Moradores negam "área do PCC", mas reclamam de sensação de insegurança
Na noite de quinta-feira, policial alegou que o filho foi proibido de circular em área da facção no bairro
Mesmo sem ouvir falar de PCC (Primeiro Comando da Capital), os moradores do Bairro Guanandi II, em Campo Grande, afirmam que a insegurança é grande principalmente durante o dia na região. Na noite de quinta-feira (22), a PM (Polícia Militar) foi acionada depois que um policial disparou no chão alegando que um grupo de pessoas impediu seu filho de circular por ser “área da facção”.
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Moradores do Bairro Guanandi II, em Campo Grande, relatam crescente insegurança na região, mesmo sem confirmação da presença do PCC. Investimentos em câmeras, cercas elétricas e muros altos tornaram-se comuns entre os habitantes, que temem assaltos principalmente durante o dia. A situação ganhou destaque após um incidente envolvendo um policial militar que disparou sua arma, alegando que um grupo impediu seu filho de circular por ser "área da facção". Moradores relatam diversos casos de furtos, incluindo invasões a residências e roubos de fiação, além de frequentes assaltos em pontos de ônibus.
Ao Campo Grande News, um homem de 57 anos que prefere não se identificar relatou que a casa do vizinho foi invadida pelo menos 4 vezes e que, na última segunda-feira (19), encontrou dentro do quintal um pedaço de pão que parece estar envenenado.
“Está horrível a segurança aqui. A casa do meu vizinho está em inventário e por isso está desocupada. Já levaram toda a fiação. Não ouço falar de facção aqui, mas acho que tentar envenenar meu cachorro para entrar na minha casa. Achei o pedaço de pão jogado no quintal e vou levar para análise. Meu cachorro não comeu porque estava no canil”, afirmou o homem.
Segundo o morador, durante o dia é possível ver muitas pessoas em situação de rua carregando materiais que aparentam ter sido furtados e até a igreja já foi alvo de criminosos. “Eles agem muito durante o dia porque já levaram tanto fio que à noite a maioria das casas fica escura. Investi em câmeras e cercas elétricas por conta da insegurança que temos aqui.”
A dona de casa Adriana Elias, 42 anos, mora no bairro há 10 anos e afirma que a cada ano a situação piora. Segundo ela, o Guanandi já foi muito seguro, mas por conta do crescimento populacional a insegurança está aumentando.
“A situação aqui está precária. A gente escuta gritos de socorro no começo do dia porque as pessoas estão sendo assaltadas no ponto de ônibus. Já foi seguro, mas agora tá muito difícil. Eu nunca fui assaltada, mas a gente ouve muitos casos aqui”, pontuou a mulher.
Já a também dona de casa Maria Rosalina, 51 anos, foi vítima de assalto quando ia trabalhar. Ela faz diárias e por volta do meio-dia estava esperando o ônibus quando foi abordada pelo criminoso. “Eu não me sinto segura, estou aqui esperando o ônibus, mas fico com medo porque fui assaltada aqui quando ia fazer uma diária. Os assaltos são frequentes”.
O medo faz com que moradores invistam em sistemas de segurança e fiquem trancados em casa para evitar os assaltos. É o caso do homem de 47 anos, que também não quis se identificar. “A gente investe no muro alto e procura não deixar nada no quintal de casa. A tensão é grande aqui. A gente ouve muito relato de assalto em casas, comércios, pessoas que estão nas ruas”, detalhou.
Ainda conforme o homem, a insegurança é tão grande que, mesmo os moradores tendo sistemas de monitoramento em casa, muitas vezes se recusam a passar as imagens para quem foi vítima de assalto.
“O pessoal tem medo de se comprometer, porque mesmo que não ouçam, existe guerra facções e a gente nunca sabe em que pé estão. É meu medo particular, a gente sabe que elas estão se infiltrando em todas as regiões né. Tenho uma criança de 10 anos que nãi deixo nem ir ao mercado sozinha”, finalizou.
"Área do PCC" - De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe da PM (Polícia Militar) foi acionada por volta da 00h10 com a informação de que um homem havia efetuado um disparo após um desentendimento no local. Ao chegarem, os policiais encontraram um policial militar que se apresentou como responsável pelo disparo.
Ele relatou que seu filho de 12 anos trafegava de bicicleta pela rua quando foi impedido por um grupo de cerca de seis pessoas, que afirmaram que a área seria dominada pelo PCC e proibiram a passagem do menino. Assustado, o adolescente retornou para casa e contou o ocorrido ao pai.
O policial então foi até o local indicado pelo filho para tentar conversar com o grupo, mas afirmou ter sido hostilizado e ameaçado. Segundo o relato, mesmo após se identificar como policial militar, os indivíduos disseram que “mandavam na área” e se aproximaram de forma intimidadora. Diante da situação, ele afirmou ter sacado a arma e efetuado um disparo em direção ao solo para dispersar o grupo, retornando em seguida para casa.
Por outro lado, uma moradora do bairro, que estava em casa com amigos organizando móveis por conta de uma mudança recente, apresentou versão diferente. Ela afirmou que o policial chegou alterado, arremessou uma garrafa contra um dos presentes e, em seguida, efetuou o disparo, sem que soubesse o motivo da reação.
Um cartucho deflagrado de munição calibre 9 milímetros foi entregue à polícia e apreendido. A arma usada, uma pistola, também foi recolhida, juntamente com munições intactas.
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