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Capital

Manifestantes protestam contra terceirização de unidade de saúde em Aero Rancho

Ontem, pelo mesmo motivo, a manifestação foi no Centro Regional de Saúde do bairro Tiradentes

Por Lucia Morel e Mileny Barros | 26/04/2026 10:25

Manifestantes realizaram ato hoje no CRS (Centro Regional de Saúde) do bairro Aero Rancho para protestar contra a proposta da prefeitura de implementar a gestão do posto 24 horas por meio de Organizações Sociais. Ontem, a manifestação foi na unidade do bairro Tiradentes, em Campo Grande. Integrantes do conselho de saúde e da população em geral se reuniram para expressar oposição ao modelo de terceirização defendido pela gestão municipal.

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Moradores e membros dos conselhos de saúde realizaram protestos em Campo Grande contra a proposta da prefeitura de terceirizar a gestão de postos de saúde 24 horas para Organizações Sociais. Os atos ocorreram nos bairros Aero Rancho e Tiradentes. Manifestantes alegam que o modelo aumenta a corrupção e precariza vínculos trabalhistas. O tema foi debatido em audiência pública na Câmara Municipal, onde entidades e parlamentares também se opuseram à medida.

De acordo com o coordenador do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, o propósito das manifestações é conscientizar os moradores sobre os riscos da mudança no formato de atendimento. Ele argumentou que a população entende que isso não é benéfico, acrescentando que, em outras cidades onde ocorreu, notou-se o aumento do índice de corrupção, a piora das condições trabalhistas com vínculos precários e, consequentemente, prejuízos para os usuários do sistema.

"Temos vários argumentos contra e é mais um ato de protesto pra mostrar para a gestão que a população também está empenhada em não aceitar a terceirização das unidades de saúde, mostrar que essa unidade de saúde pertence à população", destacou.

Terezinha Matos, representante do Conselho de Saúde do Aero Rancho, falou da necessidade de reafirmar a natureza pública do atendimento. Ela enfatizou que a importância de o ato estar acontecendo é para mostrar à população e à sociedade que o SUS (Sistema Único de Saúde) é público. Conforme a conselheira, os usuários não aceitam a privatização das unidades de saúde, defendendo que Campo Grande necessita de mais leitos e não de transferência da gestão.

A moradora Norma Bezerra, de 68 anos, que aguarda na rede pública para realizar uma cirurgia de hérnia, relatou as dificuldades enfrentadas pelo sistema atualmente. Ela afirmou que veio ao ato porque estão querendo privatizar o SUS, sendo que "o pobre já está sofrendo com a falta de remédios e a demora na central de vagas". Ela defendeu que seria muito importante que toda a comunidade estivesse unida para não deixar privatizar o que é nosso.

Manifestantes protestam contra terceirização de unidade de saúde em Aero Rancho
Norma Bezerra, de 68 anos e o marido participaram do protesto. (Foto: Mileny Barros)

Rosângela Mancoelho, cabeleireira de 39 anos, declarou ter tomado conhecimento da manifestação por meio de clientes. Ela pontuou que o grupo busca apoio para divulgar a situação, argumentando que a população quer solução para os problemas de falta de insumos e profissionais, e não a terceirização do atendimento. A moradora manifestou descontentamento com decisões tomadas pela prefeitura sem diálogo prévio com a comunidade.

Audiência - O assunto também foi tema de audiência pública realizada na Câmara Municipal em 10 de abril. Na ocasião, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, apresentou a proposta da administração, citando a necessidade de superar desafios da gestão direta, como a rigidez nas contratações e processos burocráticos.

O gestor argumentou que a medida permitiria o cumprimento de metas e resultados, com indicadores de produtividade semelhantes aos observados em outros municípios que adotaram o modelo.

Entidades, sindicatos e parlamentares presentes na audiência, no entanto, manifestaram contrariedade à proposta. O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, questionou a condução do projeto, alertando que o tema não pode ser tratado de forma unilateral, sem debate político e institucional.

Ele sustentou que, antes de alegar que a terceirização é o único caminho, seria importante organizar o setor de compras e priorizar de fato a saúde, reforçando a necessidade de transparência e fiscalização nos recursos públicos.

Por conta do protesto realizado neste domingo, a reportagem buscou resposta da prefeitura e aguarda retorno.

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