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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

18/05/2012 10:33

O apelo de quem mora e trabalha na Coronel Antonino por segurança

Luciana Brazil
População luta pela ativação do posto policial. (Foto:Predo Peralta)População luta pela ativação do posto policial. (Foto:Predo Peralta)

A avenida Coronel Antonino, em Campo Grande, é cenário constantes de assaltos e arrombamentos. Com grande concentração de agências bancárias, concessionárias de veículos, lotéricas, além de outros estabelecimentos, o lugar se tornou alvo fácil para marginais.

Um posto policial que funcionava na esquina da Coronel Antonino, com a rua Enoch Vieira de Almeida, foi desativado há alguns anos. O local está abandonado e já foi pichado. Agora, comerciantes e moradores lutam para que o posto seja acionado e possa trazer um pouco mais de segurança.

Para a Sejusp/MS (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul) um posto policial no local é inadequado, conforme um documento assinado pelo secretario Wantuir Jacini, no dia 6 de abril de 2011. O documento surgiu em resposta a abaixo-assinado da população local que pedia a reativação do policiamento.

O documento foi entregue no dia 23 de março do ano passado, com quase 700 assinaturas. A moradora Neide de Oliveira, revoltada com a quantidade de crimes e com a falta de segurança, encabeçou a solicitação. “Quando as coisas não estão boas não adianta reclamar, é preciso fazer alguma coisa”. Segundo ela, a região precisa de policiamento constante.

No perímetro de uma quadra, praticamente todos os estabelecimentos já foram assaltados ou arrombados. “É mais fácil dizer qual deles não foi”, confirma Neide.

O posto policial, construído pelos próprios moradores e proprietários de estabelecimentos da região, surgiu depois de uma história trágica, quando um funcionário dos Correios morreu durante um assalto. A Sejusp teria disponibilizado apenas o efetivo para o posto, como contaram os moradores. Porém, após algum tempo, sem que a população soubesse o motivo, o local foi desativado. Agora os moradores e comerciantes esperam que o policiamento esteja novamente presente no lugar.

Tragédia em 2000- A história começou de forma cruel, em 2000. Um assalto na empresa dos Correios, também localizada na avenida Coronel Antonino, terminou da pior forma, com a morte de um funcionário. Márcio Nogueira da Silva, na época com 21 anos, levou dois tiros depois que três homens anunciaram o assalto.

“Éramos três caixas, o Márcio estava em um deles. Os bandidos entraram no Correiode forma natural. Ninguém desconfiou. Um deles entrou e ficou conferindo um jogo e os outros dois entraram na fila. Na hora que chegou a vez deles, eles sacaram a arma. Eles anunciaram o assalto na hora que chegaram à boca do caixa”, contou o funcionário Humberto Barbosa, 51 anos, que continua trabalhando na empresa.

Segundo ele, os bandidos mandaram Márcio ir para os fundos da loja. “Nós já tínhamos retirado o dinheiro do caixa porque o carro forte já ia passar. A gente não sabe o que aconteceu. Nós só ouvimos os tiros”, contou incomodado. Humberto diz que a experiência foi traumatizante e ressalta que não gosta de falar sobre o assunto. O irmão gêmeo de Márcio também trabalhava nos Correios e abandonou o lugar depois do crime.

Mencionando os vários bancos que ficam na região, o proprietário dos Correios, Denas Lugo, acredita que o local é propício para esse tipo de crime. Segundo ele, a empresa de segurança privada, que estava nos Correios no dia do assalto, não foi suficiente para inibir a ação. “Nós precisávamos do apoio da segurança pública”, explicou.

Traumatizado o gerente de uma loja, assaltada duas vezes, diz que a experiência é terrivel. (Foto:Pedro Peralta)Traumatizado o gerente de uma loja, assaltada duas vezes, diz que a experiência é terrivel. (Foto:Pedro Peralta)

Depois da tragédia, no ano seguinte, o posto foi construído e recebeu o nome do jovem que perdeu a vida de forma estúpida. A “Veladoria da Policia Comunitária Márcio Nogueira da Silva”, agora, poderá ser demolida e a insegurança continuará a reinar, temem os moradores.

O gerente de uma loja de produtos veterinários, Valdemir Alves de Oliveira, afirma que ao ver policiais nas redondezas, os bandidos “correm”. “Quem não quer a segurança do poder publico. Seria ótimo se eles pudessem estar por perto”. O gerente ainda frisou que a ativação do posto seria essencial para uma região que é cheia de bancos e lojas.

