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Capital

"Piloto do PCC" se compara a réu da Omertà e fala em "golpe" da acusação

Felipe Ramos de Moraes foi arrolado por Marcelo Rios, ex-guarda civil cuja prisão foi estopim da investigação

Por Marta Ferreira | 05/05/2021 19:52
Felipe Ramos de Moraes depôs em processo da operação Omertà em fevereiro, quando ainda estava no presídio federal de Campo Grande. (Foto: Reprodução de processo)
Felipe Ramos de Moraes depôs em processo da operação Omertà em fevereiro, quando ainda estava no presídio federal de Campo Grande. (Foto: Reprodução de processo)

Liberado pela da Justiça do Ceará, o piloto Felipe Ramos de Moraes, 34 anos, que estava preso até duas semanas atrás em Campo Grande por envolvimento na execução de duas lideranças nacionais do PCC, já deixou Mato Grosso do Sul. Mas sua passagem por aqui segue rendendo polêmica.

Testemunha da defesa do preso que foi o estopim da operação Omertá, contra milícia armada acusada de manter escritório de pistolagem, ele diz que o réu em questão, o ex-guarda civil metropolitano de Campo Grande Marcelio Rios, 43 anos, foi vítima de “golpe” das autoridades responsáveis pela investigação.

Compara a situação à sua, que travou disputa judicial relacionada a acordo de delação premiada no Judiciário cearense, como parte das apurações da emboscada feita em 2018 para "Gegê do Mangue" e "Paca", chefes do Primeiro Comando da Capital mortos depois de serem transportados de helicóptero pilotado por Felipe.

A afirmação foi feita ao Campo Grande News, que conversou com o ex-interno do presídio campo-grandense, em local desconhecido. Nas palavras dele, coincidentes com a tese da defesa de Marcelo Rios, a força-tarefa fez espécie de “coação” com Marcelo, para conseguir informações que baseassem a acusação.

Diz isso também em relação ao depoimento da esposa do ex-guarda, Eliane Benitez, que é uma das peças chaves da primeira fase da Omertà.

Na cadeia desde maio de 2020, quando apontou paiol onde estava arsenal atribuído ao grupo criminoso, Marcelo Rios é réu por participação em infrações penais que começam em posse ilegal e tráfico de armas e chegam a execuções de desafetos da organização alvo da Omertà.

O “piloto do PCC”, como Felipe ficou conhecido, conviveu com o ex-servidor da segurança pública na mesma “vivência”, ou ala, do presídio federal, antes que ele fosse transferido para a unidade prisional de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Por isso, segundo a defesa de Rios, foi arrolado como testemunha.

O que disse - Em 21 de fevereiro deste ano, Felipe prestou depoimento em um dos processos decorrentes da Omertà, referente à execução de Marcel Colombo Hernandez, o “Playboy da Mansão”, ocorrida em 26 de outubro de 2018.

Ao juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara Criminal, no final da audiência, quando foi perguntado se queria dizer algo mais, falou sobre considerar “grave” o que aconteceu com o ex-colega de presídio. Diz ter sido "mais ou menos" o que aconteceu com ele.

Para o depoente, foram obtidas provas ilícitas a partir de declarações de Marcelo Rios e da esposa dele.

No próximo dia 20 de maio, o piloto está convocado novamente para depor, dessa vez no processo contra sete réus pela execução de Ilson Martins de Figueiredo, chefe de segurança da Assembleia Legislativa, também em tramitação na 2ª Vara do Tribunal do Júri. A vítima foi metralhada na Avenida Guaicurus, depois de ter o carro fechado por veículo onde estavam os atiradores.

Marcelo Rios quando foi preso, em maio de 2019. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Marcelo Rios quando foi preso, em maio de 2019. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Entre os réus, está Marcelo Rios, além de Jamil Name e Jamil Name Filho, para quem ele trabalhou como segurança, segundo a acusação, além de Fahd Jamil e o filho, Flavio Correa Jamil Georges.

Em todas as peças da acusação contra Marcelo Rios, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) afirma que o conjunto probatório conta ele vai além das declarações feitas pelo casal. Ambos, segundo consta dos processos, chegaram a negociar colaboração premiada, e acabaram desistindo no meio do processo.

Indefinido - Na audiência do próximo dia 20, a participação de Felipe é incerta. Depois da soltura pela Justiça do Ceará, seu paradeiro é desconhecido, por ser tratado, agora como um inimigo do PCC.

Na breve conversa com o Campo Grande News, Felipe nega ser integrante do partido criminoso. Diz que foi contratado para um serviço de transporte e desconhecia que estava levando as lideranças da facção para serem executadas.

Se coloca na condição de colaborador da investigação no momento e promete revelações impactantes, sem detalhar.

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