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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

24/10/2014 17:13

Prefeitura libera verba atrasada e Santa Casa coloca salários em dia

Lidiane Kober
Santa Casa precisa resolver impasse até 5 de novembro, quando termina convênio com a prefeitura (Foto: Arquivo)Santa Casa precisa resolver impasse até 5 de novembro, quando termina convênio com a prefeitura (Foto: Arquivo)

A Prefeitura de Campo Grande liberou à Santa Casa R$ 3,6 milhões, referentes a quase cinco parcelas atrasadas de convênio, e o hospital colocou em dias os salários dos funcionários. Em agosto, os médicos receberam apenas 50% da remuneração e, no mês passado, ganharam o equivalente a 70% da verba. O atraso, somado à falta de reajuste salarial desde 2012, resultou em ameaça de paralisação dos serviços.

O recurso, liberado pela administração municipal, é referente as parcelas de R$ 750 mil dos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e mais R$ 600 mil de maio. O convênio foi firmado em novembro de 2004 para o hospital conseguir empréstimo no sentido de quitar dívidas. Na época, a prefeitura se comprometeu em ajudar a pagá-lo.

O dinheiro veio em mais um momento de crise e tensão na Santa Casa, administrada pela Associação Beneficente de Campo Grande. A entidade alega que não suporta mais conviver com déficit mensal de mais de R$ 4 milhões e colocou a prefeitura contra a parede. Se não receber ajuda, a ordem é entregar o pronto-socorro para a gestão municipal administrar.

A decisão surgiu justamente por causa da crise financeira. Segundo a direção, 90% do atendimento é público, mas os R$ 15,7 milhões, repassados mensalmente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), não seriam suficientes para bancar o serviço. A falta de recursos obrigou a Santa Casa a pagar, desde agosto, só parte dos fornecedores e, entre os funcionários, quem recebe acima de R$ 5 mil, ganhou de 50% a 70% do salário.

A medida atingiu em cheio os médicos, que já andavam insatisfeitos por estar há três anos sem reajuste salarial. Neste sentido, o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) ameaçou greve se a categoria patronal não se manifestasse. Na Santa Casa, o salário dos 3,1 mil funcionários representa 65% da despesa mensal de R$ 20,7 milhões.

Com os salários em dia, o sindicato realizará novas assembleias para decidir o destino. Por meio da assessoria de imprensa, o Sinmed-MS admitiu que os “ânimos se acalmaram”. “Um problema a menos”, comentou o presidente da Associação Beneficente de Campo Grande, Wilson Teslenco.

Ele, porém, foi enfático ao afirmar que o “pepino” ainda é grande, principalmente, por que se aproxima o dia 5 de novembro, prazo final do convênio da prefeitura com a Santa Casa. Se até lá, a administração municipal não ampliar o repasse para suprir o déficit mensal, o pronto-socorro será fechado. “Na segunda-feira (27), vamos atrás do prefeito (Gilmar Olarte) e do secretário de Saúde (Jamal Salem) para ter uma posição”, disse Teslenco.

Em audiência pública recente, o secretário informou que um montante de R$ 2 milhões será destinado ao órgão, a partir de fevereiro do ano que vem. “Agora, cabe ao Estado e ao Ministério da Saúde fazerem sua parte. Com um bom diálogo entre Santa Casa, Governo, Executivo e Legislativo conseguiremos resolver esse problema”, opinou Jamal.

Teslenco, por sua vez, deixa claro que R$ 2 milhões não resolvem o problema. Por mês, a Santa Casa atende 7 mil pessoas só no pronto socorro e realiza de 2,2 mil a 2,5 mil cirurgias. Apesar disso, o estabelecimento, com 642 leitos, recebe R$ 15,7 milhões do SUS, enquanto o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian, com 350 leitos e 1,1 mil cirurgias mensais, ganha R$ 21 milhões do Governo estadual.



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