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Capital

"Se eles tivessem ficado quietos, eu não ia disparar”, diz Bernal em depoimento

O ex-prefeito afirmou que, no dia do crime, viu os dois homens estavam armados

Por Lucia Morel e Clara Farias | 27/05/2026 17:10

Nervoso, o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP-MS), deu seu depoimento sobre a morte do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini. Bernal o matou com dois tiros em março deste ano, quando o fiscal tentava tomar posse da casa que arrematou em leilão e que pertencia ao ex-prefeito. Ele negou a intenção de matar e disse que “se eles tivessem ficado quietos, eu não ia disparar”, referindo-se também ao chaveiro, Maurílio da Silva Cardoso, ouvido ontem como testemunha de acusação.

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O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal prestou depoimento sobre a morte do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, baleado em março deste ano quando tentava tomar posse de um imóvel arrematado em leilão. Bernal negou intenção de matar, alegando acreditar que os homens estavam armados, e afirmou ter acionado o Samu após o ocorrido. O ex-prefeito também negou saber que o porte de sua arma estava vencido desde 2019.

Tremendo e com a voz embargada ao falar sobre o dia da morte, o ex-prefeito disse que tinha certeza de que, ao entrar na casa, os dois homens que ele viu estavam armados: “e digo isso com toda sinceridade: naquele momento, eu achei que os dois estavam armados. Para mim, eles portavam armas”, sustentou.

Sobre os dois tiros que atingiram o fiscal, o ex-prefeito afirmou ao juiz Luiz Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, que não percebeu que a vítima havia caído logo após o primeiro disparo. “Eu sinceramente não vi na hora. Quando aconteceu, fui tentar olhar se ele estava vivo ou não. Foi tudo muito rápido”, declarou.

O magistrado insiste e questiona sobre o laudo, que indica um segundo disparo de arma de fogo com a vítima já caída. “Doutor, eu posso afirmar categoricamente que, naquele momento, as emoções estavam à flor da pele. Eu tremia, e vivo tremendo agora”, disse Bernal, negando ter atirado com Mazzini já ao solo. “Eu nunca atirei em um bicho caído, vou atirar em um ser humano? Deus me livre!”

Para ele, o fato de os tiros terem sido à queima-roupa decorreu de ambos — autor e vítima — caminharem um na direção do outro e de ele ter caído apenas após o segundo tiro. “Ele veio e se virou assim, e a bala pegou por aqui. Se eu tivesse atirado nele deitado e tivesse vontade de matar, pelo amor de Deus, seria na cabeça ou no peito”.

Por fim, também disse que se aproximou do fiscal para ver se ele estava vivo e que ainda, ao perceber a gravidade, foi quem acionou o serviço de saúde.

O ex-prefeito ainda justificou que não era a primeira vez que sua casa era vítima de furto e acreditou que se tratava de bandidos novamente, “porque uma pessoa de boa-fé, alguém agindo corretamente, buscaria uma ordem judicial e estaria acompanhada de oficial de Justiça ou da polícia”, afirmou.

Alcides Bernal alega também que, se soubesse que a vítima era uma pessoa que havia arrematado a casa em leilão, ele teria buscado a via judicial adequada para defender sua posse sobre o imóvel.

Já sobre a arma, que estava com o registro de porte vencido desde 2019, Bernal negou que soubesse da irregularidade. O revólver calibre 38 usado no crime, segundo detalhes falados na audiência, tinha autorização de porte para defesa pessoal expedida em 3 de março de 2016, com vencimento em 3 de março de 2019. “Eu não tenho costume de andar armado, nem de carregar arma comigo. Teríamos que consultar o processo, mas eu acreditava que a situação da arma estava regularizada. Eu não fazia uso dela no dia a dia”, defendeu-se.

Nitidamente abalado, o ex-prefeito, agora respondendo as perguntas do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, reforça que foi ele quem chamou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para a vítima. “Doutor, eu tenho 61 anos. Nunca prendi, nunca fiz nada de mal. Todas as vezes que foi necessário eu fui à Justiça. Quando vi aquele homem caindo, chamei o Samu, chamei a polícia, saí na calçada, chamei o pessoal da New Line para socorrer aquele senhor. Eu não vivo para fazer maldade para quem quer que seja.”

Por fim, falou da família de Mazzini e de si mesmo. “Hoje tem uma família chorando a ausência do seu ente querido, e tem outra família com o seu ente querido atrás das grades. Eu não fui homem de matar o outro. Eu fui defender minha casa e defender minha família.”

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