Laudo da PF confirma vexame em suposta maior apreensão de cocaína do país
Testes da Polícia Boliviana, divulgados pelo Campo Grande News no começo do mês, já mostravam o erro cometido
O laudo pericial definitivo da Polícia Federal confirmou a ausência de cocaína nas cargas de madeira apreendidas durante a Operação Timber Shield, realizada em Corumbá, a 430 quilômetros de Campo Grande. O documento, emitido nesta semana, encerra a principal dúvida da investigação que chegou a ser anunciada como a possível maior apreensão de cocaína impregnada em madeira da história do País.
RESUMO
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Laudo pericial definitivo da Polícia Federal confirmou ausência de cocaína nas 260 toneladas de madeira apreendidas na Operação Timber Shield, em Corumbá. Exames de alta precisão, incluindo cromatografia gasosa e espectroscopia Raman, não detectaram entorpecentes. A madeira, composta por aroeira, espécie de alta densidade, é considerada inadequada para absorver cocaína líquida. Os caminhões ficaram retidos por semanas, causando prejuízos às transportadoras.
Como o Campo Grande News já havia antecipado, os testes preliminares realizados em Corumbá e os documentos emitidos pelas autoridades bolivianas já indicavam resultado negativo para substâncias entorpecentes. Agora, a conclusão foi confirmada pela perícia criminal da Polícia Federal.
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O laudo descreve que foram analisadas amostras retiradas da carga apreendida e também novos materiais coletados diretamente no Porto Seco de Corumbá, onde os caminhões permaneciam retidos.
Durante a perícia, foram empregados diferentes métodos de análise, entre eles espectroscopia Raman, teste de Scott, cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas e espectroscopia na região do infravermelho, considerados técnicas de alta precisão para identificação de entorpecentes.
Segundo o documento, todos os exames apresentaram resultado negativo para a presença de cocaína ou de qualquer outra substância considerada entorpecente.
Além das três amostras iniciais encaminhadas para análise, os peritos coletaram outras nove amostras da carga, cinco de serragem e quatro de fragmentos de madeira, durante inspeção realizada em Corumbá, com apoio de cães farejadores, militares do Exército, da Marinha e do Corpo de Bombeiros. Também nesses materiais, os exames não detectaram vestígios de droga.
O laudo ainda observa que a madeira apreendida era composta por peças de aroeira (Astronium urundeuva), espécie de alta densidade e baixa capacidade de absorção de líquidos. Conforme a avaliação técnica, essa característica torna o material pouco adequado para ser utilizado como matriz de absorção de soluções contendo cocaína.
Nas respostas aos quesitos da investigação, a Polícia Federal concluiu que "os exames realizados nas amostras recebidas e coletadas resultaram negativos para a presença da substância cocaína ou de outras substâncias consideradas entorpecentes". Em outro trecho, o perito afirma que os resultados indicaram que "não se tratava de material suporte contendo substância entorpecente".
A investigação teve início após a Receita Federal anunciar, em 21 de junho, a apreensão de aproximadamente 260 toneladas de madeira em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, sob suspeita de estarem impregnadas com cocaína líquida. A operação integrou a Timber Shield, desenvolvida em conjunto com autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Bolívia para apurar uma possível nova modalidade de tráfico internacional.
Dias depois, o Campo Grande News revelou que os primeiros testes químicos realizados pela própria Polícia Federal em Corumbá haviam apresentado resultado negativo para cocaína. Em seguida, documentos da Polícia Boliviana mostraram que inspeções realizadas antes da entrada da carga no Brasil também não identificaram qualquer substância ilícita.
Apesar da conclusão dos exames laboratoriais, os caminhões permaneceram retidos por semanas no Porto Seco de Corumbá, gerando prejuízos financeiros às transportadoras responsáveis pela carga, que relataram despesas com armazenagem e impactos comerciais enquanto aguardavam a conclusão da perícia.