“Nós já fomos assaltados duas vezes. Eu fiquei com o revólver na cara e agora sempre que entra algum cliente de capacete eu já peço para que tire imediatamente”, disse se referindo à ação dos bandidos que entraram na loja de capacete para esconder o rosto.

Em frente ao posto policial, um restaurante já foi assaltado quatro vezes. “Duas vezes nós fomos arrombados e duas vezes assaltados”, conta Beno Wondracek, proprietário do estabelecimento.

O dono de outro restaurante, Carlos Ernani Schadler, 44 anos, que já foi assaltado seis vezes, também foi vítima de um sequestro, há algum tempo, em frente ao posto desativado. “Era 21 horas, eu estava fechando o comércio.

Dois homens entraram e pediram que eu, e mais dois clientes, um deles um coronel aposentado da Polícia Militar, entrássemos na caminhonete do meu cliente. Nos levaram para a saída de Rochedinho e ficamos no mato por mais de 4 horas”.

Comerciante tenta melhorar a pequena praça onde está o posto policial. (Foto:Pedro Peralta)Comerciante tenta melhorar a pequena praça onde está o posto policial. (Foto:Pedro Peralta)

Segundo Carlos, a região é propícia à fuga rápida dos bandidos, já que é caminho para uma rodovia, a BR-163. “Agora eu fico receoso. Quando chega o fim do dia a gente já fica preocupado. Nós temos direito de segurança e isso não está acontecendo”.

Segundo Neide de Oliveira, depois do documento encaminhado à Sejusp, a Polícia Militar tem feito policiamento com motociclistas, mas não é o ideal.

Na pequena praça, onde fica a unidade policial, um comerciante, por meio de um convênio com a Prefeitura, tenta melhorar a aparência do local. Já providenciou plantas e grama para serem colocadas na praça. Na manhã desta quinta-feira as obras já tinham começado.

Sejusp e PM: Em resposta sobre as condições da região, repassadas pela equipe do Campo Grande News, o subcomandante do CPM (Comando de Policiamento Metropolitano) da Polícia Militar, tenente-coronel Messias Lima de Mesquita, informou que será feito na região um estudo de situação onde serão analisadas as ocorrências e episódios da região.

Conforme informou o coronel, a população receberá uma resposta policial sobre a circunstância atual do local. “A situação é dinâmica. Nós temos um efetivo X e um problema de segurança pública. Se o problema migra de um local Y para Z, nós temos que remanejar o efetivo”.

Segundo o oficial, a PM tem um planejamento e o trabalho com a Sejusp acontece de forma “harmônica”. “A Sejusp é o ente gestor e se ela nega algum pedido é sempre baseada em algum estudo e geralmente, feitos por nós mesmos. Se a PM diz que um local precisa de reforço policial, é muito difícil que haja empecilho da Sejusp”, explicou o coronel.

A Policia Militar tem dado prioridade para o rádio-patrulhamento feito com guarnições, segundo o tenente-coronel. “Quando se coloca o posto policial, o serviço fica engessado porque o policiamento fica fixo em uma região. Com a viatura o policiamento fica mais efetivo. Mas a população acredita mais na segurança objetiva que é aquela quando ele vê os policiais. A segurança subjetiva é quando a população sabe que poder contar. Ou seja, se precisar de alguma coisa, ele vai entrar em contato”, explicou.

A Sejusp, por meio da assessoria de imprensa, informou que devido à agenda do secretário, não foi possível, ainda, obter uma resposta sobre o caso. Mas informou que no mesmo documento, onde dizia que a ativação do posto não seria possível, pedia ao batalhão responsável pela área que fosse feito policiamento reforçado no local.



Parabéns Neide Oliveira, pela iniciativa e persistência em ativar um Posto Policial neste Bairro, por que o posto mais próximo para atender a região Norte é no Bairro Nova Lima. E obrigada por intermediar pelos moradores e comerciários da região.
 
