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Capital

Justiça mantém presos ex-chefe da regulação, herdeiro Jafar e ex-dona de brechó

Gaeco investiga esquema de R$ 27 milhões para desvio de dinheiro público

Por Aline dos Santos | 22/07/2026 08:22
Justiça mantém presos ex-chefe da regulação, herdeiro Jafar e ex-dona de brechó
Justiça indeferiu revogação de preventiva de Rhayane Fanaia, Felipe Jafar e Ed Carlo Burgatt. (Foto: Reprodução)

A Justiça negou a revogação das prisões preventivas de quatro alvos da Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e que investiga esquema de R$ 27 milhões para desvio de dinheiro público.

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A Justiça negou a revogação das prisões preventivas de quatro alvos da Operação Gutenberg, que investiga esquema de desvio de R$ 27 milhões em dinheiro público via venda de livros paradidáticos a prefeituras. Felipe Paroschi Jafar, Rhayane Souza Fanaia, Matheus Oliveira Peixoto e Ed Carlo Britto Burgatt permanecem presos. A operação foi deflagrada pelo Gaeco em 7 de julho, em Mato Grosso do Sul.

O Núcleo de Garantias indeferiu o pedido de liberdade para Felipe Paroschi Jafar, Rhayane Souza Fanaia, Matheus Oliveira Peixoto e Ed Carlo Britto Burgatt. O núcleo é uma unidade criada pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) no ano passado para centralizar a fase pré-processual das investigações criminais.

No caso de Matheus Oliveira Peixoto, a decisão informa que permanece presente a necessidade da prisão como garantia da ordem pública, diante da gravidade concreta dos crimes cometidos, “sendo que a liberdade do requerente poderá frustrar ainda a instrução criminal e aplicação da lei penal, diante da persistência e habitualidade das condutas delituosas perpetradas pela organização criminosa (contemporaneidade dos fatos justificadores da custódia preventiva)”.

A quebra do sigilo bancário mostra que Matheus Peixoto recebeu R$ 121.500 da Editora Avante entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, apesar de não ter nenhum vínculo com a empresa, como destaca o Gaeco. A Avante é apontada como o caminho para a corrupção na venda de livros paradidáticos para prefeituras.

Ele é filho de Joatan Gomes Peixoto, que foi um dos administradores da Avante durante o período da apuração. Joatan deixou a prisão e usa tornozeleira eletrônica.

Quanto a Ed Carlo Britto Burgatti, a Justiça destaca ausência de fatos novos capazes de justificar a reapreciação do pedido de revogação da preventiva. Ele  tem longa trajetória no serviço público, com 25 anos no quadro da administração estadual. Desde 2015, ele aparece em notícias e no Diário Oficial do Estado como titular do cargo de coordenador da regulação da SES (Secretaria Estadual de Saúde).

Justiça mantém presos ex-chefe da regulação, herdeiro Jafar e ex-dona de brechó
Matheus Peixoto em registro feito durante investigação do Gaeco. (Foto: Reprodução)

No relatório da investigação, Ed Carlo aparece em diálogos sobre contratos da Avante e uso da estrutura da saúde para obter vantagens nas negociações.

Já Rhayane Souza Fanaia foi a proprietária original da editora, ao menos no papel. Segundo o Gaeco, ela não tinha autonomia gerencial ou financeira e era acionada para distribuir o dinheiro após pagamentos feitos por prefeituras. Antes de abrir a Avante, tinha uma empresa de revenda de roupas usadas. Rhayane foi nora de Rossana Paroschi Jafar, apontada como verdadeira controladora da editora.

Felipe Paroschi Jafar é filho de Rossana. Ele era lotado na Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) desde 2024. O servidor comissionado era assessor II da agência, recebendo salário bruto de R$ 11.324,00, com rendimento líquido de R$ 8.402,53. No dia seguinte à operação, Felipe foi exonerado.

Ao Campo Grande News, a defesa de Felipe informou que diversos erros induziram o Judiciário a uma prisão ilegal e completamente dissociada da verdade real. "O que será demonstrado pelo senhor Felipe Jafar com serenidade no curso do processo”, afirma o advogado Guilherme Tabosa.

O espaço segue aberto para a manifestação das demais defesas.

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