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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

01/07/2013 13:35

Escutas indicam manobra para evitar repasse de equipamentos contra câncer a MS

Ângela Kempfer

Mato Grosso do Sul poderia estar com novos aceleradores lineares para tratamento de pacientes com câncer, mas interceptações telefônicas feitas durante a Operação Sangue Frio levantam suspeita sobre o real interesse de gestores na saúde em equipar a rede pública contra a doença no Estado.

Conversas gravadas pela Polícia Federal reforçam a tese de que havia um esquema para beneficiar a rede particular, especificamente, o grupo do médico Adalberto Siufi, ex-diretor do Hospital do Câncer – única instituição com o acelerador em funcionamento pelo SUS.

Interceptações divulgadas hoje pela TV Morena mostram a secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi, e o diretor do Hospital Regional (HR), Ronaldo Queiroz, planejando como tratariam o assunto depois que o Ministério da Saúde solicitou informações sobre o interesse do Estado nos aceleradores.

Na ligação, a secretária detalha todo o processo, até a possível chegada do equipamento e comenta: “Então, acho que demora, né. Eu espero que demore”.

A conversa segue em outros momentos, com discussão sobre estratégias para convencer o Inca (Instituto Nacional do Câncer) a enviar os equipamentos apenas para o HR e para o Hospital do Câncer.

A secretária defende como argumento o fato da Santa Casa ter terceirizado o atendimento em contrato com a Neorad, da família Siufi, e de que o Hospital Universitário (HU), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, considerava que o setor de oncologia já funcionava bem no HR.

Antes do encontro com responsáveis pelo Inca, Ronaldo Queiroz combinou o que seria dito em conversa com o então diretor do Hospital Universitário, José Carlos Dorsa, afastado depois da Operação Sangue Frio.

Ronaldo fala sobre a dificuldade de conseguir que o Hospital do Câncer fosse beneficiado e conta que o primeiro pedido da secretária de Saúde era para que o projeto de expansão do Ministério atingisse “Dourados, Corumbá, HU para substituir essa velha (aparelho antigo), barra Regional, e o Câncer (HC)”.

O diretor do HR segue com a orientação que ouviu de Beatriz Dobashi: “vamos assumir, dizer que nós queremos no Regional. É o projeto pra 2015. Que ainda vai demorar muito. E o HU abre mão também, fala não quero.”

De Dorsa, a reação é de total desinteresse: “É melhor não ter esse troço, né?

A secretária deixa claro que há uma relação próxima com Adalberto. “Eu estou esperando a sua posição, porque o Adalberto me ligou e perguntou se vale a pena mexer o doce”.

Ronaldo então detalha como foi a conversa com Inez Gadelha, da Secretaria Nacional de Atenção à Saúde, durante reunião sobre o assunto. “Chamei ela no cantinho e falei: olha, tá aqui esse histórico, foi assim e assim. O resumo da ópera: está aqui o que a Bia colocou na situação de Campo Grande. Diante disso, o que a Bia perguntou: não seria mais inteligente fazer, possível contemplar o Câncer?”

Mas a reação foi a pior possível, ressalta Ronaldo. “De jeito nenhum, onde é que já se viu? Conheço esse cara faz muito tempo. Para lá não vai sair. Ela não se mostrou nem um pouco acessível no sentido de liberar uma máquina para o Câncer. Eu falei exatamente o que você me pediu. Mas a reação não foi boa. E o problema do nosso amigo do Câncer passa a ser político”, relata Ronaldo sobre o resultado da conversa.

Para dar uma satisfação a Adalberto Siufi, Dobashi telefona novamente e o orienta a procurar outro caminho. “O que ficou combinado lá, dito pelo Inca, foi que vem equipamento para Corumbá, para Dourados e para o Regional. Realmente a Inez Gadelha falou que não está previsto no Hospital do Câncer. Se você quiser falar com seu amigo, acho que não tem nenhum problema. “

Adalberto pergunta então se pode deixar claro que tem o aval da secretária, que se prontifica a ajudar. “Não tem problema. Isso, inclusive o Ronaldo levou por escrito um resumo que eu fiz”.

O Campo Grande News solicitou entrevista com a secretária Beatriz Dobashi, mas a assessoria não deu retorno.



Alguém já viu, num governo totalmente centralizador, onde funcionário morre de medo do chefe, uma secretária agir isoladamente, por conta própria? Seria por isso que as escutas telefônicas tem sido divulgadas em suaves parcelas mensais? Que bom que a TV Morena, mesmo a contragosto, foi atropelada pelo Fantástico e passou a tratar o assunto como realidade concreta, né?
 
elias fernandez em 02/07/2013 10:46:23
Parabéns a nossa policia federal, esperamos que tudo isso não acabe em pizza, e esses bandidos ganhem o que merecem, mas se aqui a justiça dos homens não alcança-los fiquem certos que a justiça divina os aguardam, é um absurdo é muito sangue frio mesmo brincar assim com a vida de centenas de pessoas, que põe suas esperanças de cura nesses tratamentos!!!! que revolta, revolta, revolta...Não se trata a vida humana como se fosse lixo...
 
sergio gimenez em 01/07/2013 21:07:43
tem que manda prende todo mundo esse bando de ladrao ´começando pela secretaria de saude
 
PEDRO PAULO em 01/07/2013 15:37:57
demissão imediata desta secretária, Beatriz, Ronaldo e outros que irão ainda aparecer
nesta operação. Vamos aproveitar e fazer uma limpeza geral neste país.
 
haroldo silveira em 01/07/2013 14:36:02
A "Bia" vai dizer o que?? inventar uma desculpa ou falar a verdade? Tá tudo gravado, não adianta tapar o sol com a peneira, "Dr. Adalberto Siufi, onde há fumaça, há fogo" diria o povo. assim, deduzimos então que é um negócio rentável a saúde no Brasil, "jogo de interesses" e como sempre o maior prejudicado nisso tudo é a sociedade que vê grande parcela de suas contribuições serem desviadas para o bolso da "elite corrupta e egoísta"... põe mais 20 centavos na minha conta, que continuo pagando... Obrigado.
 
Adriano Lima em 01/07/2013 14:32:52
Dá até vergonha uma noticia como essa. É corrupção moral. É brincar com coisa séria. Imaginem a desolação daqueles que, por meses a fio, buscaram por atendimento contra o cancer e assistem e leem isso. É de dar náuseas a desfaçatez, a insensibilidade, a indiferença demonstradas pelos envolvidos. Todas as doenças sao ruins, mas o cancer é cruel. Ver pessoas, pagas com o nosso dinheiro, tratando do assunto como se estivessem discutindo sobre a cor da roupa que vai usar ou o preço do quiabo, é revoltante. É desumano, para falar o mínimo.
 
Maria Pereira em 01/07/2013 14:30:31
CORRUPÇÃO VIRAR CRIME HEDIONDO É POUCO .... TINHA QUE TER PENA DE MORTE !!!!! QUEM SABE AI ELES IRIAM PENSAR 2 VEZES ANTES DE FAZER ESSAS BARBARIDADES COM A POPULAÇÃO ...
 
Rodrigo Fernandes em 01/07/2013 14:21:52
Sr. Governador, neste caso cabe demissão sumária, uma Secretária de Saúde que age contra a saúde da população do nosso Estado, não merece a expressão "exonerada".
 
ALFREDO SANDIM em 01/07/2013 13:56:04
Imagino a seguinte situação: Se uma pessoa veio a falecer por falta de atendimento/tratamento que se deixou de realizar por conta desses "médicos" não caberia uma ação por assassinato?
 
Alex André de Souza em 01/07/2013 13:45:40
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