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Capital

Psicóloga tentou ouvir menina assassinada, mas ela chorava ao ficar sem o pai

Relatório de depoimento especial, de 22 de novembro do ano passado, foi concluído sem ouvir a criança

Lucia Morel | 14/02/2023 18:45
Área da sala de escuta especial da Depca. (Foto: Henrique Kawaminami)
Área da sala de escuta especial da Depca. (Foto: Henrique Kawaminami)

Em novembro do ano passado, quando o pai da menina foi até a DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) registrar o segundo boletim de ocorrência por suspeita de maus-tratos à filha, a psicóloga tentou ouvi-la, mas a criança não quis ficar na sala sem o genitor, o que impediu que ela pudesse ser avaliada.

O relatório de escuta especial é do dia 22 de novembro, quando Jean Carlos Ocampo da Rosa foi até a delegacia com a menina, que estava com a perna engessada do joelho até os pés. A menina não quis entrar na sala de escuta sozinha e ao chegar acompanhada do pai, aparentava estar calma e tranquila.

“Quando falamos que o pai iria deixá-la para conversar conosco, começou a chorar e não quis ficar na sala. Tentamos ficar com ela, mas como vimos que não iria ficar, deixamos ir com o pai, respeitando sua vontade”, diz trecho do documento.

O relatório termina concluindo que devido à “tenra idade” e pelo fato de a criança não ficar sem a companhia do pai para a escuta, não pôde ser ouvida e que no pouco tempo que permaneceu na sala, “não confirmou e nem negou ter sido vítima de violação de direito”.

Nesses casos, a escuta especial é conduzida através de técnicas que conseguem revelar a ocorrência ou não de violência, independente da idade da criança. O relatório da escuta demonstrou ainda que, no dia 22 de novembro, ela estava “bem, ao menos aparentemente” e que demonstrava “nível de compreensão compatível com sua idade”.

Caso - A criança morava com a mãe, padrasto e outros dois irmãos (um deles filho de Christian com a primeira esposa), na Vila Nasser. A reportagem apurou que as crianças ficavam sob os cuidados de Christian enquanto a mãe trabalhava.

Na noite de quinta-feira, 26 de janeiro, a mãe chegou ao posto de saúde com a filha já sem vida. Foi então que as médicas evidenciaram lesões pelo corpo, inclusive nas partes íntimas da criança. Também perceberam que ela estaria morta havia cerca de quatro horas.

Stephanie alegou que a menina estava passando mal desde o dia anterior, com dores na barriga, e que o padrasto batia como correção. Na data da morte, os dois afirmaram que a criança não foi agredida. Eles foram presos em flagrante.

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