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Igreja deve ser usada até o fim de agosto por grupo voluntário contra a covid

Médicos voluntários fazem tratamento contra coronavírus, com prescrição do polêmico "kit covid" em pólo montado no Centro

Por Silvia Frias e Bruna Marques | 10/08/2020 10:36
"Pólo Morada" foi montado por grupo voluntário em igreja no Centro da cidade (Foto: Henrique Kawaminami)
"Pólo Morada" foi montado por grupo voluntário em igreja no Centro da cidade (Foto: Henrique Kawaminami)

Começou hoje com previsão de durar até o fim do mês o atendimento à população para tratamento e prevenção do novo coronavírus, organizado por grupo de médicos e enfermeiros voluntários. O projeto foi montado na sede de igreja no Centro de Campo Grande, com prescrição de medicamentos que compõem o “kit covid”.

O pólo foi montado na sede da Igreja Morada, na Rua Barão do Rio Branco, em frente ao Rádio Clube Cidade. O serviço começou às 8h.

O atendimento prioriza profissionais das áreas de saúde, segurança, assistência social e funcionários que trabalham em unidades de saúde, mas que não são necessariamente da linha de frente, como equipe da limpeza de clínicas e hospitais. Apesar do foco nesses trabalhadores, a população em geral também pode ser atendida.

Paciente atendida esta manhã no pólo (Foto: Henrique Kawaminami)
Paciente atendida esta manhã no pólo (Foto: Henrique Kawaminami)

O médico toxicologista e nutrólogo Sandro Benites, um dos integrantes do grupo voluntário, diz que o número de pessoas que irá procurar atendimento deve aumentar nos próximos dias, a partir da maior divulgação da existência do projeto.

Hoje, pouco mais de 40 minutos após início dos trabalhos, cerca de 30 pessoas já haviam passado pelos 3 médicos que estão no turno da manhã no “Pólo Morada”, como foi designado.

O projeto segue padrão adotado nos pólos criados pelo governo do Estado, como o do Parque Ayrton Senna, do Aero Rancho. Do lado de fora, o movimento ainda era tranquilo. Duas tendas foram montadas para triagem, feita por enfermeiros, que dividem as pessoas entre assintomáticos e sintomáticos.

Dentro da igreja, as pessoas são pesadas, medidas e tem a temperatura aferida. No atendimento, os médicos podem prescrever medicamentos que fazem parte do já conhecido e polêmico “kit covid”: Hidroxicloroquina, Azitromicina, Ivermectina, sulfato de zinco ou vitamina D. A quantidade e a combinação depende do quadro clínico de cada pessoa.

Receita prescrita para paciente que foi ao pólo (Foto: Henrique Kawaminami)
Receita prescrita para paciente que foi ao pólo (Foto: Henrique Kawaminami)

O uso desses medicamentos como prevenção ou no tratamento de pacientes com sintomas leves de covid-19 é contestado pelas sociedades brasileiras de Infectologia e Pneumologia. As entidades dizem que não há qualquer estudo que comprove a eficácia dos remédios contra a doença, podendo até agravar o quadro clínico, como a Hidroxicloroquina.

Benites diz que a prioridade não é a prescrição de medicamentos, mas, sim, fazer atendimento precoce, independentemente de testes. “Se a pessoa é grupo de risco ou não e apresentou sintomas da doença, ela precisa procurar atendimento”. O médico acredita que, neste momento, o "teste é o menor importante", por conta da demora entre a coleta de material e o resultado do exame. Este intervalo, avalia, pode ser importante para intervenção médica e controle dos sintomas.

O pastor da igreja, Henrique Maia, que também é médico e atende na rede pública de Campo Grande, diz que aderiu ao projeto ao perceber que muitas pessoas não têm acesso a abordagem precoce. Com a redução do  número de cultos e do uso do prédio, Maia diz que viu na igreja o lugar ideal para montar o pólo.

Segundo o médico, inicialmente, o projeto será realizado durante o mês de agosto, podendo se estender conforme a demanda.

Na fila por atendimento estava o comerciante Walter Ferreira Cruz, 60 anos. Ele não apresenta sintomas, mas, por ser do grupo de risco, resolveu buscar atendimento. Ele soube do projeto pela filha, que frequenta a igreja. “Numa situação dessa, de pandemia, é muito bom para população, mais locais para dar suporte para o povo, não precisa ficar dependedo dos órgãos públicos”, disse.

A dona de casa Marinalva Xavier, 45 anos, tinha acabado de sair do pólo. Com a receita na mão, contou que resolveu ir ao local, pois teve contato com a mãe e o irmão, que atestaram positivo para a doença. “Vim para me prevenir”.

Do lado de dentro, atendimento segue padrão adotado no Parque Ayrton Senna (Foto/Divulgação)
Do lado de dentro, atendimento segue padrão adotado no Parque Ayrton Senna (Foto/Divulgação)


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