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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

15/01/2016 17:56

Secretário sugere avenida cortando o maior parque de Campo Grande

Ricardo Campos Jr.
Cruzamento da Hiroshima com a Mato Grosso: local onde começaria avenida que cortaria reserva, na visão de secretário (Foto: Gerson Walber)Cruzamento da Hiroshima com a Mato Grosso: local onde começaria avenida que cortaria reserva, na visão de secretário (Foto: Gerson Walber)

Para resolver os problemas de trânsito no cruzamento da Mato Grosso com a Via Parque, o secretário municipal de infraestrutura, transporte e habitação Amilton Cândido sugere medidas drásticas, como avenidas dividindo ao meio o Parque das Nações Indígenas e a reserva ambiental do Parque dos Poderes. Para ele, as intervenções são possibilidades que podem ser discutidas no futuro.

A declaração do gestor foi feita durante entrevista à FM Capital nesta sexta-feira (15). Por enquanto, a prefeitura trabalha com alternativas em caráter paliativo, como a instalação de semáforos e abertura do trecho da Avenida Antônio Teodorowich ao lado do Hospital Miguel Couto.

Uma das possibilidades levantadas pelo município para solucionar o problema foi a construção de um viaduto no trecho em questão, o que já foi descartado.

Na visão de Cândido, uma das “novas vias” poderia começar no entroncamento da Mato Grosso com a Hiroshima, enquanto a outra transformaria o Parque das Nações em dois. Nos dois casos as vias terminariam na Afonso Pena.

Secretário sugere avenida cortando Parque das Nações (Foto: Gerson Walber)Secretário sugere avenida cortando Parque das Nações (Foto: Gerson Walber)

Possibilidade – Para o engenheiro de tráfego Jorge Monson, a ideia do secretario é tecnicamente possível. “Campo Grande está crescendo e não teve um planejamento. Esse setor norte da cidade está cada vez maior. Se acham caro fazer um viaduto, essa é a melhor solução”, afirma.

Contudo, segundo o especialista, é preciso haver uma mudança de hábitos do motorista campo-grandense, que evita usar vias alternativas e opta pelas avenidas, transformando as vias da cidade em gargalos.

“É o contrário de grandes centros, onde as pessoas procuram rotas alternativas para não pegar trânsito congestionado. A questão é mais comportamento. Já fizemos vários estudos. Essa orla que fizeram em volta da cidade é bem vazia, aí você anda na Julio de Castilho, ela é congestionada. Não adianta nada o governo trabalhar e o cidadão não se adaptar à modernidade”, pontua.

Problemas – O arquiteto e urbanista Ângelo Arruda aponta três empecilhos para colocar em prática a ideia de Cândido. O primeiro deles tem caráter legal.

“O Parque das Nações e o Parque dos Poderes são áreas estaduais protegidas por lei e decreto. Quando elas foram criadas, nos anos 90, havia um dispositivo que foi aprovado dentro do CMDU (Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano) de que essa avenida ligando a Hiroshima à Afonso Pena seria proibida, pois ela separaria uma área de preservação de mata fechada, que é a reserva do parque dos poderes, e uma área de preservação aberta que seria o Parque das Nações”.

A segunda questão é de cunho urbanístico. “Se você abrir o mapa, dentro do site do Planurb, que tem a hierarquização do sistema viário, nesse lugar, onde o secretário está comentando, não há nenhuma previsão de via do futuro”.

Por último, existem questões de natureza técnica, conforme Arruda. “Tal qual a Afonso Pena, que o prefeito queria diminuir o canteiro da avenida para colocar um corredor de ônibus, vem sempre a ideia mais fácil e nunca a tecnicamente completa”.

Trecho da Avenida Mato Grosso onde possivelmente começaria avenida que cortaria Parque das Nações (Foto: Gerson Walber)Trecho da Avenida Mato Grosso onde possivelmente começaria avenida que cortaria Parque das Nações (Foto: Gerson Walber)


Tenho certeza de que se os planejadores urbanos realmente pensarem, independente do custo, sempre haverá outra alternativa técnica que não seja essa idéia absurda de cortar os parques.
 
Edmur Lavezo Gomes em 16/01/2016 17:44:35
Pq a preferência é sempre intervir na natureza do q investir em uma solução q não à afeta?? Descartam o viaduto q é o mais viável pq ele custa mais... Pra mim, e com certeza pra maioria da população o viaduto sempre será a melhor opção, como nas grandes cidades, não é isso q o secretário diz? Procurar aceitar a modernidade e investir em algo mais durável. Hj cortam o parque no meio e daqui à algumas décadas existirá tantos cortes que o parque vai deixar de existir, lembrando q muitos animais que vivem ali irão morrer tentando atravessa a nova via.
 
Laudemir Antunes em 16/01/2016 16:21:02
Talvez esteja faltando mais estudo e o olhar para os problemas e soluções adotados em cidades grandes mundo afora que conseguiram melhorar a fluidez do trânsito e valorizar qualidade de vida e a natureza (e não o contrário, como propõe nosso secretário).
Este artigo é um fio a ser puxado:
http://outracidade.com.br/por-que-construir-mais-ruas-nao-melhora-o-transito-muito-pelo-contrario/
 
Elijane de Jesus Nantes Coelho em 16/01/2016 10:59:38
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