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Campo Grande, Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018

10/10/2013 17:07

Etanol substitui álcool no bife na chapa e mantém tragédias no churrasco

Viviane Oliveira
Leonardo vai precisar fazer enxerto em um dos braços. (Foto: Marcos Ermínio) Leonardo vai precisar fazer enxerto em um dos braços. (Foto: Marcos Ermínio)

Muito usado para acender churrasqueira e a chapa utilizada para fazer bife, o álcool líquido para uso doméstico, que teve a venda proibida, foi substituído pelo etanol. No mês passado pelo menos cinco pessoas, em Campo Grande, sofreram queimaduras de 2º e 3º grau durante o manuseio do combustível.

Internado há mais de um mês na Santa Casa, Édipo da Silva Chaves, 25 anos, queimou 50% do corpo, quando participava de uma festa com os amigos no dia 8 de setembro, no conjunto Rancho Alegre. Na ocasião, quatro pessoas ficaram feridas, duas já tiveram alta.

Édipo, que trabalha como marceneiro, queimou os braços e o tronco, mas foram as pernas mais atingidas. Ele vai precisar fazer enxerto, procedimento cirúrgico para tratamento de sequelas de queimaduras, e não tem prazo para sair do hospital.

O paciente, que estava junto com a esposa, conta que era a primeira vez que participava de um bife na chapa com os amigos. “A gente já tinha feito a primeira rodada, quando o colega resolveu colocar mais álcool no recipiente”, diz.

Bastou jogar uma tampa de etanol na chapa para provocar a explosão. O fogo atingiu o galão de combustível, que estava ao lado. “Após o acidente, quem estava próximo ficou com o corpo em chamas”, relembra Édipo, acrescentando que na hora foi um desespero total das pessoas, que não haviam sido atingidas, tentando apagar o fogo.

A mesma coisa aconteceu com Leonardo Campos de Almeida, 18 anos, que também foi acender o bife na chapa com etanol. O jovem comemorava o aniversário no dia 20 de setembro, em casa na Vila Popular, quando despejou o liquido do galão no recipiente e houve a explosão.

Médica diz que o tratamento, de pessoas vítimas de queimadura, é lento. (Foto: Marcos Ermínio) Médica diz que o tratamento, de pessoas vítimas de queimadura, é lento. (Foto: Marcos Ermínio)

Acostumado a mexer na chapa, Leonardo conta que comprou o combustível em um galão por R$ 5 no posto de gasolina. Ele havia acendido o recipiente, quando apagou o fogo para cumprimentar os amigos.

Ao voltar para acender, Leonardo não viu que ainda tinha fogo na chapa. “Foi questão de segundos. Bastou colocar o liquido para acontecer a explosão”, relembra, dizendo que com o impacto foi lançado a 15 metros da onde estava.

O jovem afirma que ficou com trauma e no dia do acidente relembra das pessoas colocando pano molhado em seu corpo para apagar as chamas. “Nos primeiros minutos não doeu, mas depois a dor é terrível”, diz Leonardo, que teve queimaduras de 2º e 3º grau nos braços e na barriga.

A cirurgiã plástica Renata Ferro, que trabalha no ala de queimados da Santa Casa, explica que a recuperação de uma pessoa vítima de queimadura é lenta, além da sequela estética, tem danos psicológicos.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, desde o dia 1º de janeiro até hoje, foram atendidos no hospital 301 pessoas, entre crianças e adultos, vítimas de algum tipo de queimadura, e na maioria, acidentes que poderiam ter sido evitados.

Conforme a médica, depois que o álcool foi proibido, o pessoal começou a usar o etanol para acender churrasqueiras e chapas. “Teve um tempo que de 10 pacientes que davam entrada no pronto socorro, 8 eram vítimas de acidente com a chapa”, destaca.

O acidente ocorre por conta do uso do combustível, colocado em um recipiente embaixo da chapa, para manter o fogo aceso. O Corpo de Bombeiros alerta que nenhum tipo de líquido inflamável deve ser usado para acender fogo. O indicado é umedecer uma bola de papel com óleo de cozinha.

Ainda na lista dos acidentes mais frequentes, também estão o manuseio de líquidos quentes, queimaduras por eletricidade e fogos de artifício. "O acidente ocorre em questão de segundos, no entanto o tratamento pode durar para a vida toda, acrescenta a médica. Renata cita o exemplo de um paciente, que teve várias queimaduras quando tinha 9 meses. Hoje, a criança com 8 anos, ainda precisa passar por cirurgia de reparação. 

Proibido - Em fevereiro deste ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a fabricação, distribuição e venda, de álcool líquido para uso doméstico de alta graduação. Pela norma o álcool com graduação maior que 54º GL é vendido na forma de gel.

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Pra quem não sabe o álcool líquido de uso doméstico e o etanol são o mesmo composto. Não há diferença entre álcool de uso doméstico e etanol, sendo que o álcool de uso doméstico também é etanol. A diferença está apenas nas características sanitárias com que são produzidos. Sendo o etanol para uso doméstico mais "limpo" que o etanol pra ser usado como combustível. A palavra "álcool" se refere a uma "classe" de compostos não a apenas um composto, dessa forma o etanol é um composto da "classe" álcool, assim como o metanol (por exemplo) que também pertence a essa "classe". Concluindo: álcool de uso doméstico também é etanol, sendo que não se pode falar em substituição de álcool de uso doméstico por etanol.
 
Wellyta de Oliveira Ferreira em 11/10/2013 08:17:34
Até parece que a proibição da venda do alcool nos mercados seria o suficiente para interromper os acidentes.Qualquer pessoa pode comprar o etanol no posto de combustivel e utiliza-lo para qualquer fim que queira. Então é hora de rever os governantes e suas capacidades de elaborar e aprovar leis.Muito tempo e dinheiro jogado pelo ralo em seções para continuar tudo como está. As cenas continuam as mesmas só com pessoas diferentes.
 
Claudio Cunha em 10/10/2013 22:36:35
Einstein disse que só conhecia duas coisas infinitas : o universo e a ESTUPIDEZ HUMANA...
 
claudio fernandes em 10/10/2013 18:12:09
Pessoal! É só molhar o papel (jornal, papel higienico) com óleo e colocar abaixo do carvão e acender. Pega que é uma beleza!
 
Margo Gonçalves em 10/10/2013 17:37:11
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