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Capital

Sem chegadas e partidas, rodoviária fechada surpreende desavisados

Terminal rodoviário está "fechado" temporariamente, como parte da quarentena definida pela prefeitura de Campo Grande

Por Marta Ferreira e Clayton Neves | 24/03/2020 11:29
Hatianos que iriam para o Rio Grande do Sul encontraram rodoviária sem movimento nesta terça-feira. (Fotos: Marcos Maluf)
Hatianos que iriam para o Rio Grande do Sul encontraram rodoviária sem movimento nesta terça-feira. (Fotos: Marcos Maluf)

Sem saber o que vão fazer agora, dois haitianos eram a imagem da surpresa e desolação de quem foi ao Terminal Rodoviário Antônio Mendes Canale, em Campo Grande, e achou tudo fechado. Nenhum ônibus entra, nenhum sai, como parte da quarentena imposta pela prefeitura de Campo Grande na tentativa de frear a disseminação do novo coronavírus.

O terminal está fechado desde a zero hora de hoje. Na frente, cavaletes e faixas de isolamento. Também há um funcionário e guarda civil municipal orientando as pessoas.

No mais, o prédio sempre movimentado de chegadas e partidas está vazio, a não ser os poucos desavisados que não sabiam do veto às viagens de ônibus.

A reportagem encontrou quatro pessoas quando esteve por lá. Dos dois haitianos, um topou falar, sem dar o nome.  O local chega a receber, em épocas de grande movimento, mais de 30 mil pessoas num fim de semana.

Soldador de 39 anos, ele mora no Chile e estava a caminho do Rio Grande do Sul, para buscar o filho. Não sabia da rodoviária fechada. “Agora eu não sei, tenho que ver quando liberar”, resignou-se.

Viatura da Guarda Municipal no terminal rodoviário de Campo Grande, fechado desde a zero hora. 
Viatura da Guarda Municipal no terminal rodoviário de Campo Grande, fechado desde a zero hora.

O problema, comentou, é que a reserva de dinheiro que tem agora vai ter de usar para comer e achar um lugar para ficar. “É esperar em Deus”, resumiu.

O motorista Reinaldo Gonçalves, 58 anos, mora em Campo Grande, no Bairro Pioneiros, e trabalha em Camapuã, a 133 quilômetros  de distância. Disse ter comprado passagem de volta no domingo, um dia após a prefeitura ter anunciado a medida restritiva contra o avanço do coronavírus. “Ninguém me avisou”, queixou-se.

“Era para ter ido ontem e não fui”, preocupa-se. A recomendação recebida do funcionário presente ao local é pedir ressarcimento na sede da empresa responsável pela linha,

 E agora ? - O pintor Vagner Mendes de Oliveira, 22, pintor, mora em Maracaju, a 166 quilômetros da Capita, e veio “ver um serviço”, como definiu. Não deu certo e ele teria de voltar para casa, mas agora não consegue.

 “Não tenho onde ficar”, contou. Disse ter tentado bater à porta de uma amiga, sem êxito. “Vou tentar resolver a situação”, afirmou, sem muito ânimo diante do imponderável.

 O fechamento da rodoviária, segundo as regras determinadas pela prefeitura, é por vinte dias.

Cavaletes da Agetran e faixas de isolamento alertavam: rodoviária está sem atividade contra o coronavírus.
Cavaletes da Agetran e faixas de isolamento alertavam: rodoviária está sem atividade contra o coronavírus.