“Mochilão” com GPS é usado para caçar celulares na Máxima de Campo Grande
Equipamento identifica aparelhos em um raio de até 100 metros; georradar detecta possíveis túneis

Um “mochilão” equipado com tecnologia de rastreamento foi usado nesta terça-feira (9) para localizar sinais de celulares dentro da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande. A ação marcou o segundo dia do Projeto Padrão Segurança Máxima, que reforça o controle prisional e o combate à atuação de organizações criminosas em presídios.
RESUMO
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Mochila com tecnologia de rastreamento foi usada na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande para localizar sinais de celulares. A ação integra o Projeto Padrão Segurança Máxima, conduzido pela SENAPPEN e Agepen. Georradar também foi utilizado para identificar possíveis túneis no subsolo. O objetivo é reduzir a comunicação de presos com o exterior e combater organizações criminosas em 138 unidades prisionais estratégicas do país.
O equipamento integra a Operação Modo Avião e funciona como uma espécie de varredura móvel dentro da unidade. Transportado nas costas por um agente, ele identifica sinais de telefonia em um raio estimado de 50 a 100 metros. Com isso, as equipes conseguem definir pontos mais sensíveis para revistas e buscas, em vez de depender apenas de inspeções aleatórias.
Além da busca por celulares, a operação também usou georradar para verificar o subsolo da penitenciária. O aparelho permite identificar alterações estruturais sem escavação, como possíveis túneis, galerias, cavidades ou outras interferências que possam indicar risco à segurança da unidade.
A ação foi feita pela Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), órgão do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública), em parceria com a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário). A missão foi conduzida pela DIPEN (Diretoria de Inteligência Penitenciária) da Senappen .
A Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande está entre as 138 unidades estratégicas escolhidas para receber ações e investimentos do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, por meio do PSM (Projeto Padrão Segurança Máxima).
Em Mato Grosso do Sul, a ação marca a primeira aplicação prática do eixo de capacitação e padronização operacional do projeto em uma unidade contemplada. Na prática, o governo federal tenta padronizar procedimentos, ampliar o uso de tecnologia e integrar equipes federais e estaduais no enfrentamento à atuação de facções dentro dos presídios.
O foco é reduzir a capacidade de comunicação de presos com o lado de fora. A avaliação das autoridades é que celulares dentro das unidades podem ser usados para ordenar crimes, articular grupos e manter a influência de organizações criminosas mesmo durante o cumprimento de pena.
Segundo o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, o combate ao crime organizado dentro dos presídios depende de integração entre forças públicas, inteligência e tecnologia.
“O enfrentamento ao crime organizado exige integração, inteligência e tecnologia. Por meio do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública vem fortalecendo o sistema prisional brasileiro com investimentos, capacitação e modernização tecnológica. Quando reduzimos a capacidade de comunicação e articulação de organizações criminosas dentro dos presídios, ampliamos a proteção da população e contribuímos diretamente para uma sociedade mais segura”, afirmou.

O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, disse que o uso das ferramentas também serve para treinar os policiais penais que atuam nas unidades.
“A tecnologia potencializa o trabalho dos policiais penais. Além de ampliar a capacidade operacional, essas ações permitem que as equipes conheçam e aprendam a utilizar ferramentas modernas de inteligência e segurança penitenciária, fortalecendo ainda mais a atuação no sistema prisional de Mato Grosso do Sul”, ressaltou.
As atividades do Projeto Padrão Segurança Máxima continuam ao longo da semana na unidade, com participação de equipes federais e estaduais. A programação inclui a implantação de procedimentos, tecnologias e práticas voltadas ao reforço da segurança prisional.
O que é o Padrão Segurança Máxima - O Padrão Segurança Máxima é uma iniciativa da Senappen, órgão do MJSP, dentro do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, do Governo Federal.
O projeto prevê investimentos em tecnologia, equipamentos, infraestrutura e capacitação profissional em 138 unidades prisionais consideradas estratégicas no país.
A proposta é atuar em três frentes: inteligência e operações, modernização tecnológica e capacitação de servidores. O objetivo é reforçar o controle dentro dos presídios, melhorar os procedimentos de segurança e reduzir a influência de organizações criminosas no sistema penitenciário.
Primeira etapa - Na segunda-feira (8), a Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande recebeu o primeiro dia de atividades do Projeto Padrão Segurança Máxima. A mobilização marcou o início da implantação prática da iniciativa em Mato Grosso do Sul, com atuação integrada de equipes federais e estaduais.
A primeira etapa foi voltada ao alinhamento de procedimentos operacionais dentro da unidade, incluindo rotinas de segurança, controle de acesso, movimentação interna e padronização de ações em um presídio considerado de alta complexidade. A atividade também serviu como treinamento para policiais penais que atuam no sistema estadual.
A ação chamou a atenção de moradores do Jardim Noroeste por causa da presença de viaturas, policiais e helicóptero na região. Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais, Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado a colocar em prática esse eixo do projeto, que usa como referência procedimentos adotados no Sistema Penitenciário Federal.
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