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Capital

Paciente relata que nunca soube quais produtos clínica interditada usava

Denúncia surge após fiscalização que encontrou materiais irregulares e medicamentos vencidos

Por Bruna Marques | 29/11/2025 14:36
Paciente relata que nunca soube quais produtos clínica interditada usava
Área de atendimento da clínica com diversos produtos expostos nas prateleiras, sem a devida organização e controle (Foto: Divulgação)

Paciente de 34 anos, auxiliar de secretária, encaminhada à delegacia após estar na clínica All In Stetic & Laser, localizada no Bairro Cidade Morena, em Campo Grande, durante a fiscalização realizada na manhã desta sexta-feira (28), relatou em depoimento que nunca foi informada sobre quais produtos eram utilizados nela durante os procedimentos. A operação, realizada pela Vigilância Sanitária e pela Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), resultou na interdição do estabelecimento e na prisão de três funcionárias.

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Uma clínica estética em Campo Grande foi interditada após fiscalização da Vigilância Sanitária e da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo. Três funcionárias da All In Stetic & Laser foram presas durante a operação, que encontrou produtos vencidos e irregulares no estabelecimento.A clínica acumula denúncias graves na Justiça, incluindo um caso de queimaduras após procedimento de criolipólise. Uma paciente relatou nunca ter sido informada sobre os produtos utilizados em seus procedimentos, que incluíam botox e preenchimento labial. A proprietária do estabelecimento, Jéssica Parzianello Lopes, não foi localizada durante a fiscalização.

Em seu depoimento à polícia, a paciente relatou que, após encontrar a clínica através de uma pesquisa na internet e entrar em contato por telefone, fechou um pacote para depilação a laser. Durante as sessões de depilação a laser com Greice Kelly, uma das profissionais da clínica, a paciente foi convencida a realizar outros procedimentos, como botox e preenchimento labial, pelos quais pagou R$ 650,00 cada. Embora ela não tenha se lembrado do valor exato pago pela depilação, mencionou que seria cerca de mil reais. Os procedimentos foram pagos parcialmente à vista e o restante via cartão de crédito.

Paciente relata que nunca soube quais produtos clínica interditada usava
Diversos materiais estéticos apreendidos, incluindo seringas e medicamentos não registrados (Foto: Divulgação)

No dia 07 de novembro, a paciente fez os procedimentos de botox na região da testa e preenchimento labial, sempre com a mesma profissional, Greice Kelly. A paciente afirmou que Greice lhe disse que tinha autorização para realizar tais procedimentos, mas ela não foi informada sobre os produtos utilizados. Além disso, foi agendado um retorno para o preenchimento labial na data de ontem, com o custo do retorno já incluso no valor pago. Ao chegar no local no dia do retorno, a recepcionista informou que não havia consulta agendada para ela, e a paciente foi informada da fiscalização no estabelecimento.

A fiscalização encontrou materiais irregulares, como Lipostabil, toxina Xeomin e ácido hialurônico vencidos, além de medicamentos restritos e outros itens armazenados de forma irregular. Durante a ação, Jaqueline Franciele de Oliveira foi presa em flagrante. Ela se apresentou inicialmente como paciente, mas acabou confessando ser funcionária da clínica. Jaqueline estava com uma mochila contendo os produtos ilegais, alguns dos quais estavam prescritos para a proprietária da clínica, Jéssica Parzianello Lopes, que não foi encontrada durante a fiscalização. Jaqueline também admitiu que, além de divulgar os serviços da clínica em suas redes sociais, realizava a limpeza do local semanalmente, mas não executava os procedimentos estéticos.

Paciente relata que nunca soube quais produtos clínica interditada usava
Ampolas e frascos com validade expirada, indicativos de práticas irregulares no local (Foto: Divulgação)

Greice Kelly da Silva Savala, outra funcionária presa, foi interrogada e afirmou que a proprietária era responsável pela aquisição dos produtos utilizados na clínica. Ela confirmou o uso de Lipostabil, ácido hialurônico e outros materiais, mas alegou que os produtos vencidos encontrados na clínica estavam separados e não seriam utilizados nos clientes. Greice também confirmou que a diluição da toxina botulínica e a aplicação dos produtos eram realizadas pela proprietária da clínica.

Gislane Leite Rodrigues, recepcionista da clínica, também foi presa. Ela afirmou que não tinha conhecimento dos produtos encontrados durante a fiscalização e que sua função na clínica era realizar drenagens corporais e atender na recepção. Segundo Gislane, Jaqueline era responsável pela limpeza da clínica, mas ela não manipulava os medicamentos ou produtos citados.

As três funcionárias foram levadas para a audiência de custódia no sábado (29), onde o juiz Deyvis Ecco concedeu liberdade provisória a elas. A clínica, que estava registrada como sede desde 2024 após mudança no contrato social, permanece interditada enquanto as investigações continuam. A proprietária ainda não foi localizada, mas a situação da clínica e as irregularidades encontradas na fiscalização levantam sérias preocupações sobre a segurança e a legalidade dos procedimentos estéticos oferecidos no local.

Denúncias graves - A clínica já acumula ao menos duas denúncias graves na Justiça por procedimentos estéticos que terminaram em lesões, dores intensas e sequelas permanentes. Uma das vítimas, Fabiana Santos de Souza, 41 anos, sofreu queimaduras na barriga após uma sessão de criolipólise realizada em novembro de 2024. Ela acabou internada e hoje move um processo que pede mais de R$ 100 mil em indenização contra a empresa, representada pela biomédica e proprietária Jéssica Parzianello Lopes.

Fabiana conta que começou a sentir dor ainda dentro da sala de atendimento. Ela relata que avisou a profissional responsável, mas ouviu que era normal. A dor aumentou durante o trajeto para casa. No banheiro, encontrou a barriga vermelha, com a pele soltando líquido e a calcinha grudada por causa das lesões. A clínica respondeu às primeiras mensagens com o envio de uma pomada, mas, segundo ela, não prestou mais apoio. No dia seguinte, Fabiana foi para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário e, diante do agravamento das bolhas e da dor, acabou internada na Santa Casa por quase cinco dias. “Foi muita dor, muito sofrimento. Eles só me mandaram pomada no começo e depois sumiram. Quando precisei de verdade, não me ajudaram”, afirma.

Paciente relata que nunca soube quais produtos clínica interditada usava
Sérum e produtos de uso estético encontrados nas instalações da clínica (Foto: Divulgação)

A vítima conta que passou por raspagem da área queimada, ficou exposta nos corredores das unidades de saúde porque não podia vestir camiseta e viveu situações de constrangimento até conseguir a transferência hospitalar. A perícia médica no processo judicial ainda não tem data marcada, mas Fabiana já participou de audiência em que não houve acordo, porque a defesa da clínica afirmou que não faria proposta. Ela diz acreditar que a queimadura ocorreu porque a manta usada na criolipólise era inadequada.

Esse não é o único processo envolvendo a empresa. Em 31 de julho de 2023, outra cliente contratou um pacote estético na unidade que funcionava no Bairro Santa Fé e contestou judicialmente a falta de resultados após meses de sessões. O contrato foi protestado após suposto atraso no pagamento, e ela levou o caso ao Juizado Especial Cível em 2024. A All In Stetic apresentou defesa e alegou que a vítima faltou com os pagamentos, mas o processo segue em tramitação, com contestações e manifestações.

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