Ministra da Cultura vem a Campo Grande para oficializar tombamento da Tia Eva
Comunidade será reconhecida em ato com Margareth Menezes após se tornar primeiro quilombo tombado pelo Iphan

A história da Comunidade Tia Eva, em Campo Grande, ganha um novo capítulo nesta segunda-feira (28), com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, no ato que oficializa o tombamento do território como patrimônio cultural, histórico e artístico.
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A agenda ocorre após o reconhecimento inédito feito pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que tornou a comunidade o primeiro quilombo do Brasil tombado por meio do novo instrumento de proteção criado para territórios quilombolas.
A programação começa às 16h, com o encontro “Cultura Transforma o Território: as políticas públicas de cultura do presente e para o futuro do Brasil”. Na sequência, às 17h, a ministra acompanha o ato de tombamento do patrimônio cultural, histórico e artístico da comunidade.
O reconhecimento federal coloca a Tia Eva dentro do Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, criado pelo Iphan para proteger locais ligados à memória quilombola.
Localizada na região urbana de Campo Grande, a comunidade reúne cerca de 250 famílias descendentes de Eva Maria de Jesus, conhecida como Tia Eva, mulher negra que fundou o território no início do século XX. O espaço se tornou uma referência da presença quilombola e da preservação da cultura afro-brasileira em Mato Grosso do Sul.
O processo de reconhecimento começou a partir de uma solicitação da própria comunidade, em 2024. Técnicos do Iphan realizaram levantamentos sobre as referências culturais, históricas e os elementos materiais e imateriais que compõem o território antes da decisão pelo tombamento.
Entre os símbolos preservados está a Igreja de São Benedito, construída em 1919, considerada um dos principais patrimônios da comunidade. O templo já possui reconhecimento como patrimônio municipal e estadual e passa por obras de restauração.
Além de proteger construções e espaços físicos, o tombamento busca preservar práticas culturais, tradições e memórias associadas ao território, criando um marco para o reconhecimento de outros quilombos pelo país.

