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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

08/02/2014 14:50

Sem documentos, torturada e na miséria, ela luta para criar 4 filhos

Aline dos Santos e Mariana Lopes
Ilegal no Brasil, Lúcia Helena nem existe oficialmente. (Foto: Marcos Ermínio)Ilegal no Brasil, Lúcia Helena nem existe oficialmente. (Foto: Marcos Ermínio)

Aos 26 anos, Lúcia Helena Martinez Estecher é uma mulher marcada. Pelo corpo, hematomas contam que apanha e muito do ex-marido. As panelas vazias relatam que suas quatro crianças flertam com a fome. Sua história, narrada ao Campo Grande News na manhã deste sábado após mais uma episódio de violência doméstica, é o retrato da vítima cuja subsistência depende do agressor.

Oficialmente, ela nem existe. Paraguaia e ilegal no território brasileiro, teve os documentos retidos na PF (Polícia Federal). Por falta de R$ 165, não pode reavê-los e solicitar a permanência no país. Passou seis anos casada com Fábio Assis, de 24 anos.

Nos últimos cinco anos, testemunhou os empurrões e tapas se transformarem em espancamento. O rompimento veio há quatro meses, com a descoberta de uma traição. Porém, viu a miséria chegar quando o homem que a agredia saiu de casa.

Com quatro filhos, com idades de 5, 3, 2 anos e um mês, ela não tem outra fonte de renda. Dependendo exclusivamente do salário do ex-marido, que é pedreiro. Lúcia Helena conta que ele deixou de ajudar a família, porém, volta para bater.

No dia 30 de janeiro, fechou toda a casa para evitar que o ex-marido entrasse. “Ele arrombou a porta e entrou com raiva. Me levou para o banheiro e me bateu com a corda que uso para amarrar o cachorro. Gritei, chorei e ele foi embora”, relata.

Sem dinheiro para ir até à delegacia, só conseguiu registrar o BO (Boletim de Ocorrência) na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) depois de uma semana. A primeira denúncia de violência doméstica foi formalizada em outubro do ano passado. 

“Ontem, ele voltou e disse que ia me matar, me amarrar na moto e me arrastar. Depois, pegou o capacete e começou a bater”, diz. Com um alicate, o agressor prendeu os dedos da ex-esposa e ordenou que ela saísse da casa, localizada no Jardim Danúbio Azul, em Campo Grande. 

Com os quatros filhos, ela caminhou por oito quilômetros até o posto da PM (Polícia Militar) na Vila Margarida. Em seguida, Fábio foi preso em flagrante e levado para a Depac/Centro (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário).

Panela vazia reflete situação da família. (Foto: Marcos Ermínio)Panela vazia reflete situação da família. (Foto: Marcos Ermínio)
Cansado após fuga de casa, menino de 5 anos adormece no chão. (Foto: Marcos Ermínio)Cansado após fuga de casa, menino de 5 anos adormece no chão. (Foto: Marcos Ermínio)

A fuga de casa foi às 18h de ontem e a família só retornou às 5h deste sábado. O cansaço era perceptível no filho mais velho, uma criança com lábio leporino e deficiente visual. No meio da entrevista, ele surgiu na sala, se deitou no chão e adormeceu em poucos minutos.

O menino foi a razão dos pais saírem de Fátima do Sul para buscar tratamento em Campo Grande. Quando a vida financeira estava melhor, ele frequentava o Ismac (Instituto Sul-mato-grossense para Cegos). Mas, desde a separação, a mãe não tem condições de levá-lo à instituição.

Lúcia Helena recebe ajuda do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do Estrela Dalva, que repassa arroz, feijão, leite e fralda. As crianças frequentam a escola e a mãe se esforça para manter uma rotina doméstica. Com tantos filhos e sem documento, nem sabe por onde começar a procurar emprego.

Por diversas vezes, durante a entrevista, Lúcia Helena abaixa a cabeça e esboça o choro. Mas as lágrimas só irrompem no rosto quando conta do temor de o ex-marido sair da cadeia e voltar para agredi-la. “Morro de medo”, diz, com os roxos da última agressão ainda espalhados pelo corpo.

Em tempos de alegria escassa, a solidariedade é que faz brotar algum sorriso. Ontem, no posto da PM, as crianças ganharam lanche. Hoje, o relato da reportagem sobre a situação da família sensibilizou um empresário, que doou refeição. Na casa de quatro peças, em que moram de favor, mãe e filhos tiveram mesa farta por um dia.

