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Campo Grande, Domingo, 24 de Setembro de 2017

25/07/2017 16:11

Santa Casa ameaça suspender cirurgias e consultas a partir do dia primeiro

O hospital e a Prefeitura têm pendente a contratualização dos serviços, que aguarda assinatura desde o ano passado

Lucas Junot
Hospital recebe mais de R$ 20 milhões da Prefeitura todos os meses (Foto: Arquivo)Hospital recebe mais de R$ 20 milhões da Prefeitura todos os meses (Foto: Arquivo)

A Santa Casa de Campo Grande ameaça suspender as cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais por tempo indeterminado, a partir da próxima terça-feira (1º), devido a não contratualização entre a Prefeitura e o hospital, mantida por meio de aditivos desde o fim do ano passado.

Alegando instabilidade que impede a manutenção dos serviços, no entanto, a Santa Casa recebe R$ 20,2 milhões todos os meses da Prefeitura.

De acordo com a direção do hospital, a prorrogação da assinatura faz com que prevaleça o contratado anteriormente e não se possa colocar em prática, efetivamente, as decisões tomadas pelas partes neste ano, inclusive as sugeridas pelo Ministério da Saúde em reunião com as partes.

O novo contrato já foi redigido por uma equipe composta por técnicos da Prefeitura e do hospital. Contudo, segundo a Santa Casa, o documento foi enviado à Secretaria Municipal de Saúde há mais de um mês para ser assinado.

Por outro lado, o município diz que algumas cláusulas e metas a serem aplicadas para formalizar um novo contrato ainda estão sendo debatidas entre as partes. “Já existem propostas sugeridas de ambas as partes, as quais ainda dependem de ajustes”, informou a Sesau em nota.

Segundo o hospital, adaptações solicitadas pela administração municipal, como o fim do atendimento a pacientes não regulados no pronto-socorro, já foram realizadas. Desde o dia 29 de maio apenas pacientes enviados pela regulação municipal são atendidos no pronto-socorro, todos com senha emitida pela Sesau.

Repasses - De acordo com o superintendente da Santa Casa, Augusto Ishy, por conta dos repasses em atraso, insumos e até remédios estão começando a faltar para os pacientes. “Alguns tipos de fios de nylon para sutura já são escassos e alguma medicação também está em quantidade crítica. Precisamos reduzir nossos serviços agora para tentarmos reajustar nossa condição financeira e não desassistir pacientes. Precisamos de uma garantia não só mensal, mas sim anual para poder trabalhar”, explica.

Já a Prefeitura informa que “o repasse ao hospital está em dia e sendo feito religiosamente dentro do prazo”. “No início da gestão o hospital estava com repasse atrasado o qual foi regularizado de maneira célere evitando prejuízos no atendimento à população”, diz a nota da Sesau.

O superintendente ressalta ainda que os pacientes que já estão em atendimento ambulatorial não terão seus tratamentos interrompidos. “Não vamos prejudicar as pessoas que já estão em tratamento. Serão interrompidas apenas as novas consultas ambulatoriais. Assim também funcionará com as cirurgias eletivas, quem já está na fila de espera continuará aguardando por sua vez”, finaliza Ishy.
O município esclarece ainda que a regulação tem ajudado a reduzir de 20 a 25% a demanda espontânea do pronto socorro do hospital, principalmente porque a grande maioria é de casos menos graves.

“As unidades [UPA] sempre atenderam uma média alta de pacientes, inclusive com resolutividade de 80% dos casos. Ou seja, apenas 20% dos casos atendidos nestas unidades precisam ser encaminhados para hospitais, como a Santa Casa, por exemplo”, finaliza a Sesau.




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