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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

07/03/2016 08:42

Moradores de favela serão transferidos para terrenos em três bairros

Natalia Yahn e Luana Rodrigues
(Foto: Marcos Ermínio)(Foto: Marcos Ermínio)

As famílias que vivem na favela Cidade de Deus, próxima ao lixão de Campo Grande, serão transferidas para três áreas nos bairros Vespasiano Martins, Los Angeles e Dom Antônio Barbosa. Os locais são mantidos em sigilo pela Prefeitura, mas os próprios moradores disseram que já foram informados sobre a localização.

Mais de 275 guardas municipais e servidores da SAS (Secretária de Assistência Social), Emha (Agência municipal de Habitação) e Seintrha (Secretária Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação), atuam na desocupação do terreno, que fica próximo ao lixão.

A previsão inicial é e que o trabalho de remoção aconteça durante aproximadamente três dias, e por isso foi montado um acampamento – onde os Guardas Municipais vão permanecer até que todos os moradores deixem a área.

Inicialmente foi informado que 450 famílias seriam removidas, mas com o início da operação no local o número caiu para 390. As famílias que não estiverem cadastradas para remoção devem sair da favela, pois não será mais permitida a construção de barracos no local.

Para a transferência foi feita a divisão dos barracos por cores – azul vermelho e amarelo – que representa uma das novas áreas. Os moradores estão apreensivos com a mudanças e dizem não terem sido avisados sobre a desocupação.

A aposentada Terezinha de Araújo, 70 anos, tem um barraco na Rua 24 e afirma não ter sido informada sobre a remoção. “Ninguém falou nada pra gente, nem pra onde vai nem que seria retirado. Hoje comecei a ver a movimentação e perguntei, aí disseram. Já arrumei minha mudança, mas estou preocupada para onde vou, se é barraco ou casa, porque eu não sei”.

“Minhas coisas estão arrumadas, mas não sei se vou chegar lá e ter que por no relento, se vai ser casa ou terreno”, disse outra moradora, Laura Lopes, 53 anos, vive na favela com dois netos de 6 e 4 anos.

Enquanto a apreensão e a incerteza tomam conta dos moradores, a esperança também faz parte da espera. “Acho que hoje vou realizar o maior sonho da minha vida, que é ter uma casa ou terreno próprio. Tem três anos que moro aqui, a espera foi grande. A única esperança da gente que mora na favela é ganhar uma casa”, disse o catador Francisco Genilson, 47 anos.

A missionária do Instituto Filhos da Misericórdia – uma ONG que funciona na favela –, Delair Urias, acompanha toda a movimentação no local e está preocupada com a situação. “A gente não é contra a remoção. Eu só quero saber para onde eles vão levar estas pessoas, sem tem banheiro e o mínimo de estrutura possível. Porque não podem chegar aqui falar em remoção, sem oferecer o básico”.

O mandado de reintegração de posse da área onde está a favela foi autorizado, inclusive com uso de reforço policial, arrombamento dos imóveis e demolição das benfeitorias, pelo juiz da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos de Campo Grande, Ricardo Cesar Carvalheiro Galbiati. A ação tramita desde janeiro de 2013 e na sexta-feira (4) foi autorizada a desocupação do terreno.



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