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Capital

Polícia indicia "Fuad" e o filho por execução de sargento há 2 anos na Capital

O inquérito, enviado à Justiça nesta quarta-feira também aponta como envolvidos no crime o empresário Jamil Name e o filho dele

Por Marta Ferreira | 13/08/2020 12:53
Carro onde estava a vítima de execução no local do crime, alvejado de tiros. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Carro onde estava a vítima de execução no local do crime, alvejado de tiros. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Foi enviado para a Justiça nesta quarta-feira (12) o inquérito sobre a execução do chefe da segurança da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, em junho de 2018.  A conclusão é de que o sargento aposentado da Polícia Militar Ilson Martins Figueiredo, de 62 anos, foi vítima de crime de pistolagem, sob encomenda de Fahd Jamil, 79 anos, que está foragido, com prisão preventiva decretada desde junho deste ano sob acusação de chefiar milícia armada.

Foram sete enquadrados em homicídio doloso. Além de “Fuad”, como é conhecido o empresário de Ponta Porã, foi indiciado o filho dele Flávio Correa Jamil Georges, também foragido, o empresário campo-grandense Jamil Name, 81 anos, e o filho, Jamilzinho. Os Name estão presos na penitenciária de segurança máxima de Mossoró (RN) por outros crimes dos quais são réus.

Movimentação no local onde o sargento Figueiredo foi morto. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Movimentação no local onde o sargento Figueiredo foi morto. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Conforme a investigação jornalística, também foram indiciados por participação na execução Melcíades Aldana, o “Mariscal”, indicado como chefe de segurança de Fahd Jamil, e dois ex-guardas civis municipais de Campo Grande Juanil Miranda Lima e Marcelo Rios.

Juanil está foragido e Marcelo preso em Mossoró.

A execução ocorreu na Avenida Guairucurus,  no dia 11 de junho de 2018, quando o carro de Figueiredo, um Kia Sportage, foi interceptado por outro veículo onde estava o atirador, uma picape Fiat Toro vermelha. Foram disparados mais de 30 tiros de fuzil AK-47.

O utilitário foi encontrado incendiado minutos depois em estrada vicinal, na saída para São Paulo, próximo à BR-163.

Conforme apurado pela força-tarefa, Figueiredo foi vítima de vingança pela morte do filho de "Fuad", Daniel Jamil Georges, que sumiu em Campo Grande em 2011 e teve o óbito declarado no ano passado.

Os cinco delegados de Polícia Civil da força-tarefa pediram a prisão de todos os envolvidos.

Agora, o caso vai para a responsabilidade do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que cuida da denúncia oficial. Depois, o juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri aprecia a peça acusatória e inicia a ação criminal.

Omertà - É o terceiro caso de crime de pistolagem elucidado pela força-tarefa da Polícia Civil liderada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), criada em outubro de 2019 para apurar assassinatos atribuídos a organização criminosa especializada em eliminar desafetos.

Essa investigação derivou na Omertà, operação desencadeada em setembro do ano passado, que identificou grupo criminoso em Campo Grande, com mais de vinte integrantes, dedicado a executar inimigos com armas pesadas.

Neste ano, foi apontada a existência de milícia em Ponta Porã, igualmente com pelo menos duas dezenas de membros. Há entre eles, policiais civis, inclusive um delegado, ex-guardas civis, um policial federal e um policial militar.

As duas organizações criminosas, segundo as denúncias do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) se apoiavam e formavam espécie de consórcio para comprar armas usadas para crimes, entre eles os assassinatos.

Veículo usado para o crime foi incendiado pouco tempo depois. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Veículo usado para o crime foi incendiado pouco tempo depois. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)


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