No fim de janeiro, ela apanhou com a corda de prender o cachorro. (Foto: Marcos Ermínio)No fim de janeiro, ela apanhou com a corda de prender o cachorro. (Foto: Marcos Ermínio)


Olá bom dia! Eu liguei na redação do Campo Grande News e me passaram o endereço dela. Se quiserem ajudar liguem no 3316 7200 e que eles repassarão novas informações.
 
Liziane Souza em 11/02/2014 09:24:13
O quanto me entristece ler essas histórias, essas crianças inocentes, essa moça terem que passar por isso, um marginal desse solto por aí, essa família precisa de JUSTIÇA, e concordo com a leitora Leonice Cruz: Cadê os direitos humanos????
 
Danielle Oliveira em 11/02/2014 09:00:19
senhor JUIZ se fosse uma filha de vossa excelência o senhor soltaria esse individuo para que possa fazer tudo de novo
 
marcio borges em 09/02/2014 21:58:15
gostaria de ficar apenas 15 minutos preso na mesma casa que este meliante só pra mostrar pra ele como é que se bate de verdade
 
atalicio junior em 09/02/2014 13:36:23
Gostaria de saber se vcs poderiam me passar o endereço e o contato para poder ajudar essa família. Desde já agradeço!
 
ANDREIA DE PAULA em 09/02/2014 10:50:49
Quando acompanhamos histórias como esta, nos vem a pergunta de que humanidade é essa?
 
Gilvano Bronzoni em 09/02/2014 10:49:19
Gostaria de ajudar esta moça com seus filhos como que eu faço para encontra-la não tem endereço alguem me informa meu cel é 99549336.
 
jose ricardo lyvio em 09/02/2014 10:08:49
Li a reportagem e a primeira idéia foi fazer alguma coisa para ajudar essa familia.
Juntar os amigos e ver o que dá pra fazer de concreto.
Tipo: ajduar a tirar documentos, prover essa familia de alimentos,
ajudar essa mulher encontrar uma creche para as crianças.
Encontrar tratamento para o filho mais velho e colaborar
para que ele retorne as idas ao Ismac.
enfim, tem muita coisa a fazer, mas como a gent
pode acessa-los?
Tem jeito de passar o endereço ou
entrar em contato comigo?
9982-4142 , amanha de manha estou na atividade
fisica até as 10hs fora isso atendo ou mandem pelo meu email.
aguardo.
agradeço
 
Lucia M Cruz em 09/02/2014 09:36:04
Meus Deus do céu, autoridades policiais e politicas, tomem alguma atitude com esta pobre mulher , ajudem ela por favor pelos fihos, pelas crianças, eu nao tenho condiçoes , se tivesse ajudava- os , que deus ajude ela e os filhotes.
 
ANTONIO CARLOS MACHADO em 09/02/2014 09:35:30
Sempre assim, desde que o mundo é mundo: o que se acha mais forte ou mais inteligente ou mais esperto, domina o outro.
 
Célio Mota em 09/02/2014 09:32:51
Cadê os direitos humanos????
Esse é um caso que teria que ter a intervenção dos direitos humanos... não vão fazer nada?? só defendem bandidos?
 
Leonice Cruz em 09/02/2014 09:22:50
Gostaria de saber onde andará as Assistentes Sociais da prefeitura espalhadas pelos bairros, que essa família precisa de apoio, tanto psicológico, quanto social (comida, vestuário, estudos, etc), isso já sabemos, mas e o município? sabe?? E as ONGS de apoio social que recebem tantos repasses do governo federal??
 
luiz rodrigues em 09/02/2014 07:17:14
POR FAVOR , EU GOSTARIA MUITO DE AJUDAR ESSA MULHER , TENHO POUCO , MAIS CREIO QUE DEUS ME DARÁ EM DOBRO , GOSTARIA QUE O CAMPO GRANDE NEWS ENTRASSE EM CONTATO COMIGO ATRAVÉS DO MEU EMAIL . QUANTA CRUELDADE COM ESSAS CRIANÇAS E COM ESSA MULHER , AGORA UM JUIZ VEM E SOLTA UM MONTRO DESSE . O BRASIL REALMENTE ESTÁ PRECISANDO DA JUSTIÇA DE DEUS .
 
antonio silva em 09/02/2014 02:06:20
Campo grande e nossas autoridades protejam esta mãe e seus filhos; O cara já esta souto e algo pior poderá fazer com ela.
 
edilson p silva em 09/02/2014 01:13:39
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