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Capital

Feirantes voltam em ritmo lento e sem os tradicionais sobá, pastel ou espetinho

Trabalhadores retornaram as ruas nesta terça-feira depois de decreto da Prefeitura de Campo Grande

Por Gabriel Neris e Liniker Ribeiro | 07/04/2020 18:49
Feira no Bairro Coopavilla 2 com movimento fraco de fregueses (Foto: Kísie Ainoã)
Feira no Bairro Coopavilla 2 com movimento fraco de fregueses (Foto: Kísie Ainoã)

O retorno das feiras livres nesta terça-feira ocorreu de forma diferente após acordo com a prefeitura, que havia proibido o trabalho devido à pandemia do novo coronavírus,

Entre as normas de funcionamento está distanciamento de 2 metros entre as barracas e nada de consumo no local, o que significa que se alguém quiser espetinho, sobá ou pastel, tem de pedir para levar.

Mas nem todo mundo voltou para a rua. Na feira livre do Bairro Coophavila 2, por exemplo, somente 1/4 dos comerciantes voltou à rotina.

O produtor de hortaliças Cleito Adir, de 38 anos, conta que foi necessário providenciar luvas, máscaras e álcool em gel para voltar à feira, a maior da região sul da cidade. Ele diz que trabalha somente com isso e precisou montar barraca em frente da própria casa e também de amigos no período de isolamento social.

“Tudo para não parar, tenho funcionários na hora e se eles faltam, também falta produtos daqui dois, três meses”, conta.

Cleito aponta que esta terça-feira (7) não será comum em comparação com os dias que antecederam o início da pandemia, mas, segundo ele, os feirantes estão preparados para “ver o que acontece”. “A gente planta e se não vender, perde”, completa.

Alex colocou uma faixa a frente da barraca (Foto: Kísie Ainoã)
Alex colocou uma faixa a frente da barraca (Foto: Kísie Ainoã)

Alex de Oliveira, de 20 anos, tem uma barraca de produtos eletrônicos e, além da higienização, decidiu passar uma fita em torno para aumentar a distância entre clientes e produtos. “O cliente tem costume de tocar no produto, assim a gente tem controle maior para higienizar, passar álcool”, explica.

Ele conta que as duas últimas semanas foram “complicadas, deu uma apertada”. “O movimento não vai ser como antes, o pessoal não vai querer sair, vai vir quem realmente precisa comprar algo”.

Patrick Melo, de 36 anos, é dono de uma banca de salgados e sobá e precisou adaptar o trabalho. O decreto não permite cadeiras e mesas para os clientes, evitando consumo no local. Por causa disso, sua equipe levou apenas um décimo de alimentos que costumam fazer.

O comerciante comenta que diante da baixa demanda está com cinco funcionários parados. “O movimento é fraco, pode ter sido por causa do decreto de última hora. Os funcionários foram mobilizados hoje de manhã”.

Cristina foi protegida para a feira (Foto: Kísie Ainoã)
Cristina foi protegida para a feira (Foto: Kísie Ainoã)

A funcionária pública Cristina Aparecida, de 40 anos, foi à feira com máscara no rosto. Disse ter sentido falta do local porque considera as verduras mais frescas do que as encontradas em mercados. “A qualidade não é a mesma”.

Mas para ir ao local, precisou se proteger de todas as maneiras. Cristina é hipertensa e mora com a mãe, idosa. Ela conta que ficou todo o tempo em casa e saiu somente agora para fazer compras, mas diz ter “notado que muita gente não está se protegendo”.

Cristina diz ainda que se sentiu mais protegida ao ver os feirantes trabalhando com luvas, máscaras e álcool em gel disponível. “Foi a primeira coisa que notei”.

A autorização de funcionamento com série de regras foi publicada no Diário Oficial de segunda-feira.

As feiras podem ocorrer entre 6h e 12h e das 16h às 22h. Está proibida a participação de feirantes com idade superior a 60 anos, portadores de doenças crônicas ou que apresentam sintomas de gripe ou resfriado.

Também não é permitido montagem de espaços para crianças. O consumo de alimentos está vetado, tendo como opção somente o sistema de entrega.

Também é exigido, ao término da feira, providenciar a lavagem das ruas usadas.