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Capital

Moradores resistem e desocupação no Parque do Sol dura quase dois dias

Cerca de 40 barracos foram desmanchados, apenas construções antigas foram mantidas de pé

Gabrielle Tavares | 21/03/2022 16:18
Mazin da Silva, 58, ao lado de seu barraco desmanchado. (Foto: Kísie Ainoã)
Mazin da Silva, 58, ao lado de seu barraco desmanchado. (Foto: Kísie Ainoã)

Mesmo com vigilância constante da GCM (Guarda Civil Metropolitana), moradores da ocupação no Parque do Sol resistem no local há mais de 24 horas e pretendem reerguer os barracos. “Não tem para onde ir”, relataram.

A desocupação foi realizada pela Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) em conjunto com a Guarda Civil Municipal de Campo Grande, na manhã de domingo (20).

A moradora Alessandra Benitez, 40, afirmou que cerca de 40 barracos foram derrubados, mas que deste total, metade abrigava moradores e não estavam vazios, como era o critério inicial informado para a desocupação.

Agora, as equipes continuam patrulhando o local e derrubaram os barracos que haviam sido reerguidos entre ontem e hoje.

“Estamos dormindo agora na casa da minha mãe: eu, meu marido e meus filhos. Minhas coisas estão um pouquinho em cada casa. Ontem, eles já chegaram derrubando a porta, a gente tava aqui dentro e fizeram a gente sair”, afirmou Alessandra.

Mazin da Silva, 58, está na ocupação há dois meses e foi um dos moradores que tiveram o barraco destruído. Ainda ontem, ele reergueu as paredes de madeira, mas elas foram derrubadas novamente nesta segunda-feira. Com tristeza no olhar, ele mostrou a pilha de entulhos, que antes, costumava ser o barraco.

“Ontem, eles derrubaram, aí, eu ergui de novo. Aí, quando cheguei aqui de manhã, estava tudo esculhambado de novo”, relatou.

Como está desempregado, pretende erguer o barraco pela terceira vez, nem que seja em outra comunidade. Enquanto não encontra trabalho, ele decidiu voltar para a escola e terminar o segundo ano do ensino fundamental.

Ele disse que é cadastrado na Agehab (Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul) para ganhar uma casa há quase 16 anos, mas nunca foi contemplado. "Sempre falam que não tem mais prédio", lamentou.

O barraco, de uma peça e um banheiro, não foi derrubado e agora, abriga nove pessoas. (Foto: Gabrielle Tavares)
O barraco, de uma peça e um banheiro, não foi derrubado e agora, abriga nove pessoas. (Foto: Gabrielle Tavares)

A moradora Rose Batista Melo, 46 anos, que já havia conversado com o Campo Grande News ontem, passou a noite de domingo abrigada no barraco de uma vizinha, que não foi demolido, junto com outras oito pessoas. Os móveis de dona Rose, uma cama, um fogão e armários, foram deixados ao relento, esperando a nova construção.

“Estamos esperando eles pararem de encher a paciência para fazer (o barraco).”

Em nota, a Semadur informou que a invasão de área pública é considerada ato infracional, de acordo com o Código de Polícia Administrativa do Município, previsto na Lei n. 2909, e que promoveu apenas as medidas cabíveis para “retirar os invasores”.

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