Passagem secreta ligava casa a desmanche de motos roubadas na Capital
Ação revelou esquema que funcionava há pelo menos 2 anos; empresário, esposa e funcionário foram presos
RESUMO
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Três pessoas foram presas em Campo Grande após investigação da Defurv revelar que uma oficina na Avenida Gury Marques funcionava como fachada para receptação e desmanche de motos roubadas. O proprietário Phellipe Rodrigues Nunes de Carvalho, a esposa e um funcionário foram detidos em flagrante. No local, havia uma passagem secreta para um imóvel vizinho usado no desmanche. Uma pistola ilegal, peças adulteradas e três veículos também foram apreendidos.
Investigação da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos) revelou que uma oficina de motos localizada na Avenida Gury Marques, em Campo Grande, servia como fachada para um esquema de receptação e desmanche de motocicletas furtadas e roubadas. O proprietário mantinha uma passagem secreta na própria residência para acessar o imóvel vizinho onde funcionava o desmanche clandestino.
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Na operação deflagrada nesta terça-feira (22), a polícia cumpriu três mandados de busca e apreensão. Três pessoas foram presas em flagrante por receptação qualificada e adulteração de sinal identificador: o empresário Phellipe Rodrigues Nunes de Carvalho, a esposa dele e um funcionário do estabelecimento. Com o comerciante, os agentes também apreenderam uma pistola mantida ilegalmente.
Conforme a polícia, a investigação teve início no começo do ano para mapear o destino dos veículos roubados e furtados na Capital. "A nossa investigação indicou um local aqui na Avenida Gury Marques em que um empresário estava comprando essas motocicletas roubadas e furtadas já há algum tempo", explicou o delegado Francis Freire, responsável pelas apurações.
Segundo Francis, tanto o empresário quanto o funcionário eram reincidentes. "Os dois já tinham passagens, já haviam sido presos pela Defurv anteriormente por receptação e adulteração de sinal de veículo automotor. Estavam em liberdade e as investigações indicaram que eles também trabalhavam desde a receptação dessa motocicleta até o desmanche e revenda das peças", destacou Freire.
Passagem secreta - Ao cumprirem as ordens judiciais, os policiais se depararam com a estrutura oculta montada pelo empresário. "Na residência dele foi encontrado um desmanche clandestino de motocicletas, dezenas de materiais de motocicletas produtos de furto e de roubo. O que percebemos lá na casa é que havia uma passagem secreta para um imóvel vizinho, em que esse imóvel vizinho funcionava esse desmanche. Parte dessas peças já eram revendidas aqui na própria loja", pontuou o delegado.
Na oficina e nos demais endereços alvos, um deles no Bairro Jardim Monumento, a equipe encontrou motores raspados, cortados e adulterados, além de componentes de crimes antigos.
"Pelo menos há dois anos ele está cometendo essa receptação. Essa oficina se conta como um dos principais pontos de venda de peças furtadas e roubadas na Capital", afirmou Francis Freire, acrescentando que os suspeitos foram identificados a partir de investigações decorrentes de prisões de assaltantes e ladrões de veículos.
Durante a ação, a equipe policial também apreendeu três veículos de passeio pertencentes aos investigados, um Honda Civic, uma Toyota Hilux e um Volkswagen Up, e utilizou um guincho para transportar a grande quantidade de peças recolhidas até a delegacia, onde todo o material passará por perícia para contabilização e identificação das vítimas.
Condenado - Em março de 2012, Phellipe foi julgado pelo 1º Tribunal do Júri de Campo Grande e condenado a 17 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato do menino Miguel Alves Xavier da Costa, de 2 anos e 10 meses.
O crime ocorreu em 4 de abril de 2009, no Bairro Moreninha II. Na ocasião, Phellipe estava na garupa de uma motocicleta e efetuou disparos de arma de fogo direcionados a um rival, mas um dos tiros atingiu o peito da criança, que aguardava o fim do expediente do pai.
Na data do julgamento, ele estava foragido.

