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Capital

Júri condena homem que atirou na ex em posto a 22 anos de prisão

Conselho de Sentença reconheceu tentativa de feminicídio, sequestro e porte ilegal de arma

Por Gustavo Bonotto | 10/06/2026 19:32
Júri condena homem que atirou na ex em posto a 22 anos de prisão
Marcos Antônio de Souza Vieira deixa tribunal do júri após condenação. (Foto: Geniffer Valeriano)

Marcos Antônio de Souza Vieira foi condenado a 22 anos, 10 meses e 10 dias de prisão por sequestrar e tentar matar a ex-companheira Luciane Borges Nunes em um posto de combustíveis de Campo Grande. O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (10), no Tribunal do Júri. Os jurados reconheceram os crimes de tentativa de feminicídio qualificado, sequestro qualificado e porte ilegal de arma de fogo. O réu permanecerá preso e cumprirá a pena em regime fechado.

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Marcos Antônio de Souza Vieira foi condenado a 22 anos, 10 meses e 10 dias de prisão por sequestrar e tentar matar a ex-companheira Luciane Borges Nunes em um posto de combustíveis em Campo Grande. O Tribunal do Júri reconheceu tentativa de feminicídio qualificado, sequestro e porte ilegal de arma. O réu deverá pagar indenização de R$ 50 mil por danos morais e cumprirá pena em regime fechado.

O Conselho de Sentença rejeitou as teses da defesa que buscavam desclassificar o caso para lesão corporal e absolver o acusado dos crimes mais graves. Os jurados, porém, absolveram Marcos das acusações de violência psicológica, dano qualificado e desobediência.

Na sentença, o juiz Aluizio Pereira dos Santos destacou que o réu não aceitava o fim do relacionamento e agiu motivado por ciúmes e sentimento de posse. Ao fixar a pena, o magistrado afirmou que a conduta representou "o ápice da escalada da violência" já praticada contra a vítima.

Segundo a decisão, Marcos efetuou disparos em direção a regiões vitais do corpo de Luciane. O juiz ressaltou que os tiros atingiram pulmão e intestino, provocaram lesões graves e deixaram sequelas que ainda exigem tratamento médico.

"O motivo do crime deve ser valorado negativamente, visto que a conduta foi praticada em razão de ciúmes do acusado, que não se conformava com o término do relacionamento, o que revela sentimento de posse", registrou o magistrado.

A pena mais alta foi aplicada pela tentativa de feminicídio qualificado, que resultou em 17 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão. O sequestro somou mais três anos de prisão. Já o porte ilegal de arma de fogo acrescentou dois anos e um mês à condenação.

Ao analisar a dinâmica do ataque, o juiz destacou que o crime ocorreu em um local movimentado e que Marcos perseguiu a vítima por cerca de 50 metros dentro do posto antes dos disparos.

A decisão também menciona que Luciane ficou incapacitada para as atividades habituais por mais de 30 dias e sofreu consequências físicas que permanecem mais de um ano depois do atentado.

Além da prisão, Marcos deverá pagar indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais. O valor será corrigido monetariamente e acrescido de juros.

Versão do réu - Durante interrogatório que durou mais de uma hora e meia, Marcos admitiu que atirou contra a ex-companheira, mas negou intenção de matá-la.

"Se tem uma pessoa que eu amava ali, era ela. Ali foi impulso", afirmou aos jurados.

Em outro momento, disse que não planejou o ataque. "Não pensei em nada, me deu um branco. Nem sei por que atirei. Na hora me deu um start", declarou.

O réu também negou ter sequestrado Luciane. Segundo ele, a ex-companheira entrou espontaneamente no carro e os dois conversavam sobre uma possível retomada do relacionamento.

Os jurados, entretanto, reconheceram que a vítima foi privada da liberdade antes dos disparos.

Relato da vítima - Pela manhã, Luciane prestou depoimento em sessão reservada, acompanhada apenas pelo juiz e pelos jurados. O relato durou mais de uma hora.

Em entrevista concedida ao Campo Grande News logo após o atentado, a mulher contou que havia encerrado o relacionamento dois meses antes do crime e já havia iniciado o processo de divórcio.

"Marcos pedia para voltar, dizia que tinha mudado. Mas eu não acreditava mais. Deixava claro que não voltaria", relatou na ocasião.

Em reportagem publicada durante o julgamento, Luciane afirmou que acreditava ter sobrevivido porque o ex-companheiro pensou que ela estava morta.

Crime foi registrado por câmeras - O caso ocorreu em 29 de maio de 2025. De acordo com a denúncia, Marcos abordou Luciane na Rua Itaituba, no Jardim Centenário, e a obrigou a entrar em seu Hyundai HB20 branco. A vítima permaneceu sob seu controle por aproximadamente uma hora.

Mais tarde, o casal chegou a um posto de combustíveis na Rua da Divisão, no Jardim Monte Alegre. Imagens de segurança mostram Luciane entrando no banheiro. Ao sair, ela tenta escapar.

As câmeras registraram o momento em que Marcos corre atrás da ex-companheira e dispara várias vezes. Conforme a investigação, ela foi atingida por cinco tiros.