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Capital

Hospital de Campanha sem uso no HR custou mais de R$ 2 milhões ao Estado

Hospital não informa quantos pacientes foram atendidos durante mais de 1 mês de ativação, mas admite que foram "poucos"

Por Lucia Morel e Izabela Sanchez | 06/08/2020 17:07
Vazio e fechado, Hospital de Campanha praticamente não foi usado desde o dia 24 de junho, quando foi ativado. (Foto: Kísie Anoiã/Arquivo)
Vazio e fechado, Hospital de Campanha praticamente não foi usado desde o dia 24 de junho, quando foi ativado. (Foto: Kísie Anoiã/Arquivo)

Prestes a ser desativado, por falta de pacientes, o hospital de campanha montado no Hospital Regional de Campo Grande consumiu pelo menos R$ 2.090.935,32 com mobiliário, estrutura (containers) e limpeza. Hoje, o secretário estadual de saúde, Geraldo Resende reafirmou que o local será desmontado gradativamente, dentro de 15 dias.

Desde terça-feira passada, o Campo Grande News tenta o número exato de pacientes que foram atendidos no hospital de campanha durante mais de 1 mês de funcionamento, mas o HRMS não fornece os dados.

O que se sabe, oficialmente, é a quantidade de atendimentos no primeiro dia de ativação do espaço, em 24 de junho, quando 10 pessoas passaram por lá. Hoje, subutilizado, o hospital mantém 40 dos 144 leitos previstos, segundo a diretora do HRMS, Rosana Leite de Melo. Em entrevista, ela disse que não sabe precisar o número exato de pessoas que foram atendidas no local.

Para Rosana, a ativação do Hospital de Campanha foi necessária, apesar de subutilizada. “Fez parte do planejamento. Mas nos deparamos com outra realidade. Nos preparamos para pacientes de baixa complexidade com o Hospital de Campanha, mas o que tem ocorrido é uma demanda grande de alta complexidade”, ponderou.

A diretora nega que houve mau uso do espaço ou que ele tenha sido desnecessário, porque segundo afirma, “não foi um erro de estratégia. Não sabíamos como a covid se comportaria e vai que precisássemos desse hospital e não o tivéssemos instalado? Seríamos cobrados da mesma forma”, defende.

Rosana explica que mesmo que o espaço seja desmobilizado dentro dos próximos 15 dias, será mantida um setor de enfermaria, com recursos mínimos, no caso de necessidade.

Além disso, destaca que havia, meses atrás, o medo de que quando o pico chegasse – que é o atual momento de MS -, haveria muita falta de leitos para pacientes menos graves, por isso o Hospital de Campanha foi instalado. Mas “estamos no pico, e nossa grande demanda têm sido por leitos para pacientes graves”, destaca.

O HRMS aumentou de 39 para 101 o número de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para atender os casos de covid-19 e devem subir para 111, segundo informou o secretário Geraldo Resende, enfatizando que “nenhum lugar do país conseguiu esse aumento.

Resende justificou a baixa utilização do Hospital de Campanha, expondo que em todo o Brasil, os hospitais foram ativados porque havia muitos casos em que os pacientes poderiam ser tratados sem leitos de UTI, pacientes intermediários, que estão entre os casos graves e aqueles que necessitam de quarentena. “Os quadros aconteceram em todo o país e agora estão desmobilizando os hospitais de campanha”.

Ele disse ainda o que já foi ressaltado por Rosana: que agora, há necessidade de leitos de UTI mais do que de leitos para pacientes intermediários. “O que estou dizendo é que esse avanço de quadros de muita gravidade exige leitos de UTI, estrutura complexa melhor”, avalia.

Por fim, sustenta que “como não está tendo utilização (do Hospital de Campanha) que justifique as despesas, nós vamos desativá-lo pouco a pouco. Já está se confirmando que vamos desativar esse hospital em até 15 dias”, disse.

O pedido para que a desativação não seja imediata foi da direção do próprio Hospital Regional, que acredita ser mais prudente manter a estrutura ainda por esse período, que é quando o número de casos deve começar a cair.

Investimento - Segundo dados do Diário Oficial do Estado e do Portal da Transparência, o Hospital de Campanha recebeu R$ 2.090.935,32 em investimentos específicos, sendo R$ 338.014,50 para "locação de mobiliários, em caráter emergencial, na construção de um Hospital de Campanha".

Mais R$ 978.960,00 foi usado para alugar "estruturas, em caráter emergencial, na construção de um Hospital de Campanha" e ainda, R$ 773.960,82 pagos à empresa Prime Clean, para a "limpeza, desinfecção e conservação" do espaço.

Se levado em conta que a unidade tenha atendido apenas os 10 pacientes iniciais, tem-se gasto de R$ 209.093,53 por pessoa atendida.

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