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Capital

Réu por execução na Orla diz que delegado o torturou para confessar crime

Caso ocorreu em abril de 2025; polícia prendeu o homem um mês depois

Por Clara Farias | 24/04/2026 16:03
Réu por execução na Orla diz que delegado o torturou para confessar crime
Manchas de sangue no local onde Wilver foi encontrado morto (Foto: Campo Grande News/Arquivo)

O réu Guilherme Martins Lima, de 26 anos, conhecido como "Alemãozinho", acusado de assassinar Wilver Sander de Souza, de 30 anos, em abril de 2025, afirmou durante o interrogatório que foi torturado por um delegado para confessar o crime. A declaração foi feita no Tribunal do Júri desta sexta-feira (24), e a Adepol (Associação dos Delegados de Polícia) de Mato Grosso do Sul saiu em defesa do servidor.

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Guilherme Martins Lima, de 26 anos, acusado de matar Wilver Sander de Souza em abril de 2025, alegou durante julgamento no Tribunal do Júri ter sido torturado por um delegado para confessar o crime. A Adepol saiu em defesa do servidor, e o juiz alertou que acusações falsas podem gerar condenação por denunciação caluniosa, com pena de dois a oito anos de reclusão, além de indenização por danos morais.

Conforme apurado pela reportagem, a fala ocorreu durante o interrogatório, fase em que o réu não é obrigado a dizer a verdade nem a produzir provas contra si, podendo apresentar sua versão como forma de defesa. Em manifestação, o juiz responsável pelo caso, Aluízio Pereira dos Santos, destacou que, embora não haja compromisso legal com a verdade nesse momento, eventuais acusações falsas podem gerar responsabilização.

Segundo o magistrado, caso fique comprovada a imputação falsa de crime contra o delegado, o acusado poderá responder por denunciação caluniosa, cuja pena é de dois a oito anos de reclusão, além de multa. Também poderá haver responsabilização civil, com eventual pagamento de indenização por danos morais.

De acordo com o juiz responsável pelo caso, Aluízio dos Santos, ainda que o acusado exerça o amplo direito de defesa, poderá responder pelo crime de denunciação caluniosa.

Em nota, a associação que representa a classe manifestou apoio ao delegado Rodolfo Daltro, da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa).

"A Polícia Civil atua com base em método, técnica e respeito às garantias legais. As investigações são estruturadas a partir de múltiplos elementos de prova, submetidos ao controle do Poder Judiciário e ao contraditório", diz trecho.

Em outro ponto, a entidade afirma que alegações de irregularidades feitas durante julgamento, não raramente, "revelam estratégias defensivas diante de apurações consistentes, buscando deslegitimar, de forma genérica, o trabalho investigativo".

Réu por execução na Orla diz que delegado o torturou para confessar crime
Guilherme Martins Lima quando foi preso (Foto: Direto das Ruas)

Caso - Guilherme Martins Lima, conhecido como “Alemãozinho”, é acusado de executar Wilver Sander de Souza, o “Corumbá”, por volta das 21h de 5 de abril de 2025. Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a vítima estava com outras pessoas na região da Orla Ferroviária quando o suspeito teria se aproximado em uma motocicleta.

Segundo a acusação, o jovem deixou o veículo estacionado em um terreno na Rua Antônio Maria Coelho e seguiu a pé até a vítima, que estava nas proximidades da Maria Fumaça, na Avenida Calógeras. Ao localizar “Corumbá”, Guilherme teria efetuado disparos e fugido em um carro de aplicativo, onde estavam uma mulher e uma criança.

Ainda de acordo com a denúncia, o crime teria sido motivado por retaliação ligada ao controle territorial do tráfico de drogas na região.

Guilherme foi preso em 14 de maio por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas, durante o cumprimento de mandado de prisão temporária e de busca e apreensão expedido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri.

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