades competentes.

Já Rhaul, além de ser monitorado por tornozeleira por 6 meses, também foi proibido de trabalhar com comercialização de peças usadas de veículos e motocicletas, de manter contato ou se aproximar de Emely e Phellipe e deve cumprir recolhimento noturno.

Empresário preso com mais de 260 peças de motos é solto com tornozeleira
Viaturas policiais em frente à oficina no dia da operação (Foto: Bruna Marques)

O caso -  A prisão do trio ocorreu após investigações da Defurv indicarem a existência de uma estrutura voltada para o furto, desmanche, ocultação e comércio clandestino de componentes automotivos.

Durante as buscas no imóvel residencial e no depósito contíguo na Rua Francisco Amaral Militão, os policiais localizaram uma passagem dissimulada atrás de um freezer que interligava as propriedades.

No local, foram apreendidas mais de 260 peças e componentes, incluindo 65 motores de motocicletas (sendo 53 com numeração raspada ou suprimida), quadros, carenagens, tanques, uma motocicleta com chassi suprimido e um bloqueador de sinal de rastreador (jammer). Na residência, a equipe encontrou ainda uma pistola Glock calibre .380 com 21 munições e chaves michas.

Em depoimento prestado à polícia antes da audiência, Phellipe negou a origem criminosa do material e afirmou que a passagem entre os imóveis servia apenas como depósito para o excesso de estoque de sua loja, a PH Moto Forte.

O empresário declarou possuir notas fiscais relativas às compras das peças e assumiu a posse exclusiva da arma de fogo, buscando isentar sua esposa de envolvimento no caso.