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Capital

Enquanto Brasil joga, garçons passam copas sem ver uma partida inteira

Quem há décadas se dedica à profissão sempre encontra trabalho nessa época de mesas cheias

Por Gustavo Bonotto, Gabi Cenciarelli e Inez Nazira | 24/06/2026 19:38
Enquanto Brasil joga, garçons passam copas sem ver uma partida inteira
Garçom equilibra pratos enquanto Brasil tenta vencer a Escócia. (Foto: Osmar Veiga)

O primeiro gol do Brasil nem sempre chega primeiro pela televisão. Em muitos bares e restaurantes de Campo Grande, garçons descobrem o lance pelos gritos que vêm da rua e só depois conferem na tela. A cena se repetiu na noite desta quarta-feira (24), durante a partida entre Brasil e Escócia, quando profissionais do atendimento dividiram a atenção entre clientes, bandejas e a torcida pela Seleção.

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Garçons e barmen de Campo Grande vivenciam a Copa do Mundo de 2026 entre bandejas e torcidas, acompanhando os jogos da Seleção Brasileira em meio ao expediente. Profissionais com décadas de carreira, como o barman Valter Igor Vieira e o garçom Nelson Quintana, relatam que raramente assistem a uma partida inteira, mas afirmam preferir o ambiente de trabalho ao silêncio de casa, dividindo a emoção com os clientes.

Para quem tem décadas de profissão, a rotina de trabalho atravessa Copas do Mundo sem permitir algo simples: assistir a uma partida inteira.

No Chácara Cachoeira, na churrascaria Canto do Cupim, o barman Valter Igor Vieira, de 43 anos, soma mais de duas décadas no ramo. Ele diz que o expediente quase sempre coincide com os jogos da Seleção e que a experiência acaba sendo vivida entre o atendimento e os lances vistos de relance.

Há 22 anos na profissão, conta que o maior desejo seria acompanhar a partida ao lado do filho.

Enquanto Brasil joga, garçons passam copas sem ver uma partida inteira
Nelson e Valter somam juntos mais de 8 copas durante o expediente. (Foto: Osmar Veiga)

“Eu sou pai de menino e sei como é importante acompanhar os jogos dos filhos. Hoje, por exemplo, gostaria de estar com o meu filho assistindo à Copa do Mundo, mas também preciso trabalhar. Tudo o que faço aqui é em benefício da minha família”, diz.

Quem também acumula longa trajetória no atendimento é o garçom Nelson Quintana, de 51 anos. Com 35 anos de profissão, ele já passou por várias Copas servindo mesas e acompanhando os jogos mais pela movimentação do salão do que pela televisão.

O único jogo que viu em casa foi durante uma folga, quando o filho ainda era criança. Hoje, o rapaz já tem 18 anos.

Enquanto Brasil joga, garçons passam copas sem ver uma partida inteira
"Eu me divirto junto com os clientes, torço com eles e vivo toda a emoção das partidas", garante Júlio. (Foto: Osmar Veiga)

Mesmo assim, não vê problema na rotina.

“Muita gente pergunta se eu prefiro trabalhar ou assistir aos jogos, mas eu gosto de estar aqui. Eu me divirto junto com os clientes, torço com eles e vivo toda a emoção das partidas. Prefiro estar no movimento do que parado em casa.”

A mesma percepção aparece no garçom Júlio Borges, de 22 anos, que vive a segunda Copa do Mundo trabalhando. Ele destaca que o ambiente muda completamente durante os jogos e que a energia do salão compensa não estar em casa.

“Prefiro estar trabalhando do que em casa assistindo aos jogos. Gosto mais de torcer junto com a galera, com os clientes e os amigos que estão aqui. O clima é diferente, a emoção é compartilhada”, comenta.

Enquanto Brasil joga, garçons passam copas sem ver uma partida inteira
Para o subgerente Reabes Jesus, Copa já faz parte da rotina. (Foto: Osmar Veiga)

Entre os mais jovens, a adaptação ainda está em curso. Na Confraria da Pizza, na região do Universitário, o garçom Victor Corrêa, de 19 anos, vive a primeira Copa do Mundo atrás das mesas. Com cerca de seis meses de profissão, ainda estranha a rotina de trabalhar enquanto a Seleção joga.

Quando o gol sai na rua, ele nem precisa esperar a tela. O barulho entrega antes.

“Quando sai gol na rua, a gente já escuta o pessoal gritando antes. Aqui a transmissão está um pouquinho atrasada, então a gente já sabe o que aconteceu. É engraçado”, relata.

Entre um pedido e outro, ele admite a vontade de estar em casa ou com amigos, mas acompanha o jogo apenas nos intervalos possíveis do expediente.

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