Dara Oliveira em 18/05/2012 12:56:52
O Conselho de Segurança do Centro de Campo Grande
é formado por pessoas que ja foram vitimas da insegurança.
Estamos motivando as pessoas a adotarem um comportamento de Indignação e cobrança de mais recursos para a Segurança Pública. A policia em geral tem todo dia que fazer milagre para dar o minimo de atendimento. Chega de milagreiros! Queremos mais policiais, viaturas e estrutura.
 
adelaido luiz spinosa vila em 18/05/2012 12:49:19
A vida de todos continua normalmente. A minha não. Não há um dia sequer que não me recordo do meu irmão, e dele morrendo em meus braços, sem eu poder fazer nada. Somente sabe dessa dor, quem por ela passa. Infelizmente, sempre é assim, após inauguração, fotos, noticias jornalísticas, todos esquecem. As autoridades esquecem, não se importam com as demais pessoas. Mas eu, jamais esquecerei.
 
marcelo nogueira em 18/05/2012 11:52:58
O governo pagar hora extra para policiais fazerem policiamento no horario de folga, em locais assim seria uma saida oportuna tanto para policiais quanto para poçpulação aclamante.
 
leandro leao em 18/05/2012 11:33:25
Não adianta colocar policial pra prender os bandidos, êles prende todos ser for o caso. mas não adianta, A justiça solta todos êles no dia seguinte. já ixiste lei pra bandido. pra que ficar correndo atrás de malandro. só vai gastar gasolina!
Já existe ajuda de custo pra malandro dentro da cadeia. Esse e o nosso Brasil!!!!
 
daniel mendes neto em 18/05/2012 11:30:14
É isso aí Neidinha. Vamos fazer valer os nossos direitos, pois a segurança pública é o mínimo que o poder público deve nos oferecer.
 
Maria Tereza Silveira de Oliveira em 18/05/2012 11:12:13
reunião foi feita promessas tb todoas as policias estavam representadas civil e militar
muitos empresarios esperamos que realmente surta efeito positivio no mais so esperamos em Deus
 
isaura crestani em 18/05/2012 11:11:19
A segurança está faltando em todos os bairros de Campo Grande, de ponta a ponta na cidade as histórias de furtos, assaltos e violência em geral são constantes, nunca se vê viaturas pelas ruas da capital fazendo rondas só em caso de algum fato grave ocorrido, é uma pena logo estaremos como São Paulo ou outra grande capital em níveis de violência.
 
Anna Claudia Rodrigues em 18/05/2012 11:07:12
É isso ai garota, sou seu fã pela pessoa especial que é. Sem contar a sabedoria, responsabilidade, comprometimento,iniciativa, apesar de ser muita coisa é simples e humilde com as pessoas.Não tenho palavras para falar de você, grande amiga dos fracos e oprimidos e principalmente defensora dos animais.O que esperar de um ser humano desse?
Neydoca, sabemos da sua luta em diversas coisas, essa da
 
juan charlymoon em 18/05/2012 02:05:57
estado rico que arrecada muito....Nós população, VOTANTE e PAGANTE queremos retormo na Saúde, Educação e SEGURANÇA.
Sou uma INDIGNADA, com a morosidade e falta de respeito dos poderes públicos para com a sociedade.
 
Neyde de Oliveira em 18/05/2012 01:42:16
Concordo com o Adelaido luiz, realmente nossos policiais trabalham no limite...ora é falta de viaturas, muitos armamentos ultrapassados para realidade dos crimes, falta de material humano(policiais),falta de estrutura geral. Inclusive, ouvi de um policial que é difícil para Segurança, manter o referido posto policial da matéria, justamente por falta de estrutura.Mas por outro lado, vivemos em um
 
Neyde de Oliveira em 18/05/2012 01:36:56
Segurança Pública, é garantida pela nossa Constituição Brasileira,mas...por questões políticas não é levada a sério, e o povo, na sua humilde ignorância ou descrença no Poder Público, vai deixando rolar solto.
O povo, desconhece o poder que têm, afinal, a União faz a força...Povo UNIDO é sociedade fortalecida.
Obrigada!mais uma vez ao C.Gde News.
 
neyde de oliveira em 18/05/2012 01:09:21
Perfeita!!! a matérial ficou EXCELENTE.... parabéns à Luciana e ao Pedro(fotógrafo).Muito obrigada a Ana Paula da redação pelo espaço disponibilizado.
Fiquei emocionada com o relato do Marcelo, suas palvras foram pontuais.
Sempre foi minha preocupação a segurança naquela região, já presenciei muitos fatos marcantes, inclusive, lembro perfeitamente da morte do Márcio, irmão gêmeo do Marcelo.
 
Neyde de Oliveira em 18/05/2012 01:01:11
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