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Capital

“Não sei se ele vai sobreviver”, diz a mãe que não reconhece o filho queimado

Menino de 11 anos está intubado após sofrer queimaduras em cerca de 85% do corpo em Campo Grande

Por Gabi Cenciarelli e Clara Farias | 05/08/2026 15:36
“Não sei se ele vai sobreviver”, diz a mãe que não reconhece o filho queimado
Casa na Vila Popular onde o menino de 11 anos sofreu queimaduras graves e foi socorrido após o incidente envolvendo outro garoto. (Foto: Victória Costacurta)

"Eu tenho a foto do meu filho saudável. Agora, se você for lá ver ele, não é ele. É outra criança." A frase é da mãe do menino de 11 anos que permanece intubado na Santa Casa depois de sofrer queimaduras em cerca de 85% do corpo. Chorando durante entrevista ao Campo Grande News, ela contou que ainda não sabe se conseguirá reconhecer o filho quando entrar no horário de visitas e vive a angústia de esperar notícias sobre a recuperação da criança.

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Menino de 11 anos permanece intubado na Santa Casa com queimaduras em 85% do corpo após incidente com colega de 12 anos em Campo Grande. A mãe relatou desespero ao Campo Grande News. O caso, inicialmente tratado como acidente, passou a ser investigado como ato infracional análogo a tentativa de homicídio, pois a vítima afirmou que o colega ateou fogo nele após discussão, versão negada pelo adolescente.

"Eu vi toda a pele saindo do corpo dele. Agora eu vou entrar para vê-lo de novo e não sei como vou encontrar meu filho. Não sei se ele vai sobreviver", disse.

A mulher conta que soube do acidente enquanto trabalhava. Até então, nem imaginava que o filho havia faltado à escola e muito menos que estava na casa do outro menino envolvido no caso.

"Eu nem sabia que ele tinha ido para lá. Eles nem tinham mais amizade. Eu não sei por que eles se encontraram."

Segundo ela, os dois haviam se desentendido algum tempo antes e, desde então, ela orientava o filho a manter distância.

"Eu já tinha afastado ele daquele menino. Não sei por que ele foi para lá."

Em meio ao desespero, a mãe fez questão de agradecer quem, segundo ela, foi decisivo para salvar a vida do garoto. Ela também pediu que fosse corrigida uma informação divulgada anteriormente de que a mulher seria madrasta da criança.

"Ela não é madrasta. É uma amiga minha. Foi um anjo na minha vida. Se ela não tivesse ajudado meu filho, ele tinha morrido na frente daquela casa."

Segundo a mãe, a amiga prestou os primeiros socorros logo depois que o menino saiu da residência pedindo ajuda. Ela afirma que não havia nenhum adulto na casa onde tudo aconteceu.

"A família dele não ajudou porque não tinha ninguém lá. Só estavam os dois."

A ausência de responsáveis também consta no boletim de ocorrência. Conforme o registro, policiais encontraram apenas o adolescente de 12 anos na residência e precisaram aguardar a chegada de um responsável.

A mulher ainda disse que, desde o acidente, apenas a mãe do outro garoto tentou entrar em contato.

"Ela me ligou para pedir desculpas, mas eu não consegui atender. Ninguém foi à Santa Casa perguntar como meu filho está."

Investigação mudou de rumo

Enquanto a família aguarda a recuperação da criança, a investigação passou a seguir outra linha. A delegada Daniela Kades, da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), informou ao Campo Grande News que o caso deixou de ser tratado apenas como um acidente após o relato feito pela própria vítima antes de ser intubada.

Segundo a delegada, o menino afirmou aos profissionais de saúde que o colega teria ateado fogo nele após uma discussão. A versão contradiz o depoimento do adolescente de 12 anos, que disse à polícia que os dois brincavam com álcool quando o combustível entrou em combustão acidentalmente.

Por isso, o caso passou a ser investigado como ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

O pai do adolescente afirmou à reportagem que está "arrasado" com o ocorrido e disse acreditar que tudo aconteceu durante uma brincadeira. "Nunca imaginei que aconteceria uma coisa dessas. Me preocupo principalmente com o menino que está internado", afirmou.

Agora, a Polícia Civil busca esclarecer qual das versões corresponde ao que ocorreu na tarde de terça-feira (4). Enquanto isso, caberá à Justiça da Infância decidir se o adolescente responderá em liberdade ou será submetido à internação provisória durante a investigação.

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