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Capital

Na Capital, 9ª maior rodovia do País é sinônimo de buraqueira, prejuízo e mortes

Do Núcleo Industrial até entroncamento com a BR-163, moradores, comerciantes e motoristas reclamam do asfalto

Por Caroline Maldonado | 19/06/2022 10:07
Rua Principal Número Um no bairro Núcleo Industrial é um trecho da BR-262 no perímetro urbano de Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)
Rua Principal Número Um no bairro Núcleo Industrial é um trecho da BR-262 no perímetro urbano de Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)

Quem passa e vê o quebra-molas destruído e o asfalto todo deformado, talvez não imagine, mas a Rua Principal Número Um, onde estudantes atravessam se arriscando entre os caminhões enormes, compõe trecho da BR-262. Essa é a nona maior rodovia do Brasil, que liga os estados do Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

Mais adiante, deixando o bairro Núcleo Industrial, a via leva o nome de Avenida Zilá Corrêa Machado, mas todo mundo conhece como um trecho do macroanel, que rodeia a Capital. Até o entroncamento com a BR-163, são 22 quilômetros de asfalto desgastado e buracos, que causam acidentes e mortes, segundo moradores.

Prejuízo - O que tantos buracos representam para um treminhão, com 34 pneus que suportam uma carga de 46 toneladas? “Desgaste e prejuízo”, responde o motorista Sudelman Scappin, de 40 anos, que carregou o veículo de pedra brita para levar à Maracaju, a 159 quilômetros de Campo Grande, nesta semana.

“O trecho está péssimo. Isso causa muito desgaste e prejuízo para o caminhão, principalmente para os pneus”, avalia o motorista, que paga R$ 3,3 mil toda vez que precisa trocar um pneu.

Motorista Sudelman Scappin, de 40 anos, em posto de combustíveis na Rua Principal Número Um, trecho da BR-262. (Foto: Henrique Kawaminami)
Motorista Sudelman Scappin, de 40 anos, em posto de combustíveis na Rua Principal Número Um, trecho da BR-262. (Foto: Henrique Kawaminami)

Agora imagine o que diversos caminhões desse tipo e até maiores passando a cada minuto sobre os buracos representam aos moradores do bairro. Morando há 25 anos no local, a dona de casa, Nair da Conceição dos Santos, de 55 anos, reclama da situação.

“Durante a noite, acordo com o barulho dos caminhões passando sobre esses buracos. Quando passa caminhão vazio, às vezes, é tanto barulho que parece que o caminhão está entrando em casa. Já morreram várias pessoas aí em acidente por causa de buraco. Ali perto da rotatória, não tem mais quebra-molas, está tudo destruído”, diz Nair.

Dona de casa Nair da Conceição dos Santos, de 55 anos, mora na Rua Principal Número Um, trecho da BR-262 no bairro Núcelo Industrial. (Foto: Henrique Kawaminani)
Dona de casa Nair da Conceição dos Santos, de 55 anos, mora na Rua Principal Número Um, trecho da BR-262 no bairro Núcelo Industrial. (Foto: Henrique Kawaminani)

Ao lado da casa dela, o empresário Diones da Silva Santana, de 40 anos, tem um lava-jato. Enquanto ele dá entrevista, passa um caminhão por minuto na rodovia e ele garante que tem horários em que o fluxo é muito maior.

“Das 4h às 7h passa muito mais caminhão. Só passa caminhão pesado. Os caminhoneiros dormem nos postos e saem para pegar a estrada. É justamente o horário em que as crianças estão indo para a escola. Falta uma travessia, um radar, porque passam muitas crianças ali”, conta.

Ele diz que os moradores já levaram a situação ao conhecimento das autoridades, mas não têm resposta sobre a implantação de um redutor de velocidades e travessia elevada.

Empresário Diones da Silva Santana, de 40 anos, tem um lava-jato, às margens da BR-262, no bairro Núcleo Industrial. (Foto: Henrique Kawaminami)
Empresário Diones da Silva Santana, de 40 anos, tem um lava-jato, às margens da BR-262, no bairro Núcleo Industrial. (Foto: Henrique Kawaminami)

Seguindo no trecho, rumo ao entroncamento com a BR-163, passando pela rotatória onde começa a Avenida Gunter Hans, atrás do Jardim Tarumã, os motoristas enfrentam mais buracos e deformidades no asfalto. Alguns pontos não têm pavimentação no acostamento.

Há um trecho com asfalto novo apenas próximo ao Porto Seco, um terminal intermodal para cargas de exportação e importação, construído pela Prefeitura da Capital. O local ainda não foi ativado.

Trecho da BR-262, entre o bairro Núcleo Industrial e a rotatória com a avenida Gunter Hans, atrás do Jardim Tarumã. (Foto: Henrique Kawaminami)
Trecho da BR-262, entre o bairro Núcleo Industrial e a rotatória com a avenida Gunter Hans, atrás do Jardim Tarumã. (Foto: Henrique Kawaminami)

Trabalhando com entrega de cimento e ferro, o motorista Juliano Nogueira, de 36 anos, também atesta a má qualidade do asfalto.

“Esse é o pior trecho do macroanel. Acontece muito acidente aqui por causa dos buracos. Um conhecido meu atingiu um motociclista quando desviou de um buraco. Ele jogou o carro para desviar e jogou a moto para fora da pista”, relata Juliano.

A reportagem espera resposta do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) sobre a previsão de manutenção da rodovia no trecho que vai do distrito Indubrasil até a BR-163 e compõe o macroanel.

Trecho da BR-262, desde a Rua Principal Número Um, no bairro Núcleo Industrial até o entroncamento com a BR-163. (Imagem: Google Maps)
Trecho da BR-262, desde a Rua Principal Número Um, no bairro Núcleo Industrial até o entroncamento com a BR-163. (Imagem: Google Maps)

Macroanel - Na BR-163, administrada pela concessionária CCR MSVia, o asfalto é bom, mas carros disputam espaço com caminhões em um fluxo intenso o dia todo, por isso a Prefeitura de Campo Grande planeja a construção de um novo anel rodoviário que ligará as saídas para São Paulo e Cuiabá.

Depois da BR-163, o macroanel continua a partir de um trevo em construção para lá do bairro Nova Lima, que vai dar acesso a uma estrada construída há 11 anos, que ainda vai receber sinalização até a rotatória do Inferninho.

Dali, o macroanel segue pelo anel rodoviário conhecido como "Valetão", trecho com asfalto e sinalização com boa qualidade, que termina na rotatória em que começa a Rua Principal Número Um, no bairro Núcleo Industrial. Este é o chamado macroanel, como mostra a imagem abaixo.

Rodovias e aneis rodoviários que compõem o macroanel, ao redor do perímetro urbano de Campo Grande. (Imagem: Google Maps)
Rodovias e aneis rodoviários que compõem o macroanel, ao redor do perímetro urbano de Campo Grande. (Imagem: Google Maps)


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